Chile Está Temblando

“Puerto Montt está temblando”
de Violeta Parra

Puerto Montt está temblando
con un encono profundo
es un acabo de mundo
lo que yo estoy presenciando
a Dios le voy preguntando
con voz que es como un bramido
por qué mandó este castigo
responde con elocuencia
se me acabó la paciencia
y hay que limpiar este trigo.

Se me borró el pensamiento
mis ojos no son los míos
puedo perder el sentido
de un momento a otro momento
mi confusión va en aumento
soy una pobre alma en pena
ni la más dura cadena
me hubiera afligido tanto
ni el mayor de los espantos
congela así las venas.

Estaba en el dormitorio
de un alto segundo piso
cuando principia el granizo
de aquel feroz purgatorio
espejos y lavatorios
descienden por las paredes.
Señor, acaso no puedes
calmarte por un segundo
y me responde iracundo:
pa’l tiburón son las redes.

No hay palabras en el mundo
para explicar la verdad
ni talento en realidad
pa penetrar en profundo
qué viento más iracundo
qué lluvia tan alarmante
qué pena tan abundante
quién me da la explicación
sólo el sabio Salomón
pero se halla tan distante.

Del centro salté a la puerta
con gran espanto en el alma
rogando por una calma
pero el temblor va en aumenta.
Todo a mis ojos revienta
se me nubla la cabeza
del ver brincar en la pieza
la estampa de San Antonio
diciendo: muera el demonio
que se anda haciendo el que reza.

La mar está enfurecida
la tierra está temblorosa
qué vida tan rencorosa
lo trajo la atardecida
con una angustia crecida
le estoy pidiendo al señor
que detenga su rencor
tan sólo por un minuto
es un peligro este luto
pal alma y el corazón.

Así fue señores míos
la triste conversación
que en medio de aquel temblor
sostuve con el divino
cuando pasó el torbellino
de la advertencia final
bajito empezó a llorar
mi cuerpo resucitado
diciendo Dios’tá indignado
con la culpa terrenal.

Me aferro con las dos manos
en una fuerte manilla
flotando cual campanilla
o péndulo disparado
qué es esto mi Dios amado
dije apretando los dientes
pero él me responde hiriente
pa’hacer mayor el castigo
para el mortal enemigo
del pobre y del inocente.

Torres del Paine

O Parque Nacional Torres del Paine. Infelizmente não tivemos sorte com o tempo, o que, aliás, não é difícil de acontecer por aquelas bandas, uma vez que o clima muda constantemente. Mesmo assim… valeu bem a pena.
O nome do Parque vem das suas mais que deslumbrantes formações rochosas, também conhecidas como Cuernos del Paine, as quais têm entre 2200 e 2850 metros (ainda que o Monte Paine, o maior maciço do Parque esteja a 3050 metros acima do mar). É considerado como um dos melhores lugares do mundo para fazer trekking, sendo que a caminhada por todo o circuito do Paine levará 6 a 8 dias. Isto, claro, se houver tempo para tanto. O Parque dispõe de todas as infra-estruturas necessárias, com vários refugios, e é igualmente permitido acampar em determinados locais.
Se só houver um dia para a visita, como foi o caso, vê-se o que se pode e sonha-se com o dia em que se voltará com mais tempo para explorar todo aquele exagero de natureza em estado bruto. Mas não se vê pouco: lagos de cor turquesa, cascatas, glaciares e uma abundante fauna. Do Lago Grey pode observar-se blocos de gelo que se desprenderam do glaciar do mesmo nome.
Aqui, e mais uma vez como na maior parte da Patagónia, sente-se a enormidade do silêncio e a solidão da natureza.

Percorrer, contemplar, descobrir

Percorrer, atravessar, deambular, contemplar, descobrir os Andes é, numa única palavra, soberbo.
Podemos fazé-lo das mais diversas formas. Porém, para contemplar existe uma que, pelas suas características, pode ser verdadeiramente arrebatadora. Refiro-me a sobrevoar os Andes. Percorrer longitudinalmente a espinha dorsal da América do Sul.
O que à partida parecia ser mais um voo aborrecido e um meio para atingir um fim (literalmente, porque o objectivo era chegar a Punta Arenas, que fica no fim do mundo. Ou será o início? ), transformou-se numa experiência magnífica e esclarecedora da geografia maravilhosa deste pedaço do nosso planeta.
Devem-se ter conjugado os astros, pois o resultado foi extraordinário. Aliado às condições meteorológicas perfeitas, ainda tivemos a sorte de irmos no lado certo do avião (esquerdo, se não me engano). Depois… Depois, foi só contemplar e disfrutar da maravilhosa paisagem. As pérolas que ficam entre Santiago do Chile e Punta Arenas foram todas avistadas. Os diversos vulcões (Puyehue, Osorno). A Laguna de San Rafael. Os glaciares. Os picos nevados. Os picos mais emblemáticos, como as Torres del Paine.
Obviamente que o voo oferece-nos sobretudo uma panorâmica, uma visão superficial. Não ficamos a conhecer verdadeiramente os lugares. No entanto, a paisagem é tão avassaladora que tudo o resto é que se torna superficial.