I still love you, New York

Deixo mais esta letra da música “New York, New York” de Ryan Adams, do albúm “Gold”, de 2001. O lançamento do albúm e deste single coincidiu com os atentados de Setembro de 2001 e tornou-se como que um hino da resistência da cidade, ainda que não seja sobre a ela, mas antes sobre uma míuda.

“New York, New York”
Well, I shuffled through the city on the 4th of July
I had a firecracker waiting to blow
Breakin’ like a rocket who makin’ its way
To the cities of Mexico
Lived in an apartment out on Avenue A
I had a tar-hut on the corner of 10th
Had myself a lover who was finer than gold
But I’ve broken up and busted up since

And love don’t play any games with me
Anymore like she did before
The world won’t wait, so I better shake
That thing right out there through the door
Hell, I still love you, New York

Found myself a picture that would fit in the folds
Of my wallet and it stayed pretty good
Still amazed I didn’t lose it on the roof of the place
When I was drunk and I was thinking of you
Every day the children they were singing their tune
Out on the streets and you could hear from inside
Used to take the subway up to Houston and 3rd
I would wait for you and I’d try to hide

And love won’t play any games with me
Anymore if you don’t want it to
The world won’t wait and I watched you shake
But honey, I don’t blame you
Hell, I still love you, New York
Hell, I still love you, New York
New York

I remember Christmas in the blistering cold
In a church on the upper west side
Babe, I stood their singing, I was holding your arm
You were holding my trust like a child
Found a lot of trouble out on Avenue B
But I tried to keep the overhead low
Farewell to the city and the love of my life
At least we left before we had to go

And love won’t play any games with you
Anymore if you want ‘em to
So we better shake this old thing out the door
I’ll always be thinkin’ of you
I’ll always love you though New York
I’ll always love you though New York, New York, New York

Manhatã visto por Cazuza

NY acolhe cidadãos vindos de todos os cantos do mundo e, como afirmei em post anterior, estima-se que 32% da sua população tenha mesmo nascido fora dos EUA.
Daí a dificuldade em caracterizar-se NY e os seus residentes sem se recorrer às palavras cosmopolitanismo e respeito pela diferença.
Aqui se buscará o verdadeiro estilo de vida nova-iorquino, que rapidamente se cola a quem lá chega, seja turista ou emigrante, legal ou ilegal.
Deixo aqui a letra da música “Manhatã”, de Cazuza, o meu brasileiro preferido que, em certas fases da sua vida, escolheu e viu-se obrigado a viver uns tempos em NY.

“Manhatã”
Cheguei aqui num pé de vento
Já tenho carro e apartamento
Sou brasileiro mandigueiro
Tô aqui pelo dinheiro
Virei chicano, índio americano
Blusão de couro, os States são meus

Agora eu vivo no dentista
Como um bom capitalista
Só tenho visto de turista
Mas sou tratado como artista
E até garçon me chama de sir
Oh! Baby, baby, só vendo pra crer

Eu andando pela neve
Em pleno Central Park
Com as estrelas do cinema
Faço cenas no metrô
Com meus tênis All Star
Deixando as louras loucas
Com meu latin style
Não sou mais paraíba
Sou South American
Aqui em Manhatã
Aqui em Manhatã

E quando a saudade aumenta
Descolo um feijão com pimenta
E um Hollywood no chinês
Lá na Rua 46
Virei chicano, índio americano
Blusão de couro, os States são meus

Eu fumando um baseado
Em frente a um policial
Aqui tudo é tão liberal
Vou xingando em português
Depois, gasto o meu inglês
Deixando as louras loucas
Com meu baticulelê
Não sou mais paraíba
Sou South American
Aqui em Manhatã
Aqui em Manhatã »

Lembrando NY

Do que já tenho saudades:
Pensando em NY já há distância de uns (poucos) meses, invejo-lhe todos aqueles museus – os que visitei, os que sonhei visitar e aqueles que nem sonho que existem.
Invejo-lhe também algo que me levaria certamente à bancarrota – as montanhas de restaurantes asiáticos que me põe os olhos em bico. Não só os japoneses e chineses, mas também os indianos, tailandeses, vietnamitas, coreanos, etc.

O que faltou fazer:
Quase tudo.
6 dias em NY não chegam para conhecer apenas Manhattan, quanto mais pensar em ir a Brooklyn, Queens ou Bronx. Não chegaram sequer para deambular pelos Upper Sides. Se não fosse a viagem de avião cheia de horas intermináveis para se ultrapassar (e o síndrome da classe económica a evitar) diria que voltaria a NY num instante para tentar conhecer parte do muito que me faltou.

NY – Encontro no Ray´s Pizza

O improvável acontece a cada esquina. No caso, numa pizzaria meio ranhosa na Houston St, deixando a Lower East Side a caminho da East Village. A pizzaria aqui em presença é a Ray´s Pizza, tipo de lanchonete que se encontra em quase cada esquina de NY (excepto nos bairros chiques).
Esta fica perto da Alphabet City, que inclui as Avenidas A, B, C e D, que alguém também designou por Assault, Battery, Crime e Drugs, mas que agora está mais para Attitude, Beautiful People, Costly e Dining Destination.
Comentávamos nós o aspecto dos azulejos da dita lanchonete, discutindo se passariam numa vistoria de um qualquer departamento de higiene de uma qualquer câmara municipal portuguesa, e decidíamos se havíamos de experimentar a sua casa de banho quando entra nem mais nem menos do que William Hurt.
Será, não será? Era.
As fatias de pizza são muito democráticas, e qualquer filho de Deus tem direito a elas. Mesmo que Filhos de um Deus Menor.

NY – Apple

A Apple aqui em título é, passe a publicidade, a da marca de tecnologia informática.
Não ligo nem nunca liguei ao Macintosh. Quando a minha mana me falou do novo brinquedo que lia mp3 com um display todo fashion também não liguei nenhuma. Quando reparei que a grande maioria dos nova-iorquinos usava um adereço à cintura, ao braço, no bolso ou onde fosse, acompanhado de fones nos ouvidos, comecei por prestar atenção às palavras da mana. Quando entrei na loja da Apple no Soho, tipo test-drive dos seus produtos, e vi o IPOD Nano, imensamente mínimo e fino, fiquei irremediavelmente conquistada. Eis mais uma cliente.
Atenção, no entanto: a publicidade aqui não engana. O Naníssimo perde-se mesmo no bolso e esquecemo-nos de onde vêm aquelas mais de 1000 músicas que não param de tocar no nosso ouvido.

NY – Chicago na Broadway

Uma ida a um dos teatros da Broadway é, igualmente, obrigatória.
Mais uma vez, com tantas peças em cartaz, o mais difícil é escolher a qual assistir (o teatro não é decisivo, antes a peça).
Desde o Fantasma da Ópera, já no seu 17.º ano em cartaz, passando pelo Rei Leão, Mamma Mia!, A Bela e o Monstro até Chicago. Em Setembro encontrava-se também em exibição o Lennon, musical sobre a vida de John Lennon, amplamente mal recebido pela crítica.
A minha escolha pelo Chicago deveu-se única e exclusivamente ao facto de este se encontrar na altura a ser estrelado por Brooke Shields, no papel de Roxie.
A ex-namoradinha da América, que fez 40 anos este ano, está em forma depois da vida algo atribulada e das depressões que sofreu. Deixou a Lagoa Azul e o Amor Infinito e resolveu aventurar-se no musical Chicago em Londres. Depois veio para a sua NY. Não faço ideia qual a posição dos críticos mas eu gostei.
O espectáculo em si não tem muitos adereços e, para quem viu o filme, a história é conhecida. Mas tem ritmo e entretém o suficiente para que, acabando a noite, o desejo de voltar e ver outro espectáculo seja grande.
Os preços não são muito baratos (no caso 60 euros por um lugar apertado lá para as últimas filas). No entanto, para bilhetes de última hora para o próprio dia vale a pena tentar os quiosques da TKTS na Times Square, com preços que podem ir até 50% menos.
À hora de saída do musical, que coincide com a saída dos outros shows, quer da “Broadway” quer da “Off-Broadway” (peças em teatros mais pequenos, muitos de teatro experimental), o espectáculo passa para as ruas da cidade. O movimento pela Times Square é imenso. Os táxis não param de passar e as luzes dos néons das publicidades a tudo o que é produto não param de brilhar.
E confirma-se: NY nunca dorme.

NY – O Jazz de Vanguarda

Como confessei no post anterior, o jazz não é o meu forte. Não consigo enumerar mais do que 4 ou 5 grandes nomes do jazz clássico e, se passarmos para os grandes nomes do jazz de hoje, não me lembro de mais ninguém senão do Woody Allen (missão cumprida: estava a ver que escrevia não sei quantas linhas sobre NY e não conseguia falar qualquer coisa do Woody).
Apesar de não ser conhecedora de jazz, gosto de o ouvir, principalmente num bar. Aliás, a minha primeira saída à noite fora de Portugal foi a um bar de jazz nos arredores de Paris, há tempo suficiente para nem sequer me lembrar em que bairro isso aconteceu.
Em NY, uma ida a um clube de jazz é essencial. O difícil é escolher a qual. No Harlem existem uns quantos da velha escola, mas é na West Village que se encontram a maior parte dos clubes de jazz.
Provavelmente, o mais famoso é o Blue Note.
Porém, o facto de ter lido que, também provavelmente, o de maior prestígio era o Village Vanguard, levou-me para este lado. Neste clube, aberto desde os anos 30´, tocaram os maiores nomes do jazz. Numa sala cheia e intimista – até demais, com os meus joelhos e cotovelos a tocarem-se com os do vizinho do lado – assisti a um show de jazz como nunca pensei existir. O trio que se apresentou era composto por Joe Lovano (saxofone), Bill Frisell (guitarra) e Paul Motian (bateria).
Sei hoje que cada um destes nomes é dos mais importantes na sua especialidade. E sei também que o jazz pode meter bateria. E que da mistura de todos estes instrumentos pode resultar um som muito à frente. Realmente de vanguarda.
Boa escolha. A repetir numa próxima ida a NY.