Saadiyat, a ilha da cultura

Os planos para a ilha de Saadiyat são entusiasmantes e, como não podia deixar de ser, ambiciosos e milionários.

As maquetes e bonecos dos projectos mais importantes pensados pelos arquitectos mais importantes:



Museu Guggenheim, de Frank Gehry



Museu do Louvre, de Jean Nouvel



Performing Arts Centre, de Zaha Hadid



Zayed National Museum, de Norman Foster



Museu Marítimo, de Tadao Ando

Abu Dhabi

Abu Dhabi é a capital dos Emirados. O seu nome significa “pai das gazelas” e este é o Emirado com as maiores reservas de petróleo e gás e, por comparação ao vizinho Dubai, tem sido mais consciente, controlado e sustentado na loucura da construção de edifícios, parques temáticos e ideias estapafúrdias. Mas isso não quer dizer que também não tenham os seus instintos de petro ricos e não avancem megalomania afora. Exemplos: a maior Mesquita fora da Arábia Saudita, a criação de uma ilha artificial para albergar um circuito de Fórmula 1 e o parque Ferrari World, um hotel de não sei quantas estrelas tão luxuoso e distinto que é confundível com a residência oficial do sheik e, o que será a cereja no topo do bolo, previsão para os próximos anos de construir a ilha da cultura, com projectos dos maiores arquitectos do mundo para albergar o novo Guggenheim, o novo Louvre e mais um museu marítimo. Isto, faça saber-se, num país onde o maior museu não é maior do que qualquer museu de uma qualquer província de Portugal.

Abu Dhabi é mais conservadora do que o Dubai. Para nós, o tratamento especial que é dado às mulheres livrou-nos de ficar numa fila que nunca mais acabava na volta do autocarro à noite para o Dubai. Daqui até à capital é cerca de 1 hora e meia numa estrada sempre em excelentes condições e num autocarro confortável que está sempre a sair.

Em Abu Dhabi a imagem do sheik é omnipresente, com fotos por tudo o que é local. A devoção que lhe é prestada só é ultrapassada pela devoção a Alá. Comecemos então por dedicar umas linhas à Mesquita.

Como havia referido atrás, a Grande Mesquita de Abu Dhabi é a maior do mundo tirando a de Meca e Medina na Arábia Saudita. Aqui parece que entramos no reino do mármore e do ouro. Mas o branco intenso é o que domina esta imensa estrutura de minaretes, arcos e colunas, corredores, terraços e salas de oração, a uns quantos kms do centro da cidade, cerca de uma hora de autocarro. Aqui encontramos um mausoléu com o túmulo do sheik Zayed Bin Sultan Al Nahayan, onde um cântico de um grupo de 10 imans que vão lendo o Corão 24 horas por dia, todos os dias, o acompanha. Para além desta ser a maior Mesquita é também das poucas que os não muçulmanos podem visitar. As não muçulmanas, mesmo vestidas de uma forma bem comportada, observando as advertências do conservadorismo do Emirado, são obrigadas a usar uma veste que nos cobre da cabeça aos pés de um preto mais preto do que a minha avó viúva usa. E se o véu cai, como aconteceu insistentes vezes, e nos deixa uma ponta do cabelo à mostra, lá vem prontamente o senhor da Mesquita que zela pelos bons costumes avisar-nos para o compormos.

Para além do impressionante domínio do mármore e do ouro, encontramos ainda cristal de Murano e Swarovski usados para o maior candeeiro do mundo. Na grande sala de oração, com capacidade para 35000 fiéis, para alem dos deslumbrantes candeeiros, impera o tapete persa de uma soo peça que o cobre, feito por mais de 2000 mulheres no Irão, com o peso de 38 toneladas e que, como não podia deixar de ser, é o maior do mundo.

Não muito longe dali, na direcção contrária ao centro da cidade, fica a tal ilha artificial que acolhe um GP de F1, a Yas Island. O circuito está instalado numa marina, com vilas e um hotel no meio. Um hotel lindíssimo, há que acrescentar. Para quem gosta do desporto automobilístico, deve ser fantástico estar no deck de um barco, na varanda de uma vila ou no terraço do hotel a ver os carros passar em alta velocidade com o seu vruumm, vruumm característico.

Ali perto fica o Ferrari World, parque temático da marca do cavalinho rampante com atracções para todos os gostos, desde uma montanha russa à experiência de um test drive.

De volta à cidade, a sua corniche é linda e é uma maravilha caminhar ao seu longo, praias sempre bem arranjadinhas, com o mar de um azul tão intenso que só encontra rival na areia de um branco igualmente intenso. Este contraste dos elementos tem como resultado um postal irreal, sendo uma verdadeira surpresa que o Golfo Pérsico possa nos dar estas tonalidades que mais se espera encontrar nas Caraíbas ou na Polinésia.

No fim da corniche, que percorremos corajosamente durante uns kms sob um calor abrasador (ficamos com as camisolas tão coladinhas ao corpo que se fosse em Portugal de certeza que ganharíamos um convite especial para participar no concurso Miss t-shirt molhada do Correio da Manhã), fica o Emirates Palace, o tal que, se não estivéssemos em terra de petróleo em abundância, só podia ser a residência de um governante. Mas não, é um hotel cuja visita é atracção turística imperdível. Os seus salões são de um luxo só, os seus tectos hipnotizam e as suas casas de banho… bem, qualquer uma fica uma verdadeira bimba a olhar para aquelas torneiras e balcões acompanhados de ouro.

E por falar em companhia de ouro, podemos sair deste hotel com um bocado dele, uma vez que temos aqui uma espécie de ATM que em vez de nos dar notas dá-nos barras de ouro. Muito à frente…

E para o fim fica aquilo que me faz desejar voltar aos Emirados daqui a aproximadamente uma década para ver a evolução louca que não vai deixar de ter. Abu Dhabi tem como projecto fazer da ilha Saadiyat (http://www.saadiyat.ae/en) um espaço de cultura e, para isso, contratou os melhores arquitectos do mundo para projectarem as infra-estruturas que irão acolher as obras que o país não tem e que, faço ideia como €€€, irão passar a ter. Frank Ghery irá ficar com a nova filial do Guggenheim (à semelhança do que aconteceu com a de Bilbao), Jean Nouvel com o novo Louvre, Zaha Hadid com o performing arts center, Norman Foster com o museu nacional, Tadao Ando com o museu marítimo e mais, muito mais. Tudo isto já tinha ouvido sem crer muito. Mas agora vi as maquetas de sonho numa exposição no Emirates Palace (ah, esqueci de dizer que também tem um centro de exposições) e, não fosse a crise que se abateu um pouco por todo o mundo, não tendo os Emirados sido excepção, este projecto estaria para muito breve. Assim, dou-lhe a tal década.

Então ate lá.

Sharjah

Sharjah é um emirado que fica pertíssimo do Dubai, com ele fazendo fronteira logo a seguir a Deira. É considerado um dos mais conservadores, sendo proibida a venda e o consumo de álcool. É ainda aconselhável que se tenha algum tento no vestuário, e isso não apenas para as mulheres, pois também as pernas ao léu dos homens não serão bem-vindas.

Como curiosidade, dizer que Sharjah tem alguns enclaves e olhando para o mapa é quase um passatempo ir descobrindo um pedacinho deste emirado aqui, mais um ali, costa para o Golfo Pérsico, depois costa para o Golfo de Oman – o que é único entre os emirados.

É ainda conhecido por possuir vários museus (embora numa escala nada comparada com aquilo que Abu Dhabi planeia para os próximos anos), mas pelos vistos os locais não sabem sequer onde eles se situam, senão, vejamos. Chegadas à cidade sem qualquer mapa connosco, demos logo de caras com o bonito souk com uma espécie de azulejos de várias tonalidades de azul. Olhando para a paisagem à frente não nos conseguíamos sintonizar. Fomos andando até que, seguindo o conselho de só pedir indicações a mulheres, perguntamos a uma senhora onde ficava o Sharjah Art Museum. Como não sabia pediu ao marido que estava no carro para nos dizer. Este também não sabia e vendo o número de telefone que tínhamos numa brochura ligou para lá para lhe indicarem a sua localização exacta. Como se não bastasse toda essa simpatia, ainda nos disse para entrarmos no carro que nos ia lá levar. O mais engraçado é que este casal que nos deixou mesmo no meio da cidade (e aí vimos que estávamos mesmo à deriva) era indiano, como não podia deixar de ser, mas indiano de Goa. Não dissemos ADEUS, mas thank you and goodbye, língua universal em qualquer emirado.

O Sharjag Art Museum é o maior museu de arte contemporânea de todos os Emirados. Mas está longe de ser grande. Todavia, as obras que acolhe valem a visita: quadros de David Roberts com as paisagens arábicas que foi pintando ao longo da vida, bem como de outros pintores que se dedicaram a pintar a mesma temática. O edifício é ainda muito acolhedor.

Num raio de poucos metros existe uma série de outros museus (ver em http://www.sharjahmuseums.ae/) e é possível observar como eram as habitações antigas por aqui. A torre característica, para controlo do calor, tem aqui vários exemplos ainda presentes.

Este emirado não é nada exuberante, ainda para mais se o compararmos com o Dubai ou com Abu Dhabi. É, no entanto, marcado na paisagem pelos prédios altos, e mantém igualmente um cuidado com o espaço público, sendo visíveis muitos jardins. A zona do porto não será formosa, mas é muito interessante ver a azáfama de uns e a preguiça de outros nos barcos que por lá passam ou que por lá estão atracados.

Instantes do Dubai



Isto também é Dubai



Os verdadeiros locais, ela de preto, ele de branco



O Creek



Todos usam o barquinho para atravessar o Creek



Fim de tarde junto ao Creek



As praias do Golfo: areia branquíssima com água azulíssima



O Burj al-Arab a brincar às escondidas



Não é só a água do mar com cores especiais



O Burj Khalifa com o lago. Parece cenário, não?



Construção em altura não é sinómino de sufoco – para além da água do lago, o Burj Khalifa ainda tem a companhia do verde das árvores



Tradição no pormenor do candeeiro, modernidade e tecnologia no prédio mais alto do mundo



Peixes, uma bóia, um túnel, uma senhora com véu. Será um aquário? Estamos mesmo dentro de água?

Dubai

Dubai é vida em grande, os edifícios mais altos do mundo, os melhores hotéis, os maiores centros comerciais com as melhores lojas do mundo. Infelizmente isso é apenas parte da história; para que tal seja possível, milhares de indianos, paquistaneses e filipinos, principalmente, têm de imigrar para lá sujeitando-se a condições más (mas ainda assim melhores do que nos seus países de origem), trabalhando de sol a sol – e o calor aqui não é brincadeira – sem possibilidade de deixar o país rumo à Europa ou EUA nos meses sufocantes de Junho, Julho e Agosto. Aqui vivem-se assim duas vidas e duas cidades completamente diferentes: a dos locais emirados, que lidam sobretudo com os negócios do petróleo, e a dos expatriados que foram e continuam a construir a cidade do século XXI.

Optámos por ficar umas noites num hotel boutique, como está agora na moda, e outras num hotel de uma cadeia internacional. O XVA fica no bairro Bastaquia, um quarteirão “museu”, perto de uma mesquita e junto ao Creek, onde os barcos fazem monotonamente a passagem de uma margem da cidade para a outra. Do outro lado fica a cidade mais antiga, Deira, dos prédios com uma altura decente, dos souks, do centro financeiro que agora se vai estendendo à medida que também a cidade se estende. Aqui, à semelhança do bairro Bastaquia e do Shindagha, encontramos outro dos poucos exemplares ainda sobreviventes da arquitectura original desta parte do Golfo. Aproveitando antigas escolas e antigas casas de senhores endinheirados dos tempos onde a actividade principal era a pesca da pérola, conseguimo-nos aperceber como era a disposição e alguma da decoração desses edifícios. O pátio não falta nunca, assim como não falta a torre característica em forma de quadrado e que parece ter espinhos. Como o calor é intenso, este desenho permite que o vento entre e circule, sendo depois distribuído para os andares inferiores. Se dá resultado ou não, não o sei, mas que visualmente estas torres são lindas, aí isso são.



Em Deira, do outro lado do Creek ficam os intermináveis souks e há-os para todos os gostos. No souk dos perfumes encontramos pequenas caixinhas a imitar tudo e mais alguma coisa com perfumes de diferentes odores lá dentro. Encontramos ainda um centro comercial / souk com ar condicionado com “n” lojas de perfumes de marcas como “doer”, “flamel”, “dulce gabarra”, já estou a inventar, que eram tantas, com nomes mais ridículos do que os outros, que devia ter apontado num caderninho para a posteridade. Aqui perto e junto à Mesquita fica um restaurante afegão onde para além das mesas podemo-nos sentar num chão com almofadas a comer com os pés à mesma altura das mãos, as quais servem para agarrar todo o tipo de alimentos, desde o pão ao arroz. Só se vêem homens, mas não nos incomodamos de partilhar o espaço com eles. O que ainda não conseguimos desta vez foi comer com as mãos algo mais do que o pão.

Vista Deira de dia e ao fim do dia, onde as suas cores e o bulício dos dhows, os barcos tradicionais, são um autêntico postal, passamo-nos a dedicar à parte oeste da cidade, para onde ela tem vindo a crescer parece que quase até ao infinito. Optámos, então, por um hotel com piscina, na esperança de a aproveitar – sem grande sucesso. Ficámos no mesmo bairro, o Bur Dubai, mas a distância suficiente para que não desse jeito nenhum andar a pé. Um dos problemas do Dubai é precisamente esse: a quase impossibilidade de se andar a pé, seja pelas distâncias loucas, seja pelo calor. O metro é uma hipótese, mas não cobre tudo, e o táxi é, por isso, rei: ainda para mais é baratíssimo.

De Deira até ao New Dubai, para lá ainda da Jebel Ali, são cerca de 30 kms sempre com algo atraente para ver ou fazer.

O Burj Khalifa (o nome é uma homenagem ao actual emir de Abu Dhabi) é actualmente o edifício mais alto do mundo. São 828 metros em altura que fazem dele não apenas uma obra monstruosa de arquitectura, mas também de engenharia, e demoramos mais de uma hora a dar a volta ao local.

Por aí fica ainda o Dubai Mall, o maior centro comercial do mundo. Lá dentro tem um aquário, um ringue de patinagem e muitas lojas, incluindo todas as melhores marcas do mundo, como não podia deixar de ser. No entanto, as minhas preferidas foram as de chocolates e doces, de um charme e elegância insuperáveis e, ainda para mais, com produtos deliciosos. Exemplos? É ver nos sites a Bateel (http://www.bateel.com) e a Patchi (http://www.patchi.com).

Cá fora do Mall e a circundá-lo, bem como ao Burj Khalifa, fica um lago artificial com um azul irreal e que também ele parece artificial. O que acontece é que também a água do mar tem esta cor e parece mentira. Mas aí, não há como negá-lo: é mesmo real. Aos fins de tarde, aqui neste lago existe um espectáculo coreográfico e musical na Dubai Fountain. São poucos minutos mas intensos, onde a maior dificuldade é arranjar um espaço no meio da multidão. Ultrapassado este passo, é relaxar e ver a água a jorrar do lago, como se os seus jactos quisessem alcançar o Burj Kalifa.

No Dubai temos praias públicas e praias privadas com um preço de entrada que pode sair apenas a um euro, como na praia Jumeirah Beach Park, com todas as condições como chapéus, bares, casas de banho e balneários, duches na areia e banquinhos com sombra. Mas a praia pública Jumeirah Open Beach, junto à Mesquita Jumeirah, não lhe fica muito atrás, com uma pista que a atravessa especialmente dedicada para a corrida e para as bicicletas.

Também perto de uma praia pública fica o icónico Burj al-Arab, provavelmente um dos edifícios mais bonitos do mundo e, talvez por isso, dos mais reconhecidos. A nós faz-nos ter quase a certeza de que a nossa Torre Vasco da Gama, na Expo, nele se inspirou.



Um pouco mais adiante fica o Madinat Jumeirah, mais um centro comercial, mas desta vez um bem diferente e, digamos, inspirador. Pretende recriar uma Veneza e não fosse os rapazes que conduzem os barcos não cantarem o “sole mio” e quase que o conseguia.

Uns quantos kms mais e chegamos aquela que é a maior loucura destes emires e sheiks. Da Palm Jumeirah temos uma percepção perfeita apenas do céu (ainda para mais a visibilidade na cidade nos dias em que lá estivemos foi miserável), mas mesmo chegando lá de táxi conseguimos apercebermo-nos da dimensão mirabolante deste projecto. Uma avenida imensa de cerca de 6 kms ladeada de prédios altíssimos, a que se seguem as famosas folhinhas da palmeira, tanto para a esquerda como para a direita, onde estão instaladas uma série de vilas com acesso directo para o mar, depois aparece-nos um túnel subterrâneo e submarítimo, enquanto acima da terra e do mar fica o famoso combóiozinho que também nos permite chegar ao destino final – o hotel Atlantis The Palm e o seu vizinho Aquaventure, um dos maiores atractivos da cidade.

Porque o Dubai é aventura, é difícil escapar a fazer uma qualquer actividade, seja sandboard no deserto, ski num centro comercial, patinagem no Dubai Mall, golf um pouco por todo o lado ou descer uns tobogãs.

A mana experimentou descer uma pseudo montanha dentro do Emirates Mall, no Ski Dubai, e as suas pistas não ficam a dever nada às da Serra da Estrela, com bares / esplanadas pelo caminho, cadeirinhas para transportar os desportistas, material incluído e frio mesmo a condizer.

As duas manas experimentaram o tal Aquaventure, carregadinho de locais e turistas. É um parque aquático com praia privativa e vista para toda a cidade. Não fosse a neblina carregada e veríamos claramente o Burj al-Arab e conseguiríamos apercebermo-nos dos detalhes da Palm Jumeirah. Quando à experiência de descer os escorregas direi que não deve haver nada de mais louco que se possa fazer por aqui do que descer um tubo de cerca de 27 metros, sempre recto em direcção ao fundo da piscina que nos espera, com toda a vista do New Dubai mesmo diante de nós. Infelizmente, este foi o relato da vista do Ziggurat que a mana me fez. Não que eu não tivesse esperado os mesmíssimos 40 minutos para descer o tobogã, não que não tivesse lidado com a mesma ansiedade de estar numa fila para uma queda a pique, não que não tivesse enviado o mesmíssimo berro para o céu quando me vi a cair para o vazio. Acontece que fui o caminho todo com os olhos bem fechados e bem agarradinha ao meu corpo, não fosse ele sair disparado ou corresse o risco de ser comido pelos tubarões que vagueavam no aquário mesmo ao lado do tubo subaquático por onde passamos – diz que foi assim, porque aqui ainda continuava com os olhos fechados.

O resto das atracções, por comparação, não são tão emocionantes, mas são muito divertidas, e há uma nova oportunidade num outro tobogã para se verem os ditos tubarões. E, por fim, a praia de água quentíssima ao final do dia, com as cores a mudarem e o por do sol nas nossas costas foi um deleite.

Estar na água é um dos poucos momentos agradáveis para, nos meses de Verão, se estar ao ar livre. Dai que a opção seja a construção de tantos centros comerciais e não nos reste outra solução se não frequentá-los. Há-os para todos os gostos, todos com algum interesse especial. Das pistas de ski no Emirates Mall já havia falado. Do aquário do Dubai Mall, idem. Mas, continuando a deixar as lojas de lado, que dizer do Ibn Battuta Mall que, em homenagem a este viajante árabe do século XIV, recria pelos seus corredores os espaços da China, da Pérsia e da índia?

Para contrariar este quase monopólio das áreas comerciais fechadas e com ar condicionado, existe o The Walk at JBR. A Jumeirah Beach Residence é uma autêntica cidade, no Dubai Marina, ainda com muito por construir, onde as altas torres residenciais estão todas bem organizadas e, no caminho inferior, ao nível do mar – do outro lado da rua – ficam as lojas e os restaurantes e esplanadas. Nesta altura do ano é penoso passear por elas, mas sem o calor extremo é difícil de perceber como não existem mais espaços destes.

No entanto, e para quem pense que o Dubai é só construção bruta e asfixiante, ai temos os vários parques para o contrariar. No primeiro dia já tínhamos dado uma olhadela ao Creekside Park e no último dia dedicamo-nos a um curto passeio pelo Za´abeel Park, uma ilha de verde mesmo junto à imensa e super movimentada Sheikh Zayed Rd. Para balanço final, o Dubai é isto mesmo, um poderoso contraste entre o tradicional e o moderno; entre o ambiente e o tecnológico; entre a contenção e a desmesura; entre os locais emirados e os expatriados. Dois Dubais para se viverem, haja oportunidade para isso.

Emirados Árabes Unidos

Os Emirados Árabes Unidos são 7: Abu Dhabi, Dubai, Sarjah, Ras el Jaima, Ajman, Fujaira e Um el Kaiwain, cada um com o seu rei. O país é o 6º do mundo no que às reservas de petróleo diz respeito e Abu Dhabi é a sua capital.

Como não anunciámos a muita gente que íamos para os Emirados, mais especificamente para o Dubai, também não recebemos muitas perguntas de estranheza. Mas à volta, o que domina é o “Para o Dubai? O que é que isso tem para ver? Não é só prédios?”

Ainda hoje não consigo responder muito bem. Mas o que consigo dizer é que sim, os prédios dominam, mas não, não é só prédios. Há mais qualquer coisa que fez com que tivesse adorado o que vi e vivi e deseje voltar daqui a uma década para ver e viver o que se lhe sucederá, como uma história ainda no começo para a qual se aguardam as cenas dos próximos capítulos.

Uma palavra descreve o Dubai e Abu Dhabi (menos Sarjah, o outro Emirado que visitamos): loucura, para não utilizar a tão estafada petrodólares.