Waimea

Waimea Bay. Waimea River, Waimea Valley, Waimea Falls Park – Waimea tem tudo.
Qual a praia mais linda do mundo?Waimea!


Waimea, a baía, é conhecida mundialmente por receber uma daquelas ondulações fortíssimas de que falava em post anterior. É uma das mecas do surf (no que diz respeito ao bodyboard a sua onda é perfeita no “põe para baixo e para dentro e tenta sair”), em pleno North Shore de Oahu, Hawaii, perto de Pipeline e Sunset Beach, outras ondas que lhe disputam a fama. A sua onda chega a atingir os 20 metros, é monstruosa, cavernosa, mesmo, uma daquelas em que cabe perfeitamente um autocarro londrino (ou vários), e uma daquelas que permite a quem cai da sua prancha obter a sensação mais próxima do que é estar dentro de uma máquina de lavar a roupa em funcionamento.


Mais uma vez, passou-me completamente ao lado esta experiência de observar o mar zangado em plena Waimea. Pelo contrário, no Verão de Setembro as águas são calmas, fazendo jus ao nome de “Bay” que acompanha a zona. E o que faz dela a praia mais bonita, para além de vale adentro possuir uma riqueza impar no que toca à botânica e umas quedas de água lindíssimas donde os mais destemidos aproveitam para exibir a sua arte de mergulhar? Desde logo a cor da água, um azul cristalino que nos dá a ideia de que o chão de areia está mesmo ali, ainda que na realidade se encontre a uns 3 metros dos nossos pés.
Então mas Waimea não significa “água vermelha” em hawaiano? Sim, mas, afinal, estamos na Polinésia e o imaginário da cor do mar por estas bandas não é contrariado!
O ambiente na praia, que não terá mais do 800 metros de comprimento para se estender a toalha, é fantástico.
No canto esquerdo uma rocha carismática de tamanho considerável (a Queen´s Leap), criada bem à medida para treinar os saltos para a água, mais do que adequada para ocupar o tempo de flat (sem ondas). Quem não tiver coragem para saltar que observe horas a fim os maluquinhos.
No outro canto da praia, a única construção – uma espécie de farol / torre de vigia – que nos faz chegar à conclusão de que afinal o Homem pisou por ali.
E na areia? Como é uma praia frequentada maioritariamente por famílias, a descontracção impera. Não esqueço os minutos hilariantes que ganhámos as 4 – as manas e as Anas – a observar uma senhora deitada na sua prancha à beira mar, esquecida no movimento das ondinhas que a traziam e levavam numa monotonia repetitiva só possível num paraíso.
Porque é disso mesmo que se trata – paraíso!
E neste lugar fantástico há ainda espaço para os golfinhos nadarem. Tão elegantes na sua linha ondulatória, sem levantar a mínima espuma, para não estragar a paisagem de autêntica baía, tão silenciosos que quem nada a poucos metros deles nem se apercebe da sua presença. Não é mana? Tu que tinhas (e tens) o sonho de nadar com os golfinhos nem sentiste que eles estavam lá contigo, a disputar as tuas braçadas, e de tão relaxada que estavas naquele mar profundo nem acreditaste no gesticular de aviso da restante tripulação estendida na areia.
Pois é, Waimea tem tudo – história, cenário perfeito, aventura, boa disposição, carisma e, principalmente, momentos partilhados que perdurarão no tempo quando tudo o mais for esquecido.

I still love you, New York

Deixo mais esta letra da música “New York, New York” de Ryan Adams, do albúm “Gold”, de 2001. O lançamento do albúm e deste single coincidiu com os atentados de Setembro de 2001 e tornou-se como que um hino da resistência da cidade, ainda que não seja sobre a ela, mas antes sobre uma míuda.

“New York, New York”
Well, I shuffled through the city on the 4th of July
I had a firecracker waiting to blow
Breakin’ like a rocket who makin’ its way
To the cities of Mexico
Lived in an apartment out on Avenue A
I had a tar-hut on the corner of 10th
Had myself a lover who was finer than gold
But I’ve broken up and busted up since

And love don’t play any games with me
Anymore like she did before
The world won’t wait, so I better shake
That thing right out there through the door
Hell, I still love you, New York

Found myself a picture that would fit in the folds
Of my wallet and it stayed pretty good
Still amazed I didn’t lose it on the roof of the place
When I was drunk and I was thinking of you
Every day the children they were singing their tune
Out on the streets and you could hear from inside
Used to take the subway up to Houston and 3rd
I would wait for you and I’d try to hide

And love won’t play any games with me
Anymore if you don’t want it to
The world won’t wait and I watched you shake
But honey, I don’t blame you
Hell, I still love you, New York
Hell, I still love you, New York
New York

I remember Christmas in the blistering cold
In a church on the upper west side
Babe, I stood their singing, I was holding your arm
You were holding my trust like a child
Found a lot of trouble out on Avenue B
But I tried to keep the overhead low
Farewell to the city and the love of my life
At least we left before we had to go

And love won’t play any games with you
Anymore if you want ‘em to
So we better shake this old thing out the door
I’ll always be thinkin’ of you
I’ll always love you though New York
I’ll always love you though New York, New York, New York

Manhatã visto por Cazuza

NY acolhe cidadãos vindos de todos os cantos do mundo e, como afirmei em post anterior, estima-se que 32% da sua população tenha mesmo nascido fora dos EUA.
Daí a dificuldade em caracterizar-se NY e os seus residentes sem se recorrer às palavras cosmopolitanismo e respeito pela diferença.
Aqui se buscará o verdadeiro estilo de vida nova-iorquino, que rapidamente se cola a quem lá chega, seja turista ou emigrante, legal ou ilegal.
Deixo aqui a letra da música “Manhatã”, de Cazuza, o meu brasileiro preferido que, em certas fases da sua vida, escolheu e viu-se obrigado a viver uns tempos em NY.

“Manhatã”
Cheguei aqui num pé de vento
Já tenho carro e apartamento
Sou brasileiro mandigueiro
Tô aqui pelo dinheiro
Virei chicano, índio americano
Blusão de couro, os States são meus

Agora eu vivo no dentista
Como um bom capitalista
Só tenho visto de turista
Mas sou tratado como artista
E até garçon me chama de sir
Oh! Baby, baby, só vendo pra crer

Eu andando pela neve
Em pleno Central Park
Com as estrelas do cinema
Faço cenas no metrô
Com meus tênis All Star
Deixando as louras loucas
Com meu latin style
Não sou mais paraíba
Sou South American
Aqui em Manhatã
Aqui em Manhatã

E quando a saudade aumenta
Descolo um feijão com pimenta
E um Hollywood no chinês
Lá na Rua 46
Virei chicano, índio americano
Blusão de couro, os States são meus

Eu fumando um baseado
Em frente a um policial
Aqui tudo é tão liberal
Vou xingando em português
Depois, gasto o meu inglês
Deixando as louras loucas
Com meu baticulelê
Não sou mais paraíba
Sou South American
Aqui em Manhatã
Aqui em Manhatã »

Lembrando NY

Do que já tenho saudades:
Pensando em NY já há distância de uns (poucos) meses, invejo-lhe todos aqueles museus – os que visitei, os que sonhei visitar e aqueles que nem sonho que existem.
Invejo-lhe também algo que me levaria certamente à bancarrota – as montanhas de restaurantes asiáticos que me põe os olhos em bico. Não só os japoneses e chineses, mas também os indianos, tailandeses, vietnamitas, coreanos, etc.

O que faltou fazer:
Quase tudo.
6 dias em NY não chegam para conhecer apenas Manhattan, quanto mais pensar em ir a Brooklyn, Queens ou Bronx. Não chegaram sequer para deambular pelos Upper Sides. Se não fosse a viagem de avião cheia de horas intermináveis para se ultrapassar (e o síndrome da classe económica a evitar) diria que voltaria a NY num instante para tentar conhecer parte do muito que me faltou.

NY – Encontro no Ray´s Pizza

O improvável acontece a cada esquina. No caso, numa pizzaria meio ranhosa na Houston St, deixando a Lower East Side a caminho da East Village. A pizzaria aqui em presença é a Ray´s Pizza, tipo de lanchonete que se encontra em quase cada esquina de NY (excepto nos bairros chiques).
Esta fica perto da Alphabet City, que inclui as Avenidas A, B, C e D, que alguém também designou por Assault, Battery, Crime e Drugs, mas que agora está mais para Attitude, Beautiful People, Costly e Dining Destination.
Comentávamos nós o aspecto dos azulejos da dita lanchonete, discutindo se passariam numa vistoria de um qualquer departamento de higiene de uma qualquer câmara municipal portuguesa, e decidíamos se havíamos de experimentar a sua casa de banho quando entra nem mais nem menos do que William Hurt.
Será, não será? Era.
As fatias de pizza são muito democráticas, e qualquer filho de Deus tem direito a elas. Mesmo que Filhos de um Deus Menor.

NY – Apple

A Apple aqui em título é, passe a publicidade, a da marca de tecnologia informática.
Não ligo nem nunca liguei ao Macintosh. Quando a minha mana me falou do novo brinquedo que lia mp3 com um display todo fashion também não liguei nenhuma. Quando reparei que a grande maioria dos nova-iorquinos usava um adereço à cintura, ao braço, no bolso ou onde fosse, acompanhado de fones nos ouvidos, comecei por prestar atenção às palavras da mana. Quando entrei na loja da Apple no Soho, tipo test-drive dos seus produtos, e vi o IPOD Nano, imensamente mínimo e fino, fiquei irremediavelmente conquistada. Eis mais uma cliente.
Atenção, no entanto: a publicidade aqui não engana. O Naníssimo perde-se mesmo no bolso e esquecemo-nos de onde vêm aquelas mais de 1000 músicas que não param de tocar no nosso ouvido.

NY – Chicago na Broadway

Uma ida a um dos teatros da Broadway é, igualmente, obrigatória.
Mais uma vez, com tantas peças em cartaz, o mais difícil é escolher a qual assistir (o teatro não é decisivo, antes a peça).
Desde o Fantasma da Ópera, já no seu 17.º ano em cartaz, passando pelo Rei Leão, Mamma Mia!, A Bela e o Monstro até Chicago. Em Setembro encontrava-se também em exibição o Lennon, musical sobre a vida de John Lennon, amplamente mal recebido pela crítica.
A minha escolha pelo Chicago deveu-se única e exclusivamente ao facto de este se encontrar na altura a ser estrelado por Brooke Shields, no papel de Roxie.
A ex-namoradinha da América, que fez 40 anos este ano, está em forma depois da vida algo atribulada e das depressões que sofreu. Deixou a Lagoa Azul e o Amor Infinito e resolveu aventurar-se no musical Chicago em Londres. Depois veio para a sua NY. Não faço ideia qual a posição dos críticos mas eu gostei.
O espectáculo em si não tem muitos adereços e, para quem viu o filme, a história é conhecida. Mas tem ritmo e entretém o suficiente para que, acabando a noite, o desejo de voltar e ver outro espectáculo seja grande.
Os preços não são muito baratos (no caso 60 euros por um lugar apertado lá para as últimas filas). No entanto, para bilhetes de última hora para o próprio dia vale a pena tentar os quiosques da TKTS na Times Square, com preços que podem ir até 50% menos.
À hora de saída do musical, que coincide com a saída dos outros shows, quer da “Broadway” quer da “Off-Broadway” (peças em teatros mais pequenos, muitos de teatro experimental), o espectáculo passa para as ruas da cidade. O movimento pela Times Square é imenso. Os táxis não param de passar e as luzes dos néons das publicidades a tudo o que é produto não param de brilhar.
E confirma-se: NY nunca dorme.