Palácio Nacional de Sintra


O Palácio da Vila destaca-se da paisagem de Sintra. 
Aquela arquitectura exótica e rebelde, de um branco intenso com frisos amarelos no meio da verde vegetação, é um ícone por si só. O par de chaminés indicando o céu muito contribui para isso, mas uma visita para além do postal exterior é obrigatória. 


Antigo Paço Real, há mais de um milénio que conhecemos referência ao local. No século X terá sido um alcácer que com a conquista de Lisboa aos mouros por D. Afonso Henriques, em 1147, acabou por ser tomado pela coroa. Depois daí, diversas alterações e remodelações tem sofrido este Paço, designado por D. João V como “formoso palácio dos reis antigos”.


Na sua fachada, e como referido, destacam-se as duas chaminés cónicas, com 33 metros de altura. Quando entramos no Palácio percebemos que correspondem à cozinha. O seu formato é original e raramente visto na nossa paisagem. 


Mas da fachada destaca-se ainda um elemento muito diferente destes cones brancos, mas mais presente na nossa arquitectura. Falo das janelas manuelinas. A delicadeza colocada na decoração destas janelas é evidente.

Assim como evidente a um primeiríssimo olhar é a diversidade de estilos que por aqui gravitam: manuelino, gótico, renascentista, romântico e mudéjar. 




Vindo este Paço do período do domínio islâmico na Península Ibérica, as suas influências na arquitectura do lugar são enormes e visíveis em aspectos como os pátios, jardins, fontes e lagos e na decoração de revestimento azulejar, nomeadamente nas suas formas geométricas. São muitos os espaços interiores idílicos e bucólicos, prontos a receber o retirante e o melancólico que se irá distrair apenas com a beleza do sítio e com o som da água a correr. 



Num dos pátios encontramos a azul Gruta dos Banhos (com os seus frescos com azulejos e estuques do séc XVIII) e um pilar com umas meninas a sustentar o escudo de Portugal.


As edificações foram erigidas à volta destes pátios e jardins e as salas do Palácio não são menos artísticas, quer no trabalho dos seus tectos quer no mobiliário que acolhem.


Três destaques absolutos:


A Sala dos Cisnes é a maior sala. Ela foi testemunha das recepções e banquetes que ao longo dos tempos tiveram lugar no Palácio Real. O seu nome deve-se à pintura do tecto.


Tecto mais soberbo do que este só encontramos na Sala dos Brasões, a mais importante sala heráldica da Europa. As armas reais portuguesas dominam o centro do tecto, envolvido pelos brasões dos oito filhos de D. Manuel, mais os brasões das 72 famílias nobres com mais influência no reino. O deslumbre e a riqueza da decoração não se fica apenas pelo tecto desta sala. A acompanhar a representação dos brasões temos ainda uns painéis de azulejos com cenas de caça e do campo.


Por fim, a Capela Palatina. Mais uma surpresa. Com tecto de madeira e pavimento em cerâmica, este é um dos exemplos mais antigos de arte mudéjar no nosso país. Datado do século XIV, este espaço é mais um exemplo do harmonioso convívio dos estilos artísticos representados em todo o Palácio. 

A vila de Sintra já é acolhedora por si só. No entanto, num fim de dia nublado e chuvoso é uma boa aposta a visita a este Palácio. Por quase todos os espaços percorridos parece existir um ponto de vista que deita para a vila e para o movimento e paisagem que corre aqui fora. 



O Tritão da Pena

O Palácio da Pena é o maior exemplo arquitectónico do romantismo em Portugal. 
Responsabilidade de D. Fernando II, o Rei Artista, rei consorte então casado com D. Maria II, ele próprio acompanhou e conduziu de perto as obras do projecto a cargo do Barão Von Eschwege, levadas a cabo entre 1840 e 1854.
Construído no lugar de um antigo convento de frades Jerónimos do princípio do século XVI – os quais haviam já tido a bela ideia de escolher o topo de um dos montes mais altos na Serra de Sintra para seu refúgio – poucos lugares mais inspiradores e cénicos haverá. 
D. Fernando II, primo da Rainha Vitória de Inglaterra, homem culto e elegante, deixou-se levar ainda mais pelo ambiente da Pena e aqui deu sequência à sua carreira artística, sobretudo dedicada à gravura e à pintura sobre cerâmica, em peças fornecidas pelas oficinas das Caldas da Rainha e pela Fábrica de Sacavém, com temática que vai desde a vida familiar, passa pela representação da vida animal, em especial os cavalos, e não deixa de se debruçar sobre os costumes, mitos e heróis das tradições populares portuguesas.

Por ocasião do bicentenário do seu nascimento (1816-2016) está neste momento patente no Palácio da Pena uma exposição com objectos de arte de sua criação.

A arquitectura do Palácio da Pena tem muito para surpreender e deliciar. Projecto revivalista, neste palácio inspirado nos seus congéneres alemães encontramos em plena harmonia estilos tão diversos como o manuelino, gótico, renascentista, mourisco e até elementos indianos.
Poderia lembrar uma das suas várias salas, como o atelier de pintura do rei D. Carlos, e seu mobiliário; ou a capela parte original do antigo convento; uma das suas guaritas ou a espécie de minarete com cúpula mourisca; as suas inúmeras torres – circulares, semicirculares ou quadradas – ou tão só a sua torre com o relógio de sol; os miradouros como o terraço da rainha ou o caminho da ronda ou qualquer outro ponto de vista complemente aberto ao mundo; o seu harmonioso Claustro manuelino ou a profusão de azulejos que revestem inúmeras partes do Palácio. 
Entre todos estes, muitos pormenores há para absorver. 

Todavia, escolho antes lembrar a obra-prima que constitui o Pórtico do Tritão.


Sintra, terra de lendas, é lugar mais do que adequado para que a pretexto de arquitectura e seus elementos decorativos se possa expressar mais uma lenda. Diz-se que o Tritão, monstro mitológico meio peixe, meio homem, costumava visitar as águas que bordejam as terras de Sintra, as quais se avistam do alto da Pena. Talvez também por isso tenha sido escolhido para adornar o Palácio. 
Este Pórtico do Tritão continua a constituir um enigma e muitas teorias têm sido lançadas à volta do seu significado concreto. 
Sem romancear, e numa olhada apressada, podíamos dizer apenas que há para ali um monstro que suporta uma janela. Mas assim não teria tanto encanto.
Diz-se que esta é uma alegoria da criação do mundo. E que D. Fernando II, amante de lendas e da cultura portuguesa, o projectou ele próprio e terá ido buscar este Tritão baseando-se em duas tradições literárias nacionais – uma à obra de Damião de Góis (que fala de um Tritão a cantar com uma concha numa praia de Colares), outra aos Lusíadas de Camões (que fala num Tritão que lembra o da Pena).
O Pórtico é constituído por um arco, que media duas torres com cúpula mourisca, com decoração em relevo a fazer lembrar corais. Logo acima encontramos três conchas, com o Tritão sentado na maior delas. Da cabeça deste homem barbudo saem cabelos que se transfiguram num tronco donde emergem parras de videira. Este é um mundo terrestre, pleno de elementos vegetalistas, por contraposição aos elementos marinhos que encontramos na parte inferior do Pórtico, os quais representam o mundo aquático. 
Dois mundos distintos, pois – tal como a Pena parece todo um outro mundo.

Da Vila Sassetti ao Palácio da Pena

A proposta é seguir caminhando desde a vila de Sintra até ao Palácio da Pena pelo novo percurso que a Parques de Sintra – Monte da Lua (empresa pública que ali gere diversos monumentos) estreou em Setembro de 2015.
Em 2011 a Parques adquiriu à Câmara Municipal de Sintra a Vila Sassetti já com o propósito de criar um caminho pedonal alternativo à rampa em alcatrão da Pena. O interior do edifício principal da Vila Sassetti continua em restauro e remodelação, mas o seu exterior e os seus jardins aqui estão, prontos a ser desfrutados por todos nós.


O percurso tem início na entrada da Vila Sassetti, junto ao Parque das Merendas, numa cota mais elevada face ao centro histórico da vila. Logo no muro de entrada encontramos a designação “Quinta da Amizade”, nome pelo qual era também conhecido o espaço, tomado em alusão ao Penedo da Amizade que se ergue sobranceiro à Vila. 

Encontramo-nos na encosta oeste do Castelo dos Mouros e até lá iremos subir a bom subir. São cerca de dois quilómetros até ao Castelo e Parque da Pena e dois quilómetros e meio até ao Palácio da Pena. O piso é relativamente estável (com chuva pode ficar escorregadio devido ao musgo criado pela humidade) e acessível para qualquer pessoa. Como é sempre a subir torna-se, no entanto, desgastante para quem possa não estar habituado a caminhar. Qualquer coisa como 45 minutos a 1 hora a dar às pernas caso consigamos abstrair-nos de tudo e não parar. O que se revela francamente impossível, pois embora a abstracção e a distracção do mundo real seja fácil por aqui, será muito difícil não parar para apreciar qualquer elemento da natureza que nos rodeia. 


Desde logo, na primeira subida na Vila Sassetti os fios de água que correm sobre as pedras sucedem-se. A serenidade é evidente e o escutar da água a escorrer por ali abaixo apazigua. Vêem-se plantas e vêem-se flores. Castanheiros, carvalhos e camélias, mas também plantas exóticas como plantas nativas do Chile ou da Austrália.


Antes de chegarmos ao pátio de entrada do edifício principal da Vila Sassetti deparamo-nos com um banco circular com um trono no meio, para não nos esquecermos que esta é terra de príncipes e contos de fadas.

A Vila Sassetti foi criada para constituir um refúgio de veraneio de Victor Carlos Sassetti, proprietário de hotéis de luxo (entre os quais o então famoso Branganza, em Lisboa). Em 1890 surgiu este projecto, uma parceria entre Sassetti e o arquitecto Luigi Manini (autor da vizinha Regaleira e do Palácio do Buçaco), inspirados nos castelos da Lombardia, em Itália, terra natal de Manini e da família Sassetti. 



O edifício principal da Vila é de arquitectura residencial revivalista de estilo romântico, onde a sua integração harmoniosa com a natureza é plenamente alcançada. Mais, este edifício distinto deixa-se envolver pelos marcantes elementos naturais que o rodeiam, como a vegetação e as rochas da Serra de Sintra, e fá-lo de uma forma brilhante e absolutamente natural. A sua fachada é distinta e característica, sobressaindo o seu elegante torreão. Utilizando o granito da Serra de Sintra e decorado com faixas de terracota, com cuidado trabalho em material cerâmico nos frisos dos torreões, nas chaminés, nas colunas e na envolvência das janelas, com destaque para o balcão em arco com janelas geminadas, descobrimos ainda neste edifício o seu apelativo telhado mouriscado mas claramente identificado com o estilo português. Muitas influências, já se vê. Do pequeno pátio com fonte no meio apercebemo-nos ainda do painel de azulejos a encimar a porta de entrada do chalet.




Um dos anexos da Vila foi transformado em instalações sanitárias e a curiosidade pode e deve levar-nos a espreitar para lá das suas portas e empoleirar-nos na pedra majestática onde está encostado para ganharmos uma vista fabulosa.

Deve esclarecer-se, todavia, que a maior parte da área da Vila Sassetti não é edificado, antes jardim. Ou seja, antes mesmo de sairmos do portão da Vila e subirmos mais um pouco já estamos totalmente envolvidos pela natureza, deixando de ver o Palácio da Vila, de um lado, e a Quinta da Regaleira, do outro. Vegetação e pedra, ora luz ora sombra, é o que temos e continuaremos a ter depois de sairmos da Vila Sassetti. 


Prosseguindo na viagem, percorremos agora um estreito caminho que nos levará ao sopé do Penedo da Amizade, local privilegiado na Serra de Sintra para a prática da escalada. O Castelo dos Mouros fica mesmo ali por cima. Esta é a parte mais difícil do percurso, mas agradável pela natureza que persiste em rodear-nos.



O fim deste percurso deixa-nos num ponto elevado donde obtemos mais uma vista deliciosa. 
Estamos já à porta do Parque da Pena e uma dúvida assalta-nos: seguimos para a entrada pelos Lagos, para a direita, ou para a entrada principal, para a esquerda? Por uma vez, guino à direita e não me arrependo.




Não me lembro desta paisagem, o Vale dos Lagos onde seis lagos se sucedem. O maior deles possui uma espécie de ilha com castelinho perdida nas suas águas. O tempo não está bonito mas a paisagem exuberante e verdejante tudo compensa. Temos direito até a reflexos irreais na água dos lagos.





Antes de nos dirigirmos para o Palácio da Pena é uma boa ideia optar por uma curta caminhada, cerca de 20 minutos, até ao Chalet da Condessa d’ Edla. Passamos pela Abegoaria – as Cavalariças – e seu edifício de arquitectura rural com fontanário com escultura de uma carranca em bronze, pelas estufas, a ponte-pérgola e a mimosa Casa do Jardineiro, esta última com pormenores decorativos em cortiça que encontraremos em grande escala uns poucos minutos depois no Chalet.




O Chalet da Condessa d’ Edla foi construído entre 1864 e 1869 por D. Fernando II e pela sua segunda mulher, precisamente a Condessa d’ Edla, de seu nome verdadeiro Elise Hensler. Amantes da música – Elise era cantora – e das artes em geral – o Rei D. Fernando II ficou na história com o cognome de “Rei Artista” – o casal decidiu criar num lugar mais isolado do Parque da Pena um autêntico refúgio no meio da natureza. Os princípios do romantismo estavam cá quase todos e a arquitectura do Chalet mais não fez do que complementar e requintar o cenário. De inspiração alpina, esta casa de veraneio possui uma decoração pouco vista em Portugal. Certo que a cortiça utilizada na decoração do revestimento das portas e janelas na fachada é material português, mas será raro depararmo-nos por cá com uma casa em alvenaria coberta com pintura a imitar pedaços de tábuas para se parecer a uma casa de madeira. A forma do telhado também é uma surpresa para o nosso olhar. 



Mas não só o elemento arquitectónico merece a visita ao espaço designado Chalet da Condessa d’ Edla. A natureza que o envolve, mais uma vez feita de vegetação e pedras, é luxuriante. 
As maciças pedras vizinhas ao Chalet são uma atracção por si só. Poderosas e elegantes, vale a pena adentrá-las e descobrir caminhos por entre as pedras dispostas de forma encantadora, muitas das vezes formando passagens e recantos.



De volta ao Vale dos Lagos, a paisagem natural ganha ainda mais força e é fácil perdermo-nos na vegetação intensa. Mais surpreendente ainda, no caminho podemos testemunhar a aliança entre a natureza e a arte contemporânea. Sim, espalhadas pelo Parque da Pena encontramos algumas instalações de artistas portugueses, como esta de Gabriela Albergaria – é um tornado?, não, é uma obra de arte 🙂 


E para nos mantermos no totalmente diferente, eis agora a Fonte dos Passarinhos. A surpresa continua e agora tem o condão de nos deleitar. Este pequeno mas poderoso edifício é um pavilhão decorativo de estilo islâmico, ao qual não falta sequer uma cúpula esférica com inscrição em árabe e encimada pelo crescente lunar. Construído em 1853, para além da sua arquitectura o pavilhão possui ainda como influências islâmicas a profusão de azulejos que o revestem e o som da água a correr audível no seu interior, marca esta comum também ao romantismo.



Na envolvência deste pavilhão encontramos elementos tão diversos como um jardim das camélias, uma capela manuelina ou um tanque dos frades que abastecia as hortas e muitos, muitos caminhos que serpenteiam por entre o arvoredo.


Mais adiante, o Lago da Concha, mais um lago, mais um refúgio, mais um encanto.


Subindo um pouco mais, chegamos à Gruta do Monge, um espaço sombrio completamente apartado do mundo, ideal para o recolhimento e meditação dos monges Jerónimos.


Aqui perto fica um conjunto de pedras que vamos observando desde baixo. Não falo da pedra do guerreiro, mas antes do Alto de Santa Catarina. Diz-se que este era o miradouro preferido da rainha D. Amélia e não é difícil perceber porquê. Aqui encontramos o Trono da Rainha, estrategicamente instalado de frente para o Palácio da Pena, numa vista completamente desafogada em plena e profunda Serra de Sintra. Ideal para uma paragem e um momento de contemplação – daqui tudo se avista e o mimoso Palácio ali está, altaneiro, colorido, parece que a posar exclusivamente para nós.


Tempo ainda para uma passagem pelo Templo das Colunas, edifício de arquitectura clássica, bem evidente pelas doze colunas que antecedem a sua fachada, situado no Alto de Santo António – mais um miradouro privilegiado para o Palácio da Pena, antes de entrarmos definitivamente neste edifício que constitui o maior exemplo do Romantismo em Portugal. 

O Palácio da Pena é provavelmente o maior postal de Sintra.
As cores do palácio já se vinham destacando há muito desde quase cada canto da nossa longa mas aprazível caminhada. Cada vez que olhávamos, lá estavam elas, aquele amarelo e aquele vermelho a irromperem pelo céu. Mas, de repente, à medida que íamos chegando mais perto começou a chover copiosamente e o céu tudo nublou de forma que tudo se deixou de perceber. 
Resultado? Em força para a visita ao interior do Palácio, reportagem fotográfica de exteriores adiada para uma próxima visita. 

O tempo em Sintra é um tópico. Qualquer lisboeta está já acostumado aos seus humores. 
Em resumo, no Parque da Pena apenas não subimos até à Cruz Alta, o ponto mais elevado da Serra de Sintra, a 529 metros de altitude, uma vez que a chuva que caía e a visibilidade a roçar o zero não compensaria a subida. Ainda assim, este é passeio para ocupar um dia todo, com muito tempo para caminhar, sentar, contemplar, piquenicar e, sobretudo, descobrir.

Pena

Manhã de sábado nublado em Lisboa não indicia nada de bom para Sintra, mas com o microclima da serra nunca se sabe.

Desta vez não houve diferenças no tempo. Olhar para o Palácio da Pena e não vislumbrar mais do que uma ideia das torres do palacete e nem chegar a imaginar as suas cores vivas é um murro no estômago. Mas, viajante que se preza é paciente até nas redondezas da sua casa, e com isso tem a recompensa de ver o sol abrir. Obrigada clima de Sintra.

O Palácio da Pena foi mandado recuperar no século XVIII por D. Fernando II, o rei consorte por via do casamento com D. Maria II. Instalado a 500 metros de altitude, no topo da serra de Sintra, o projecto de arquitectura aproveitou parte das ruínas do antigo mosteiro de Jerónimo de Nossa Sra da Pena, e foi buscar inspiração nos palácios da Baviera. É o maior exemplo da arquitectura romântica em Portugal, mas nele convivem alegremente motivos mouriscos, góticos e manuelinos. As torres, e um pouco por ali e aqui, deixe o clima ou não, são cheias de cores e fantasia.

Depois, encontramos ainda na sua fachada, a par dos brasões da ordem, uns bonitos azulejos e, abrindo caminho para o Pátio dos Arcos onde se obtém uma vista fabulosa para o Atlântico, um rosto de Tritão que nos tenta assustar. No meio de tanta beleza neste castelo de fadas, não o consegue.

A visita ao interior do Palácio começa pela entrada pelos claustros, pequenos e aconchegantes, lindos, numa palavra. Depois vamos percorrendo as salas, sejam as que foram dedicadas ao atelier de D. Carlos, seja o quarto do camareiro, seja o de vestir da rainha (D. Amélia foi a última que por cá passou e utilizava o Palácio como residência de Verão), seja o da sala árabe, ou qualquer um outro com mobiliário e motivos da época.

Para além do Palácio, o parque e toda a serra que o envolve são também eles uma maravilha que merece ser percorrida caminhando sem pressas. Infelizmente não foi o caso deste sábado. Ainda assim, pegámos no carro e demos a volta até ao Chalet da Condessa de Edla, recentemente recuperado. A condessa suíça, de nome Elise Hensler, cantora de ópera e mãe solteira, viria a tornar-se a segunda mulher de D. Fernando II e após a morte deste herdou o Palácio da Pena. Antes, porém, juntos mandaram construir o dito Chalet e jardim, a 30 minutos a pé da Pena, por entre lagos e espécies botânicas em abundância.

A sua localização é estratégica e pretendia D. Fernando com ela um local de maior recato e longe da corte. No entanto, desde os imensos e formosos blocos de granito vizinhos ao Chalet, a Pena fica, majestosa e bela, a uma curta mirada.

O Chalet em si, construído entre 1864 e 1869, teve por modelo os chalets dos Alpes. Em estilo romântico, o edifício é em madeira e utiliza a cortiça como motivos decorativos. O castanho da cortiça e o verde do jardim ficam perfeitos com o amarelado do Chalet, de dois pisos, no qual o interior tem apenas ainda uma sala recuperada – a sala das heras. As obras do Chalet continuam ainda, mas só pelo seu exterior e enquadramento vale uma visita, de preferência conjunta com a Pena.

Praia da Ursa

De volta da Índia e em estágio para dominar as expectativas face à primeira ida a uns Jogos Olímpicos (só para assistir, que competir não passou de um sonho), um reconhecimento de que fazer praia é cá em casa.
Perto do Cabo da Roca fica aquela que é a praia mais ocidental da Europa e que foi considerada pelo guia Michelin uma das praias mais bonitas do mundo.
Com tal palmarés, o único facto de estranhar é que, ficando tão perto, nunca lá tivéssemos dado um salto.
Salto, não. É melhor dizer que é de estranhar que nunca nos tenhamos arrastado até lá.
A praia é selvagem, sabíamos que tinha uns acessos maus e difíceis. Só não cuidamos foi de decorar que devíamos tomar o caminho mais à esquerda na descida desde o parque de estacionamento.
Resultado: parece que descemos pelo caminho do alpinismo. Foi muito perigoso, a não repetir. A descida foi feita em terreno escorregadio e com pedra solta. Não houve outro remédio se não descer sentadas, a tentar controlar a descida para não resvalarmos por ali abaixo. E é de bastante altura que se trata.
Vamos à parte boa, agora que conseguimos não nos magoar na aventura (só tivemos 3 dias de dor intensa de pernas).
A paisagem cá de cima, altaneira, antes da dolorosa descida, é fabulosa. A água clara e as escarpas rompem pelo mar a embelezar a falésia. As rochas pontiagudas são um postal perfeito. Lá em baixo há areal suficiente para as poucas dezenas de companheiros que se aventuram chegar à praia linda. E há, sobretudo, uma série de enseadas onde podemos entrar e deslumbrar-nos ainda mais com o cenário.

 

Parque e Palácio de Monserrate

A caminhada desde o centro da Vila até Monserrate é agradável e fácil, pela estrada com não muito trânsito mas sem bermas.
Monserrate tem uma história curiosa que começou com o nome de Quinta da Boa Vista no século XVI, mesmo século em que foi aí construída uma capela dedicada a Nossa Senhora de Monserrat.
Depois de propriedade de nacionais passou para uma série de ingleses, como De Visme, o responsável pela construção do primitivo palácio neo-gótico no lugar da capela, ou William Beckford que se dedicou à construção do jardim, incluindo a cascata e os arcos de pedra. Com a partida deste no princípio do século XIX o local entrou em declínio e a sua fama romântica cresceu, muito por causa de Lord Byron e dos seus relatos de viagem. Em 1841 inicia-se a reabilitação de Monserrate – palácio e jardins – por intermédio de outro inglês de nome Francis Cook. Em 1949, após a compra da propriedade por um português comerciante de antiguidades que leiloou o recheio do palácio e tentou lotear a quinta, o Estado adquiriu-a. Se dissermos que só em 2001 se iniciou o processo de recuperação do hoje imóvel classificado, dá para ver muito bem quantas décadas teve esta beleza para se degradar.
O certo é que hoje ela aparece-nos em todo o seu esplendor. No seu conjunto é um excelente exemplo da arquitectura do período romântico em Portugal, com uma mescla de gótico veneziano com influências indianas e mouriscas. O jardim, que vem por aí abaixo do palácio, ou este vem por aí acima, bem pertinho do céu, como se um troféu se tratasse, o jardim, dizia, é um manto interminável de verde, com caminhos que se entrecruzam com direito a ramos a fazer de ponte e laguinhos com nenúfares.
As obras no interior ainda estão a desenrolar-se ao mesmo tempo que podemos ir aproveitando o já recuperado. E que bem recuperado. Uma maravilha que deixo para as fotos. Mas não deixo de pensar e dizer… ai aqueles tectos!

Sintraaa!!!

Este ano comecei com um almoço nas Azenhas do Mar.
Talvez um bom auspicio para visitar Sintra. Melhor dizendo, revisitar, que tudo lá merece incontáveis retornos.
Há dias voltei a Monserrate, depois de lá ter estado em 2007, precisamente o ano em que se iniciou o processo de recuperação do interior do Palácio.


Antes, em 2004, subi até ao Castelo dos Mouros.


Em 2005 subi um pouco mais até ao Convento dos Capuchos.


Em 2006 foi a vez de um passeio de eléctrico até à Praia das Maças, com direito a piquenique na areia.


Em 2007 visita à Pena como cicerone para os primos emprestados brasileiros.


A Regaleira foi alvo de umas quantas visitas, uma das quais a trabalho quando ainda não estava aberta ao público e outra para assistir a uma peça de teatro em movimento – o Hamlet em ambiente misterioso.


Mas o bom da Regaleira, tal como de Seteais, é que ficam mesmo ali à beira da estrada, prontos para serem devorados pelo olhar e todos os nossos outros sentidos.


Fica a faltar o Palácio da Vila, nunca visitado mas tantas vezes fotografado, cartão postal da Vila de Sintra.

E uma estreia absoluta: o Chalé da Condessa d´ Edla, aberto o ano passado.