5.º Dia Em Paris

No último dia em Paris, a manhã foi dedicada ao imenso Museu do Louvre. Como já se sabia que era impossível ver tudo – há mesmo quem afirme que seriam necessários 9 meses para ver cada obra de arte aqui presente – a opção tomada foi escolher apenas algumas áreas que suscitassem mais interesse. No caso, as pinturas, deixando para uma visita a correr a parte dedicada às esculturas e objectos de arte de várias civilizações ali guardadas.
O ponto alto para qualquer turista que se preze é a Gioconda, ou Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. No entanto, só os mais capazes ou expeditos a conseguem vislumbrar, tal é o mar de gente entre nós e a parede em que o famoso quadro está exposto. A ala do museu onde está este quadro mais parece uma estação de comboios em hora de ponta, com cidadãos apressados em chegar ao seu destino, sentados em qualquer lado, inclusivamente no chão se necessário fôr, à espera de cumprir o seu objectivo – abalroar o do lado para chegar primeiro. O resto do Museu até que se consegue ver em sossego, com algumas salas vazias para os padrões parisienses.

A entrada principal no Louvre é efectuada pela Grande Pirâmide, estrutura em vidro construída na década de 80 que, obviamente, gerou controvérsia. A sempre presente questão da introdução de elementos ditos modernos e, para alguns, dissonantes, em edifícios considerados intocáveis na história arquitectónica de um povo. Para mim, que não o conheci de outra forma, parece-me uma solução pacífica e bem conseguida.
Finda a jornada, o que retenho mais da cidade em que tinha estado por duas vezes no princípio e no fim dos anos 80, é a de uma cidade pejada de turistas, mas vivida pelos seus próprios habitantes. É um prazer ver a quantidade de pessoas, jovens ou não, sentadas às margens do Sena, de dia ou de noite, a ler um livro, pintar, conversar, cantar, conviver, o que seja. As esplanadas cheias. Os jardins como locais para se estar, inclusivé a “piquenicar”. Enfim, uma cidade que convive lindamente com os seus edifícios bem conservados e com o imenso espaço público que oferece.

4.º Dia Em Paris

La Défense.
Em Paris, mas não no centro, finalmente um lugar onde não existem montanhas de turistas. La Défense é o local onde se encontram concentrados os arranha-céus de Paris. É como que um bairro criado de propósito para os acolher, criado no fim da década de 50, como palco para desenvolver ambiciosos projectos de engenharia civil. Os edifícios aqui situados contemplam habitação, escritórios, comércio, e o espaço público procura servi-los. E funciona como um jardim de arte contemporânea, onde se vão encontrando peças de escultura, murais e lagos que se pretendem monumentais. Gostei muito. Noutra escala, fez-me lembrar o Parque das Nações, do qual sou igualmente fã.

O edifício mais reconhecido em La Défense é o denominado Grande Arche de la Défense. Está implantado de forma a que represente uma continuação em linha recta dos Champs-Élysées, Arco do Triunfo e da Av. Charles de Gaulle até desembocar na Esplanade de la Défense. Esta obra, do arquitecto dinamarquês Johan-Otto von Spreckelsen e inaugurada em 1989, pretende simbolizar uma janela aberta ao mundo.
De volta ao centro de Paris, para a subida à Torre Eiffel, o reencontro com as multidões. Para a subida pelo elevador, filas e, consequentemente, esperas intermináveis. A opção recaíu pelas escadas, à la pata. É um daqueles postais que se tem mesmo de “comprar”, ou não estivesse a Torre Eiffel ali sempre à espreita em qualquer canto de Paris.
Depois do almoço, a primeira oportunidade da viagem para sentar e relaxar um pouquinho. Parece de facto imperdoável que numa cidade como Paris, dita a mais romântica, com o Sena, com as suas esplanadas, com os seus jardins, não se guarde tempo para, simplesmente, se estar. Pois é, antes tarde do que nunca, a escolha foi o Jardin des Tuileries. Com o calor abrasador, cerca de 28 graus, na hora da sesta e com aquelas cadeirinhas reclinadas no meio do jardim… o resultado só podia mesmo ser uma soneca.
Depois da dita, atravessa-se o Sena a fim de visitar o Museu D´Orsay, instalado numa antiga estação de comboios, brilhantemente adaptada para receber as obras – pinturas, esculturas e outros objectos de arte – criadas entre 1840 e 1914.
No retorno à margem direita do Sena, tempo ainda para assistir ao começo do pôr do sol visto atráves da Pirâmide do Louvre. Amanhã será o último dia em Paris, ou melhor a última manhã, dedicada em exclusivo a este museu.

3.º Dia Em Paris

Até aqui já deu para ficar com duas impressões, negativas, da cidade.
Uma inesperada: o trânsito louco, não no sentido de longos engarrafamentos (continuo sem saber se existem), mas antes do fraco respeito pelos peões. Confesso que esperava outra atitude por parte dos automobilistas franceses que não a de pura e simplesmente ignorarem e desviarem, in-extremis, das pessoas quando estas já estão na passadeira. Conclusão: em Itália já sabia que era mau, em Portugal fiquei a saber que não é assim tão mau. Dúvida: afinal os franceses não eram os maiores em termos de civismo?
A impressão negativa mas esperada é, obviamente, a quantidade de turistas que se encontram em Paris, principalmente hordas de americanos à procura do tal berço do civismo e cultura.
Daqui decorre que os museus tenham de ser vistos aos encontrões aos colegas de turismo, com súplicas para que se desviem um pouquinho das obras que pretendemos observar em privacidade – eu e Picasso, mais ninguém.
Antes, porém, a manhã havia sido passada nas ilhas, nomeadamente na Ile De La Cité, onde se encontram as imperdíveis Ste-Chapelle e a Catedral de Notre Dame.
A Ste Chapelle, considerada uma obra-prima da arquitectura ocidental, com imensos vitrais coloridos que em dias de sol permitem que os raios penetrem incrivelmente no seu interior, não tinha assim tanta gente que impossibilitasse aos visitantes sentar e contemplá-la. Talvez por o seu acesso ter de ser feito através da entrada no Palácio da Justiça e isso possa afugentar algumas alminhas.
Pelo contrário, uma visita à Notre Dame não permite aos crentes, ou não crentes, qualquer espécie de reflexão espiritual, tal é o corrupio de gente à volta. Para a subida às suas torres (a pé, por uma série de degraus) foi necessária uma espera de cerca de uma hora. Deu para tudo, inclusivamente para saber que 2 australianas se encontram num passeio pela Europa durante 8 meses e uma das próximas paragens será Portugal. Nada mau. Mas como é que fazem com as roupas? E os recuerdos que vão comprando? E as saudades? Mas que complicação!
A vista das torres da Notre Dame vale bem a espera e o desgaste físico. Ainda que não se vislumbre grande beleza natural, é verdadeiramente impressionante a imagem de pássaro com que se fica dos grandes boulevards que desde séculos foram sendo abertos pela cidade.
Da vista impera, tal como já acontecia da Sacré Couer e se verá mais tarde da Torre Eiffel, para além destes dois, o omnipresente Rio Sena – elmento natural que vai recortando a paisagem –, o Centro Pompidou – destaque colorido da paisagem –, os arranha-céus de La Defense e, por último e desta vez o pior, a torre erigida nos anos 70 em Montparnasse para competir em altura com a de Eiffel.

Depois de uma saborosa refeição de escargots, segue-se para o Quartier Latin, com um ambiente universitário, ou não estivesse aí localizada a Sorbonne, povoado de cafés, restaurantes, livrarias. Vida, muita vida, tal como verei mais tarde em Marais.
Ainda naquele bairro, o Instituto do Mundo Arábe procura aproximar o mundo islâmico do mundo ocidental, promovendo a cultura do primeiro. Numa visita breve, como foi o caso, o que fica na memória, porém, é a arquitectura do edifício, obra de Jean Nouvel, nomeadamente as suas paredes de vidro criadas sob um tal efeito que nos dá a imagem das janelas arabescas.
Para terminar o dia, uma ida ao Centro Pompidou, um mundo da cultura de arte moderna. Infeliz ou felizmente, um dos pisos do museu estava fechado. A fadiga talvez não suportasse tanta informação. Mas ainda permitiu concluir o sucesso do Centro junto dos cidadãos, quer pela vasta oferta cultural dentro das suas portas, quer pelo ambiente que se vivia ao seu redor, com músicos e animação de rua, grupos de amigos ou, simplesmente, pessoas sozinhas a relaxar face ao colorido dos tubos do Pompidou.

2.º Dia Em Paris

Depois do primeiro dia sempre a andar, com uma pausa ao final da tarde e noite para pedalar, até que as pernas no segundo dia estavam relativamente seguras. Normalmente estas coisas pagam-se a partir do terceiro dia.
De Pigalle até à Sacré Couer não é uma distância grande, a questão é que é sempre a subir. Montmartre, bairro boémio que nos finais do Século XIX e princípios do Século XX atraia um sem número de escritores, poetas e artistas, entre os quais Picasso, perdeu entretanto esse estatuto de loucura nocturna, de cabarés e bordéis. Neste Butte vive-se hoje um ambiente mais pacato, com ruas estreitas de casas bem conservadas (uma constante na grande Paris) e praças a marcar a subida. A principal é a Place du Tertre, com esplanadas e quase que com um retratista e pintor para cada turista. Aqui pertinho fica o Espaço Salvador Dali, com algumas esculturas do mestre do surrealismo, bem como ilustrações que fez para algumas obras literárias. Ah! Aqui pode também observar-se o estranho mas famoso sofá em forma de lábios, de sua criação.

O difícil em Paris é fazer-se uma triagem dos inúmeros museus e espaços culturais a visitar.
Dois passos mais e chega-se enfim à Sacré Couer, uma das vistas mais bonitas de Paris. Pena é o ambiente de Igreja de Nossa Senhora do Bonfim, com dezenas de rapazes a tentar impingir aos turistas uns fios que, sinceramente, não sei o significado, pois consegui escapar bravamente às suas insistências.
Para a tarde, e depois da passagem pela zona des Invalides e visita ao Museu Rodin, uma ida a Roland Garros. Afinal, Maio é o mês do maior torneio do mundo em terra batida, o mais importante Grand Slam do Ténis, a par de Wimbledon (para mais informação sobre esta matéria sugere-se uma visita ao blogue das lamentações desportivas).

Paris Em 5 Jours

Gosto de viajar.
Em muitos países não é estranho que uma pessoa trabalhe durante um período com o objectivo exclusivo de amealhar o dinheito suficiente para viajar durante uns tempos.
Nunca o fiz, duvido que isso fosse bem visto pela minha mãezinha e duvido mais ainda que conseguisse arranjar com tanta facilidade assim uns trabalhos flexíveis e moderadamente remunerados que permitissem essa forma de vida. Mas, mais do que tudo, não tenho esse objectivo. O meu objectivo era mesmo viajar quando me dessem ganas para isso, sem depender de dinheiros ou trabalhos.
Vem esta conversa a propósito de que, não tendo ainda conseguido os meus intentos, dou-me por contente de ter apenas 5 dias para visitar uma cidade.
No caso, Paris.
O 1.º Dia:
O local de poiso escolhido foi Pigalle, reputado antro de indecência, com cabarets, live-sex-shows, sex-shops e, mesmo ao lado do hotel, um sexodrômo. Pelos vistos, a Paris da folie já não é o que era, pois o que se vê na rua nessa zona são apenas os bandos de turistas à porta do Moulin Rouge a tirar fotos sem parar, manas incluídas, como é óbvio.
Dadas as limitações de tempo, o programa de festas é andar de manhã à noite a pé, na tentativa de se conhecer o mais possível dos recantos e encantos da cidade. Assim, e para condicionar fisicamente logo o resto da jornada, no primeiro dia foram feitos a pé os quilómetros necessários para se ir de Montmartre até à Torre Eiffel, passando pelas inevitáveis Galerias Lafayette e pela Praça Vendóme, onde nos juntamos aos japoneses com os olhos em bico pela profusão de marcas de alta costura. Estão todas aqui, bem como na Avenida Montaigne. Depois, seguiu-se pelos Champs Élysées acima. Descubro que à Cartier prefiro os relógios com a marca da Quiksilver. A propósito, porque é que Paris, que não tem mar, tem uma loja da melhor marca de acessórios de surf e Lisboa não? Adiante, outra irreflexão: prestes a chegar ao Arco do Triunfo, um caramelo pavoneia-se com a camisola do Benfica. Caramba! Eu que me tinha pirado de Portugal para não ter que aturar estes tipos. Mas, pensando bem, quem me mandou escolher a cidade fora de Portugal com mais portugueses?
Para acabar a tarde, a escolha recaiu num passeio de bicicleta pelos boulevards, avenidas, ruas e praças de Paris que terminaria com um passeio de barco nocturno pelo Sena. Em duas rodas, num só passeio, uma visão geral da cidade, a ser descoberta mais aprofundadamente nos próximos dias.