O Triunvirato da Ria Formosa

Esta foto tirada em Faro mostra um pouco da realidade farense no que a cidade para atrair turistas diz respeito. Capital indisputada do Algarve, não será nem a mais visitada nem a mais admirada.
E, no entanto, tem a Ria Formosa mesmo ali a banhá-la.
É subindo até ao topo da Sé que a desilusão se vai por completo. Haverá cidade com água à volta que não seja agradável à vista?

E afinal sempre há uns quantos edifícios bem bonitos.

Tavira, também beneficiando da Ria Formosa e do Gilão que por lá desagua, é bem mais pitoresca. E os telhados “tesoura”, de quatro águas, que viramos em Faro, são por aqui uma constante. É subir até ao Castelo para o confirmar.

Em Olhão … adivinhe-se: a Ria Formosa continua lá, mesmo atrás dos marcantes mercados e das fábricas de conserva.
Mas a chuva que caiu nesse dia… ui, ainda tenho os ténis cheios de água e os joelhos molhados.

Pousada de Estói

O périplo pelas Pousadas de Portugal teve novo desenvolvimento, desta vez em Estói, Algarve.
Há que fazer um aparte para dizer que não me parece, de todo, que o serviço destas pousadas mereça o dinheiro que por elas pedem, mas meti na cabeça que lhes tenho que dar uma volta e … vou fazê-lo. E não paro enquanto não der uma voltinha pelo menos até à do Freixo, no Porto.
Aqui há uns anos tínhamos estado em Estói e foi possível visitar os jardins do antigo Palácio, que se encontrava degradado e para o qual havia planos de reconverter em hotel.
Hoje pode visitar-se o Palácio recuperado, mas não os jardins, que ao que parece se encontram fechados para balanço.
Enquanto pousada abriu em 2009, após projecto de recuperação do arquitecto Gonçalo Byrne.

A pousada divide-se em dois blocos distintos:
o edifício do antigo Palácio do século XVIII, onde ficam os espaços comuns, como a recepção, os salões, o bar, o restaurante e a capela, com os jardins e a piscina no exterior.
Estamos num palácio, mas o ambiente é deverás descontraído.

e, depois,
o edifício construído de raíz, extremamente bem conseguido. São três andares, o primeiro e o terceiro com quartos com acesso directo ao jardim.

Mas o que mais gostei, e dificilmente esquecerei, é o contraste do cor de rosa do palácio com o azul da piscina, com a planicie algarvia, entrecortada por um pequeno monte, a dominar todo o horizonte.

Zefa

E agora que se fala de tudo e mais um pouco para mostrar que o Algarve (só com um “l”) não é só praia, que tal o “Centro de Arte Contemporânea” ZEFA, em Almancil, Loulé?
A surpresa começa pelo local onde a arte está instalada – numa quinta perdida numa estrada perdida de uma zona não menos perdida do Algarve.
Se percorrermos o site do Zefa (http://www.centro-zefa.com/) lemos, entre outras, frases como “ver para crer”, “entre em nossa casa”, “work in progress”, e todas correspondem à mais absoluta verdade.
Tudo começa com um tocar à campainha. Segue-se a imediata simpatia de Cândida Paz, a anfitriã, que nos abre as portas para nos guiar pelo seu terreno onde arte e lar se confundem. Tudo o que nos rodeia saiu da imaginação de seu marido, Bota Filipe, preciosamente apoiado por Cândida.
À medida que vamos caminhando pelos anexos fantasiosos, perguntamos-nos: Gaudi passou por Loulé? Mas ficamos a saber que Bota apenas passou por Barcelona depois de aqui dar asas à sua criatividade.
Muita criatividade.
A que não falta uma piscina. Afinal, como diz Cândida, as muitas crianças das escolas que os visitam iriam ficar desiludidas por ver uma quinta tão grande sem uma piscina. Vai daí, ela está lá em cima do terraço da garagem, e não importa que seja apenas um chão pintado de azul com ondinhas, com prancha de saltos e tudo, a dar ares de uma torre de vigia.

Tudo aqui obedece a um princípio de comunidade, desde o receber os artistas que para cá queiram vir trabalhar, à atenção e preocupação que dedicam ao urbanismo e ambiente, com o aproveitamento de todos os materiais. E isto para chegarmos a uma simplicidade absoluta que se nos apresenta num sentido estético muito kitsch e estrambólico mas, ao mesmo tempo, agradável e que nos faz desejar viver num sítio assim.

Pelas Praias do Centro do Algarve


Depois de um jantar na Praia de Faro, com vista para a Ria Formosa,


não quisemos ficarmo-nos apenas pela calma da praia de Vale do Lobo.


Iniciámos o dia dedicado às praias do concelho de Albufeira pela da Rocha Baixinha Nascente, com um barquinho a trazer um pouco de tranquilidade à confusão de chapéus de sol.


Na praia da Falésia, vista de cima, preparámo-nos para o extenso areal que ainda nos faltava percorrer,


não imaginando que entre o Barranco das Belharucas e Olhos de Água as formas sairiam da monotonia.


São Rafael e as suas vizinhas são as mais bonitas, uma imagem de rochedos agrestes constrastando com a transparência da água,


com recantos que nos fazem lembrar um Castelo.

Chaminé Algarvia

A chaminé é um símbolo da arquitectura algarvia. A diversidade de modelos é imensa. Poucas vezes se repetem. Quanto mais ornamentada e mais motivos decorativos, mais dispendiosa a chaminé se tornava, fazendo com que, historicamente, constituísse um símbolo de prestígio e vaidade do proprietário. Actualmente este questão ostentativa já não tem significado, porém prevalece a estética e beleza deste elemento tradicional.

Costa Vicentina – Sagres

Este é o meu cantinho de eleição em Portugal continental.
Onde…
…vale o esforço de acordar cedo para ver este nascer do sol
…vejo os aficionados do vento a riparem no Martinhal

…há areais sem fim quase só para mim
ainda por cima de uma beleza única
…toda a família pode surfar
seja no Tonel,
na Cordoama,
na Ponta Ruiva
ou no Amado

…posso aproveitar a tranquilidade das águas da Mareta
…à noite como as maravilhas que este senhor pescou
…posso estar no lugar donde saíram os nossos descobridores
…observo as íngremes falésias do Cabo de S. Vicente
…fujo do vento no Beliche
…é fácil ser feliz.

Caminhar na Quinta do Lago


Habituámo-nos a ouvir falar da Quinta do Lago sempre associada aos “ricos”, “famosos”, “bonitos” pertencentes à designada “alta sociedade portuguesa” e internacional. A Quinta do Lago do golfe, das festas no T-Club, dos banquetes no Gigi, das exuberantes moradias, enfim… do mostrar para ser visto.
A verdade é que a Quinta do Lago é tudo isto. Mas é muito mais. Sendo que este tudo mais é a melhor parte da história. Quem se lembrou de escolher aquelas bandas para lá instalar um recanto exclusivo e recatado para uma elite de ricos e famosos e dele fazer um resort escolheu muito bem. Mas, sorte a nossa, no nosso país ainda não é possível vedar o acesso às frentes do mar aos outros cidadãos não tão ricos e famosos. Pode o parque de estacionamento da praia da Quinta cobrar uma fortuna pelo mero serviço de aí deixar um carro, mesmo que os seus lucros não revertam para a protecção do habitat natural em que se encontra. O certo é que vale a pena engolir o sapo e lá deixar uma nota, aí isso vale.

Dito isto, a Quinta do Lago está situada em plena Ria Formosa.
A Ria Formosa está situada no Algarve e caracteriza-se por ser uma região de sapal e ter um habitat natural específico, ao longo de uma extensão de cerca de 60 km, desde o Ancão, no concelho de Loulé (e onde se encontra localizada a Quinta do Lago), até Manta Rota, no concelho de Vila Real de Santo António, abrangendo ainda os concelhos de Faro, Olhão e Tavira.
Iniciando um “tour” desde o parque de estacionamento da Quinta do Lago, existe a possibilidade de se percorrer a pé 2 trilhos naturais previamente definidos e (bem) sinalizados: o “Quinta do Lago” e o “São Lourenço”. Para além da saudável caminhada, ambos os trilhos têm ainda o valor acrescentado do iminente contacto com a flora e a fauna locais que se desenvolvem ali pertinho dos greens, do lago e do Atlântico, sob o sol algarvio.
O trilho da “Quinta do Lago” tem cerca de 2,3km e características de sapal e lago de água salgada. Por entre os pinheiros mansos, palmeiras anãs e rosmaninho, deparamo-nos com a criação de uma tapada de piscicultura com diversas espécies de peixinhos, como dourada, robalo, linguados, sargos, enguias.
Por seu lado, o trilho de “São Lourenço” desenrola-se ao longo de 3,2 km pelo sapal e pelo lago de água doce. Por este caminho é possível observar-se diversas espécies de aves, bem como o camaleão, um réptil em vias de extinção na Europa mas ainda relativamente fácil de se encontrar neste Parque Natural. No último ponto deste percurso existem umas ruínas romanas onde se poderá observar alguns tanques de salga (de peixe) da época romana do século II dC.


Para além destes 2 percursos “oficiais”, a vontade de descobrir mais sobre esta zona permite-nos percorrer caminhos ao sabor dos nossos próprios pés, seguindo a rota dos aviões que aterram e levantam voo bem ali ao lado, no aeroporto internacional de Faro.
Apesar dos aviões que sobrevoam esta zona constantemente (parece que estamos em Heathrow ou Charles de Gaulle), o rei por aqui é o flamingo. Isto no que diz respeito à natureza, a imperadora destas bandas. Mas não podemos esquecer o princípe, obra do homem – a ponte que liga os terrenos da Quinta do Lago à praia, construída sobre a Ria Formosa. A ponte, pedonal, é na sua simplicidade uma das mais bonitas e encantadoras que já tive oportunidade de ver. É uma passadeira de madeira de cerca de 320 metros, o que faz dela uma das maiores da Europa. Vista ao pôr do sol, reflectida na água juntamente com as cores muito especiais que entretanto o céu, o mar e a terra tomaram, é um privilégio para os nossos olhos. Olhos humanos, todos iguais ali no meio do visual que a natureza nos entendeu dar.

Barrocal Algarvio

O Algarve tem três áreas distintas em termos geográficos. O litoral, o barrocal e a serra. Este post é uma deambulação pelo barrocal algarvio, a área de transição entre o litoral e a serra do Caldeirão.
Esta área, conjuntamente com a serrana, em determinados momentos, dá a sensação que parou no tempo. Se para as gentes locais isso nem sempre é positivo, para os forasteiros é interessante, na medida em que podem observar e sentir uma paisagem próxima da original.
É um pouco indiferente por onde se começa o percurso. O importante mesmo é começar.
Então vamos lá. Paderne é a primeira paragem. Passando a povoação propriamente dita, uns kms mais à frente e depois de algum pó chega-se às ruínas do castelo (classificado como imóvel de interesse público). O castelo, construído em taipa, fica num cabeço rodeado por uma vegetação mediterrânica (oliveiras, figueiras e alfarrobeiras) e pela ribeira da Quarteira – que nem sempre corre devido ao regime de chuvas irregular – sobre a qual passa uma ponte arcaica. Pode-se explorar a área envolvente ao castelo através dos diversos percursos pedestres existentes.
Actualmente o castelo encontra-se num estado muito degradado mas estão a decorrer obras no sentido de melhorar a situação. Apesar disso justifica-se uma visita pois o castelo de Paderne, devido à importância que teve na Conquista, é um dos sete castelos que figuram na bandeira nacional.

O ponto seguinte é Alte, em tempos considerada a aldeia mais algarvia do Algarve. Encanta o emaranhado de ruelas estreitas e o casario tradicional.

Para além de um deambular pelas ruazinhas, merece visita a Fonte Grande e a Fonte Pequena, onde se homenageia o poeta Cândido Guerreiro.

Outra atracção, ao que parece, pois não tive a felicidade de comprovar devido ao inverno seco deste ano, é a queda de água do Pego do Vigário.
Salir é a paragem seguinte. Diz a lenda que quando atacados por D. Paio Peres Correia, os mouros que defendiam a muralha começaram a gritar “Salir! Salir!”, o que em português arcaico significava sair. Ficou o toponímo, assim como alguns vestígios do castelo mouro. Mas o encanto da povoação vem sobretudo da harmonia do conjunto urbano composto pela arquitectura tradicional.

Continuando o périplo encontramos no topo de um monte a aldeia de Querença. Lá bem no alto fica a bela igreja matriz e pela encosta abaixo encontra-se o casario pitoresco.

Nas imediações fica a Fonte da Benémola, uma zona do barrocal algarvio praticamente intacta. Este sítio classificado desenvolve-se ao longo da ribeira de Benémola e caracteriza-se pela paisagem rica e original do barrocal algarvio, que inclui salgueiros e freixos. Lugar muito bonito e agradável para percorrer a pé.

Um pouco fora desta rota mas inserido na área em referência encontra-se o Cerro de S. Miguel. Do alto deste monte com 410 m avista-se uma parte significativa do Algarve. Em frente Olhão e a ilha do Farol. Para oeste a ilha de Faro. Para este a ilha da Armona e ao fundo Tavira e a sua ilha. A noroeste Loulé. Uma vista algarvia tão boa e abrangente como esta só mesmo a que se tem de Fóia, o ponto mais alto do Algarve (902 m), no barlavento algarvio.

Estói Bonita

Fugindo ao Algarve clássico, da praia, estâncias turísticas, encontra-se Estói, uma vila histórica que pertence ao concelho de Faro.
Embora seja uma pequena localidade merece uma visita pois tem dois pontos de grande interesse, as ruínas romanas de Milreu e o Palácio de Estói.
Milreu, classificada como Monumento Nacional, foi uma villa romana (século I/IV d.C.). Era conhecida como Ossonoba pelos romanos entre os séculos II e VI d.C. e foi o antecedente do que hoje é Faro.
Actualmente na estação arqueológica sobressai um antigo templo dedicado a divindades aquáticas datado do século IV d.C., algumas colunas de mármore, tanques decorados com mosaicos com peixes, desenhos geométricos, termas.

Colunas e Templo dedicado às divindades aquáticas ao fundo

Mosaicos com peixes

Mosaicos com desenhos geométricos

Pensa-se que, depois de diversos usos, na primeira metade do século X as abóbadas ruíram e Milreu foi abandonada. Porém, no século XVI, foi erguida uma casa sobre as ruínas abandonadas. Actualmente, essa casa, que é um exemplar arquitectónico daquela época, apresenta no seu interior, ao nível do subsolo, vestígios da antiga ocupação romana.

O Palácio de Estói, também classificado (Imóvel de Interesse Público), foi construído no século XVIII e combina os estilos neorococó, neoclássico e arte nova.
O acesso ao recinto faz-se por um portão de ferro forjado, ao qual se segue uma avenida ladeada por árvores. O primeiro conjunto de edifícios que se encontra são os estábulos, que estão abandonados. Continuando chega-se ao palácio.

Porém, actualmente não é possível visitar o seu interior, uma vez que depois de um período votado ao abandono, está-se a iniciar um processo de restauro com o objectivo de o transformar numa Pousada de Portugal (Enatur).
Ainda assim a visita é mais do que justificada pelo magnífico exterior do palácio, assim como pelos encantadores jardins, ao gosto italiano, com mosaicos decorativos, fontes, esculturas, estatuária com bustos de diversos poetas, Reis e outras figuras importantes da História portuguesa.

No exterior do palácio é possível ainda observar diversos painéis de azulejos azuis e brancos do século XIX com composições de decorações florais e cenas da mitologia clássica.