Cidade Proibida


Antes de mais, quando se fala em visitar Pequim ouve-se “Cidade Proibida” como a sua maior atracção. Mas a maior parte das pessoas não amante da China ou de viagens pergunta-se, “mas o que é que é isso de Cidade Proibida”?

Explicando basicamente, é o lugar que anteriormente estava fora do centro cidade e que os imperadores escolheram para habitar, junto das suas concubinas e eunucos. Só eles podiam aqui entrar, daí a designação de Cidade Proibida. Hoje tudo é diferente e qualquer pessoa, desde que pague cerca de 7 euros, pode e deve visitar este complexo, filmado pela primeira vez por Bernardo Bertoluci para o seu oscarizado filme “O último imperador”.

A Cidade Proibida foi mandada construir em 1406 pelo imperador Ming Yongle, o mesmo que então decidiu a transferência da capital de Nanquim para Pequim. Demorou 14 anos a construir, tendo participado na empreitada mais de um milhão de trabalhadores chineses, e serviu de palácio imperial para todos os imperadores das dinastias Ming e Qing, qualquer coisa como 500 anos de história dinástica terminada com o último imperador, Puyi, em 1912 – precisamente aquele retratado pelo filme de Bertoluci.

Hoje a sua entrada tem o enorme retrato de Mao Zedong a dar as boas vindas. Esta é a Porta da Paz Celestial que dá para a Praça Tiananmen. A escala aqui é enorme.

Da Praça Tiananmen já havia falado em post anterior.

Quanto à Cidade Proibida, o complexo em forma rectangular reúne cerca de 900 edifícios, mais jardins, portas, pontes, lagos, templos, até óperas. São à volta de 720000 metros quadrados cercados por muros de 10 metros de altura e envolvidos por um fosso de água de 52 metros de largura. Uma verdadeira cidade.

No seu desenho é visível que houve aqui muito planeamento. A simetria é evidente e houve uma preocupação com a geomancia e de se obedecer aos princípios do yin e yang. Também a hierarquia que esta cidade pretende simbolizar fica aqui evidente pela disposição dos seus edifícios. Com efeito, os mais importantes encontram-se ao centro, como templos e salões, deixando as laterais para aqueles mais privados.

Uma das imagens mais fortes da Cidade Proibida são as suas cores. Propositadamente foi escolhido o amarelo para os telhados dos edifícios, sendo o amarelo na cultura chinesa a cor reservada aos imperadores, representando o seu poder e a sua proximidade a Deus. Já o vermelho que domina nos muros e nos edifícios representa a prosperidade.

O que vemos hoje aberto ao público é apenas uma parte de todo o complexo da Cidade Proibida, talvez nem metade de todo o espaço. Ainda assim, muitas horas de visita são aqui consumidas.

Para além da sua arquitectura, aqui ficam os melhores museus da China, apresentando colecções de porcelana, jade e outros objectos imperiais. Aliás, a designação oficial da Cidade Proibida é hoje “Museu do Palácio”, o que nos criou alguma confusão no momento de comprar o bilhete de entrada, pois não desejávamos ir para o Museu, antes para a Cidade. Fora a confusão criada pela quantidade de gente que estava nas imediações da Cidade Proibida na segunda-feira, dia por mim destinado para a visitar, sem saber que nesse dia está encerrada. Valeu-me mais uma acusação de ser “pouco focada” por parte da mana.

Lá voltámos no dia seguinte para constatar que aquela quantidade de gente não era, afinal, assim tanta. Até custa a querer que ainda haja mais chineses. De certeza que eles não estavam lá todos ao pé de nós naquele dia?

Uma das coisas mais irritantes quando se viaja é não poder ver as coisas com calma, sem confusão e sem necessidade de nos pormos constantemente em bicos de pés para conseguir espreitar um buda que seja. Em Pequim foi uma constante: demasiada gente onde quer que se fosse.

 

No caso da Cidade Proibida, porém, se é impossível apreciar bem os pormenores da sua arquitectura na zona central, tal já é mais possível quando se foge um bocadinho do óbvio, do super turístico. Então, aí podemos apreciar quase sozinhas os deliciosos pavilhões e seus pátios.

 

Na minha memória ficará, acima de tudo, o Palácio da Paz e da Longevidade, situado na parte nordeste da Cidade Proibida. Esta é como se fosse uma autêntica cidade dentro da cidade. O bilhete de entrada para a Cidade Proibida não inclui a entrada neste espaço, daí que tenhamos que comprar um outro bilhete e, talvez por isso, indivíduos é coisa que não abunda por aqui – coisa rara e feliz. À sua entrada somos recebidos pelo painel dos Nove Dragões, destinado a protecção contra os maus espíritos. Aqui viviam as imperatrizes viúvas e as concubinas imperiais. Os pavilhões vão-se sucedendo, bem como os pátios com delicados jardins. Mas o rei da delicadeza é o Pavilhão das Alegres Melodias, a casa da ópera num edifício de três andares.

 


No entanto, são os enormes salões cerimoniais que dominam a paisagem, ou não ficassem eles no centro. Depois de passarmos a Porta do Meridiano entramos num enorme pátio com vista para a fantástica Porta da Suprema Harmonia, o maior e mais importante edifício da Cidade Proibida. Nas laterais existem diversas salas transformadas em museus. Em seguida é irmos atravessando um a um os salões cerimoniais, junto da confusão, mas a tentação de escapar sempre para as laterais é grande. A noroeste da Cidade Proibida ficam os Palácios Ocidentais e, apesar da estreiteza dos seus caminhos, consegue-se espreitar sem muitos encontrões os seus segredos. O contraste de cores é aqui muito forte e belíssimo.

 

 

 

Na parte central a norte, junto à saída, é a confusão total, mas dá para perceber a beleza do jardim imperial.

Um pormenor interessante. Cada edifício é decorado com umas pequenas e pitorescas estátuas, conhecidas como os guardiões, criaturas míticas que protegem o dragão imperial; a sua importância afere-se através do número que cada um apresenta – 10 é o máximo das estátuas e o máximo da importância (encontramos esta ideia não apenas nos edifícios da Cidade Proibida).

Outros pormenores em foto,

Para concluir o tópico Cidade Proibida neste post, dizer que se hoje o monumento é uma unanimidade como património da humanidade, para os comunistas o assunto nem sempre foi fácil. Quando Mao ascendeu ao poder e criou a República Popular da China em 1949 ficou com um dúvida existencial – que fazer com toda aquela ostentação imperial quando o seu pensamento era contra a tradição? Diz-se que foi mais uma vez o providencial Zhou Enlai a salvar da destruição este ícone da China imperial.

 

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