Geysir

Algo do género no nosso país só mesmo isto


Vulcões de água – Parque das Nações

É engraçado. Mesmo surpreendente. Tem encanto. É até uma delícia observá-lo. No entanto é uma obra, ainda que notável, meramente humana.
Em contraponto, na Islândia, existe um fenómeno que pouco tem origem na acção antrópica. Aí estão concentrados muitas das manifestações naturais existentes no planeta, responsabilidade da sua imensa actividade vulcânica e sísmica, ou não fosse o país situar-se entre a placa americana e a euroasiática.
Um dos fenómenos mais espectaculares, estrondosos, surpreendentes e viciantes de admirar é o geysir. O nome Geysir, vem do mais antigo registo de erupção de águas quentes, que ocorreu no vale de Haukadalur, na Islândia. Desde aí a palavra geysir caracteriza todos os fenómenos de jorramento de águas quentes.
O Geysir (o original) deixou de funcionar mas felizmente ao lado, igualmente no campo geotérmico de Haukadalur, funciona o Strokkur, o geysir, actualmente, mais espectacular em actividade na Islândia. De 4 a 8 minutos dá-se uma erupção de água a ferver a uma altura que pode chegar aos 23 metros.

O Strokkur está em actividade desde 1789, depois de um terramoto que desbloqueou o sistema do geysir. Esteve em actividade até 1896, quando um novo terramoto bloqueou o geysir. Desde 1963 até actualmente foi de novo desbloqueado e encontra-se em actividade.
Observar o Strokkur é um espectáculo. Desde a expectativa do momento de explosão, que é vivido ansiosamente a olhar para o buraco por onde a água é expelida e que no tempo que intermedeia a explosões é um borbulhar constante;

o inicio da erupção que tem um efeito magnifico, em que a água ganha uma tonalidade mágica;

a erupção que, ainda que seja o momento mais esperado, é surpreendente e causa mesmo emoção; até, por fim, o efeito de bruma que fica na atmosfera devido à diferença de temperaturas da água, que chega a atingir os 120º C, e a temperatura atmosférica.

Quando se está a fotografar o fenómeno a ansiedade da espera é ainda mais vivida porque cada etapa tem o seu momento, que tem tanto de lindo como de fugaz. Mas quem resiste a documentar este momento?Já sem máquina fotográfica em punho, observei mais descansadamente, mas sempre com uma pontinha de ansiedade, o geysir Strokkur diversas vezes e de vários ângulos, sem haver qualquer enfado. Tudo é tão deslumbrante e inusitado que consegue-se ficar horas a fio a observar esta magia da natureza.

Mývatn e Krafla

Esta é uma das zonas mais nobres do país, no nordeste, perto de Akureyri e do Parque Jókulsárgljúfur (com a sua Dettifoss e o Canyon de Ásbyrgi), daí que 10 em cada 10 turistas caiam lá. Se o “Círculo Dourado” da Gullfoss, do Geysir e de Pingvellir, bem juntinhos da capital Reykjavik levam quase todas as atenções com o título de maiores atracções da Islândia, depois de conhecer estes dois circuitos ficamos com a certeza do tanto que vale a pena percorrer uma imensidão de kms até este nordeste para ver quem deveria levar a taça (já deu para ver que Gullfoss e Pingvellir – o Geysir é outra história – não nos encheu as medidas).
Mývatn é o nome do lago, mas toda a zona que o circunda é conhecida pelo mesmo nome. É como um grande parque de diversões. Aqui parecem existir quase todos os fenómenos naturais, e nem se sente a falta das omnipresentes quedas de água e glaciares pois esses há-os por quase toda a Islândia.
Lagos, pseudo-crateras, crateras reais – tanto de areia preta como de água azul –, vulcões ainda activos, campos de lava com formas esquisitas, montanhas de cor pastel, vapores emergindo da terra e, para concorrer com a grande estrela do sul, a sua muito própria lagoa azul.

 

Tudo o que vemos hoje, com estas características muito especiais, deve-se a uma série de acontecimentos vulcânicos. Mesmo hoje, com o Krafla ainda em actividade, a paisagem arrisca-se a mudar uma vez mais, e a possibilidade de a lava tudo invadir é bem real.

Voltando ao Myvatn, a melhor opção é usar o carro para dar a volta ao lago – cerca de 36km de estrada – e ir parando para umas caminhadas nas inúmeras atracções que vão aparecendo.

Primeira paragem para quem vem de Akureyri: Skútustadagígar e as suas pseudo-crateras que aparecem no meio do lago e vão formando elegantes ilhotas. Este fenómeno natural surgiu após a lava ter escorrido para a água e daí terem sucedido explosões donde resultaram estas pequenas crateras. É um bonito passeio de cerca de uma hora, contornando umas crateras e subindo sem esforço a outras.

 

Um pouco mais adiante encontramos o campo de lava de Dimmuborgir com as suas estranhas formações, arcos, caves e várias opções de trilhos, um dos quais leva-nos até à cratera do Hverfell.

 

A subida a esta cratera é um pouco mais cansativa, afinal fica a 463m de altura e depois de chegarmos ao topo é imprescindível fazer todo o seu percurso circular de cerca de 1000m, olhando para dentro e vendo a aridez da sua areia escuríssima, um interessante contraste com a paisagem fabulosa de 360º que nos é dada a ver de todo o lago.


Saindo do Mývatn em direcção ao Krafla e após passarmos por algumas fissuras na terra com água quentíssima, uma delas numa cave, e pela Lagoa Azul aqui do sítio – sem nunca nos esquecermos que esta é uma área geotermal natural – chegamos a Námafjall.
A montanha Námafjall e sua encosta Hverir, que aparecem de surpresa após uma curva em descida na Ring Road (o Námaskaro Pass), provocam-nos mais um espanto e encanto com os seus tons pastel. Mais uma boa caminhada (e será dura se se subir ao Námafjall) onde o único incómodo é o cheirete a enxofre da actividade sulfurosa das fumarolas que vão produzindo bolinhas desde a terra, deixando uma nuvem intensa e húmida à nossa passagem.

Chegando ao Krafla, a verdadeira atracção não é a montanha de mesmo nome, de 818m, ainda em actividade. Muito menos a estação de energia geotermal e suas turbinas. O que surpreende é vermos mais um campo de lava, imenso e passível de crescer ainda mais com novas erupções que, teme-se, poderão estar para breve. O contraste da lava seca e negra com as montanhas e o chão colorido de Leirhnjúkur, com mais bolinhas e bolinhas a saírem da terra a escaldar, e as ovelhas que por ali vão pastando faz-nos duvidar se estaremos a sonhar.
Um pouco mais à frente, a cratera Stóra-Viti dá-nos a certeza de que estas não são paisagens reais. Com a subida ao topo, não muito cansativa, para além de ficarmos com uma noção clara da região do Krafla e da destruição que este foi provocando ao longo do tempo, surpreendemo-nos – uma vez mais – com a água de um azul intenso dentro da cratera. Provavelmente a sua água será quente, mas dará para nadar? Diz quem sabe que a cratera do Viti, no interior da ilha, também tem água azul e quente e é uma das maiores experiências que se pode ter na vida – nadar nesse vulcão. Não confundir, no entanto, a cratera Viti com a cratera Stóra Viti, no Krafla.
Pronto, lá teremos de voltar à Islândia para completar os trabalhos que não chegaram a ser realizados.

Glaciares e Mais Glaciares

Mýrdalsjokull, Sólheimajokull, Svinafellsjokull, Skaftafellsjokull, Vatnajokull.
O que liga todas estas palavras? Para além da dificuldade em pronunciá-las (e decorá-las), é mesmo a sua parte final “jokull”, ou seja, e para facilitar a coisa, simplesmente “glaciar”. Estes ficam todos no sul da Islândia, mas podemos ainda acrescentar à lista o Snaefellsjokull (o da Viagem ao Centro da Terra de Júlio Verne), no leste, o Langjokull (no vale de Kaldidalur), mais ou menos no centro e o mais perto de Reykjavik, ou o Drangajokull (o único que não vislumbrámos), bem a norte, nos Fiordes Orientais.
Traçado o cenário, é bom de ver que o difícil é não depararmos com um glaciar na Islândia, afinal de contas eles cobrem cerca de 15% do país e têm influência na paisagem islandesa que nos chegou até hoje, nomeadamente na criação dos vales glaciares e dos fiordes. Numa viagem pelo sul, então, eles vão-nos acompanhando na nossa jornada de carro ao longo da Ring Road, muitas vezes a poucos metros de distância. Mesmo com toda esta familiaridade com o branco vivo do gelo, não nos cansamos de os ver e, pode dizer-se, o auge é a chegada à Jokulsárlón (lón=lagoa).

Nesta lagoa vão boiando calmamente os icebergs que se vão desprendendo a todo o momento dos glaciares ali por perto, para depois de derreterem seguirem a sua viagem rumo ao mar. Estes pedaços de gelo, por entre os quais vão nadando deliciosas focas, tomam formas únicas, custa até a acreditar que alguns não tenham sido propositadamente esculpidos por mãos humanas. A lagoa é verdadeiramente fotogénica, só assim se justifica que com o dia horroroso que se vivia quando por lá passámos as fotos ainda consigam mostrar a beleza do lugar. As cores claríssimas dos icebergs ajudam, é certo.

Quanto ao Vatnajokull é que não houve ajuda possível. Mal dava para ver qualquer pessoa a mais de um metro do nosso nariz, mas ainda assim insistimos em metermo-nos numa viagem organizada e subimos até ao centro de apoio (só os jipes passam nesta estrada) para um passeio de skidoo (a mota que anda nos glaciares). Justificação: marcar presença no maior glaciar da Islândia (e o 2.º maior em área da Europa), o 3.º maior ”ice cap” do mundo ou o 1.º maior sem contar com os existentes nos pólos (um “ice cap” é uma massa de gelo perpétua no topo de uma montanha).
Para se compreender melhor a dimensão deste glaciar resuma-se a coisa ao seguinte: ocupa 8% de todo o território islandês, distribuído por belos 8100 km2 – assim o imaginamos porque o nevoeiro não permitiu confirmar. Logo, o passeio de mota pelo topo do Vatnajokull serviu apenas para gastar um bom dinheirão para andar numa mota sem rodas, antes com um género de esquis (o skidoo).

Melhor empregue foi o $ e o tempo pela aventura no glaciar Svinafellsjokull. Depois de devidamente equipadas, com crapons e martelinho para agarrar bem o gelo, partimos em excursão organizada por uma caminhada naquele glaciar, melhor opção do que o Sólheimajokull (uma língua do Mýrdalsjokull) por este último ser mais escuro, isto é, “sujo”, conforme conselho da portuguesinha da Icelandic Mountain Guides. (Curioso como pode não se encontrar turistas portugueses nos cantos mais remotos do mundo, mas pelo menos um trabalhador encontra-se sempre)
Ainda assim, o Svinafellsjokull também é escuro em muitas das partes onde os iniciantes fazem a sua caminhada. Apesar de retirar algum encanto ao azul intenso que normalmente nos vem à ideia quando pensamos em glaciar, esta situação é absolutamente normal e deve-se aos sedimentos que se vão soltando da terra quando o glaciar a invade. Ao retrair-se traz consigo estes sedimentos. Todavia, encontramos ainda muitas crevasses (fendas naturais que são abertas nos glaciares), mais ou menos largas, mais ou menos profundas, mais ou menos de um azul cristalino que nos faz sonhar. Ao mesmo tempo, este é um dos grandes perigos para quem se aventura em andar por cima do glaciar, poder escorregar e cair num buraco do qual se poderá não conseguir sair. E com tantos glaciares mesmo ali juntinho à estrada, sem esforço de maior para os alcançar, há que ter cuidados redobrados com as aventuras. Sair da estrada rumo à beira do glaciar, sim, mas não cair na tentação de o subir sem equipamento e acompanhamento adequado. O que até nem é muito difícil pois só vê-los ali de perto já nos enche as medidas.

Blue Lagoon

Quando nos aproximamos é difícil acreditar no cenário que se vislumbra. Tem tanto de irreal como de espectacular.
Falamos da Blue Lagoon, um spa geotermal, que é uma das maiores atracções da Islândia e fica localizado em Grindavik, na Península de Reykjanes, a cerca de 40 km da capital.
A lagoa foi criada por um acidente em 1970, quando a vizinha instalação geotermal Svartsengi começou a descarregar águas ricas em sal, algas e sílica. Essas águas, de um azul inacreditável, ocuparam os campos de lava preta da envolvente. O resultado é um cenário de outro planeta, composto por um spa de água azul esbranquiçada, alimentada pela vizinha instalação geotermal, donde saem nuvens de vapor, ao qual se junta o vapor que resulta da diferença da temperatura da água, que é muito quente, à volta dos 38º C, e a temperatura ambiente, que é sempre inferior.

A isto junta-se ainda um ambiente natural rodeado de lava preta que contrasta fortemente com o azul da água, assim como um equilíbrio arquitectónico de todo o espaço, que para além da lagoa – que tem à sua volta elegantes decks de madeira, uma queda de água quente artificial, que proprorciona massagens revigorante, dois espaços de vapor e uma sauna-, tem uma série de edifícios de apoio, que incluem alojamento, restaurante, clínica, salas de conferências, loja.
Impressionante.

Igualmente relaxante e terapêutico. As águas quentes são ricas em minerais como a sílica, o que faz com que a Blue Lagoon para além da vertente de lazer, tenha reputação terapêutica para pessoas que sofrem de doenças de pele, nomeadamente a psoríase.
E também romântico. Pois é… 75% das mulheres inglesas que visitam a Blue Lagoon consideram que este é o local perfeito para serem pedidas em casamento…
Ainda que não seja económico desfrutar deste espaço, recomenda-se vivamente uma visita à Blue Lagoon. Depois de dias a percorrer o país de lés a lés e antes de nos despedirmos da Islândia é de aproveitar – a Blue Lagoon fica nas proximidade do aeroporto de Keflavik – para retemperar energias e oferecermo-nos esta experiência única e relaxante, que fecha com chave de ouro a viagem.

Landmannalaugar

Landmannalaugar ficará na nossa memória como uma das viagens de carro mais caras de sempre. A história conta-se rapidamente e em poucas palavras. Na Islândia há estradas de montanha, as F-Roads, nas quais somos avisadas por um autocolante no veículo que o seguro exclui-se a qualquer responsabilidade por danos aí existentes, sem dizer que a condução em veículos sem ser 4×4 é proibida nestes locais. Na entrega do carro nos escritórios somos depois informadas de que há uma multa de cerca de 500 Euros para pagar por o carro ter sido apanhado naquelas estradas pelo “rescue team do 112” e ficamos a pensar se no norte bem formado e incorruptível também não haverão fulanos supostamente a trabalhar para o Estado e paralelamente a fazer reports para as companhias privadas de rent a car. O certo é que o pagamento da multa já lá vai (cartão de crédito assim o permite) e a contestação mantém-se a caminho.
Por isso, a pergunta que se impõe: ao menos valeu a pena a multa? SIM.
E um conselho a qualquer viajante na Islândia: não deixe de alugar um veículo 4×4 para ir até Landmannalaugar, sim, para ir ao vale de Kaldidalur (neste ninguém nos apanhou), e para ir a todos os locais remotos que nos aproximam dos cenários mais incríveis e irreais.
Um esclarecimento e uma justificação, porém. As F-Roads por onde andámos eram todas perfeitamente transitáveis pelo nosso Suzuki Swift nesta altura do ano. Acreditamos que com neve e chuva se tornem difíceis e perigosas de conduzir – não era manifestamente o caso, e estradas ditas normais há que se encontram em muito piores condições do que os troços por nós utilizados. Apenas uma experiência lamentável que consideramos abusiva por parte da National Rent a Car.

Voltando a Landmannalaugar, a jornada é demorada, mas o cenário que vai sendo atravessado mantém-nos bem despertos. O preto da terra – terra de lava – com os vulcões, crateras e montanhas nevadas à sua volta não nos prepara para os coloridos que veremos mais à frente. Lagos de um azul idílico, montanhas pintalgadas aqui e ali do branco da neve e do verde da escassa vegetação, mas onde a cor dominante parece ser o arco-íris inteiro, tantas são as cores aqui representadas.

O riolito, um mineral, é o responsável por toda esta paleta de cores.
Do centro de Landmannalaugar, que pouco mais tem do que um apoio ao camping, saem inúmeras possibilidades de trekkings. Inclusive aquele que nos leva até Pórsmork – são cerca de 55 km a percorrer em 4 dias num trek que é considerado um dos melhores do mundo.
Infelizmente não passamos mais do que umas três / quatro horas por aqui, daí que apenas tenhamos caminhado junto aos montes Bláhnúkur e Brennisteinsalda, sem ter subido a este último. Pudemos, no entanto, admirar toda a beleza multicolorida deste cenário que mais parece um quadro tornado obra de arte. Junto às montanhas coloridas encontramos cavalinhos islandeses, pequenos riachos que vão passando entre a lava petrificada, vapores a sair da terra com cheiro a enxofre.
Esta é também uma zona geotermal e para tornar ainda mais apelativo todo este ambiente não faltam sequer umas piscinas naturais com água bem quente, a contrastar com o frio que se fazia sentir cá fora. Escusado será dizer que a Sofia não perdeu a oportunidade de picar o ponto nesta actividade, e ainda mais escusado será dizer que aproveitei a desculpa de ter de lhe segurar as roupinhas e tirar as fotos da praxe para me baldar à banhoca. Mais uma experiência vivida pela metade à conta da sempre presente preguiça (velhice?).

Ásbyrgi

Outro Canyon, outra deslumbrante e inesperada surpresa. Como se já não bastasse o Parque Nacional Jókulsárgljúfur acolher quedas de água poderosíssimas (Dettifoss à cabeça), inacreditáveis formações rochosas de basalto (Hljodaklettar) e infindáveis trilhos para caminhar, também este luxuriante Canyon marca presença, tornando obrigatória uma visita a este Parque Nacional. No entanto, verdadeiramente remoto e com acessos nada simpáticos, não se vêem assim tantos turistas por aqui.
Este Canyon de Ásbyrgi tem várias teorias sobre a sua criação, umas influenciadas pela mitologia norse, outras mais terrenas dos cientistas que defendem que foi após uma erupção de um vulcão donde resultou a inundação do rio JoKulsá á Fjollum que surgiu esta maravilha, em forma de U, de cerca de 3,5 km de extensão por 1 km de largura de vegetação intensa rodeada por um muro natural que chega a atingir 100 metros de altura.

Da estrada a caminho de Ásbyrgi já se consegue perceber a imponência do Canyon e espera-se mais deslumbre quando lá entramos. Mas, mais uma vez, a surpresa marca presença e não se previa, ainda que usando de toda a imaginação, que junto às brutais paredes de rocha do Canyon houvesse um recanto de tranquilidade, cortesia de todo o bom gosto da mãe Natureza, com um laguinho de água transparente. Desta vez não há fotografias que façam justiça ao lugar. Teremos que nos ficar pela saúde das nossas mentes.

Fjarðrárgljúfur

Conhecido como “a garganta da Islândia”, este Canyon perdido no sul da ilha entre o Skaftafell e Landmannalaugar – o que não quer dizer que fique a curta distância quer de um quer de outro – alcança-se através da Laki Road.
Na minha modestíssima opinião este Canyon leva o prémio nada modesto da mais surpreendente paisagem da Islândia (e são tantas!). Talvez por isso mesmo, por ser uma surpresa encontrar-se perto de um campo de lava uma fenda na terra de cerca de 2km de comprimento e uns bons 50 metros de altura nos pontos mais altos, numa combinação do verde mais vivo com o preto mais forte da rocha, sem esquecer a água cristalina lá bem em baixo. É preciso alguma coragem para nos aproximarmos dos penhascos enormes que nos fazem contemplar o Rio Fjadra como se estivéssemos num verdadeiro precipício. Mas vale a pena um passinho mais, assim como valeu a pena percorrermos toda a parte superior do Canyon, nós que tínhamos como objectivo inicial ver só como era a coisa. Se o nome é praticamente impossível de pronunciar e de memorizar, a lembrança da imagem essa ficará para sempre nas nossas mentes, com a feliz ajuda das fotos.