Silves

Silves é a capital histórica do Algarve. Situada no Barrocal Algarvio, entre a serra e o mar, afastada cerca de 15 quilómetros da costa marítima, há registos de ocupação humana desde o Neolítico e entre os séculos X a XII era a maior e melhor povoação do Algarve.

Foi durante o período árabe (século VIII a XIII) que mais floresceu, tornando-se uma cidade civilizada com relevância política e cultural que rivalizava com outras das maiores do mundo árabe. O Rio Arade era então navegável desde o Atlântico até ela, servindo como via de comunicação que permitia manter relações comerciais com os povos do Mediterrâneo (como fenícios, gregos e cartagineses), e foi o grande responsável pela implantação da povoação neste lugar. A ponte medieval sobre o Rio Arade, embora de construção bem mais tardia, lá continua a marcar presença. Mas é o inconfundível castelo vermelho no topo de uma colina que domina por completo a paisagem de Silves.

Após um longo cerco no reinado de D. Sancho I, em 1189 a cidade foi tomada pelos cristãos aos mouros, não sem uma enorme mortandade. Mas essa conquista foi revertida e só viria a tornar-se definitiva em 1248-49, com D. Afonso III. Então, Silves foi elevada a cidade e feita capital do Reino do Algarve. Assim permaneceria, desempenhando papel importante no período inicial da época dos Descobrimentos, até à sua entrada em decadência no século XVI pelo assoreamento do Arade e pelo surgimento de zonas de lodo que tornaram a cidade insalubre. Ou seja, se o Rio Arade foi decisivo na implantação e desenvolvimento da povoação, seria também ele em grande parte o responsável pelo seu declínio, motivado pela seca das suas águas e impossibilidade de navegabilidade. Silves foi gradualmente perdendo importância e Faro começou a tomar o seu lugar. Mas não sem contestação, até porque entretanto havia sido construída na cidade a Sé Catedral (crê-se que no lugar de uma antiga Mesquita), fazendo de Silves não apenas o centro político e cultural do Algarve, mas também o seu centro espiritual. O Terramoto de 1755 deu a machadada final, destruindo grande parte do edificado.

Mas a história continuou e a Silves de hoje surge novamente em grande, com o seu património monumental restaurado e com vida – surpreendeu os muitos turistas que num dia de calor ousaram trocar a praia por um passeio na cidade do interior.

A estrutura urbana de Silves conserva ainda as características muçulmanas. Temos o castelo no alto do Monte da Almedina, seguido do que correspondia à medina numa das suas encostas e logo depois o arrabalde. Este arrabalde é a zona de expansão, a cidade nova extra-muros que foi sendo construída e ocupada ao longo de várias épocas até aos dias de hoje. E para percebermos bem esta transição nada melhor do que o terraço do edifício dos Paços do Concelho. Em baixo fica a Praça do Município com Pelourinho e a meio caminho a Porta da Vila com a torre albarrã, o único dos três acessos à antiga medina que ainda se conserva. Pela Porta da Vila entramos, então, na medina, com as suas ruas estreitas, irregulares e íngremes que dão acesso ao castelo. Seguimos pela antiga Rua Direita, hoje Rua da Sé, onde ficam alguns dos edifícios mais importantes da cidade: a própria (em estilo gótico, manuelino e barroco), a Igreja da Misericórdia (em estilo manuelino e maneirista) e palacetes (um deles com uma deliciosa varanda).

E logo ficamos perante a enorme muralha vermelha do Castelo de Silves. Construído em taipa, usando a rocha grés da região, não se sabe ao certo a data da sua fundação, mas é antiquíssimo. Restaurado, preserva ainda as suas torres e ameias e pelo adarve podemos passear ao longo de toda a muralha, obtendo bonitas vistas para a pacata paisagem rural que rodeia Silves. No interior do Castelo são visíveis os vestígios da alcáçova, nomeadamente dos palácios onde residiam os governadores, militares e administrativos que tinham sobre si o rumo da antiga urbe.

Entre as várias cisternas no interior do Castelo, impressiona o Grande Aljibe, a cisterna construída no século XII, durante o período Almóada, que até aos anos 90 do século XX permitiu o fornecimento de água à cidade. É um enorme reservatório escavado no subsolo, hoje transformado em galeria de exposições.

Saindo do Castelo, voltamos a percorrer as ruas da antiga medina e caminhamos por algumas das que então constituíam o arrabalde. São hoje ruas tipicamente algarvias, com edifícios de um ou dois pisos maioritariamente brancos, alguns com decorações azulejares. As ruas estendem-se sem ordem até ao Rio Arade, fazendo-nos perder. E não há melhor prazer do que este, deixarmo-nos perder por este Algarve menos pisado.

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