Landmannalaugar

Landmannalaugar ficará na nossa memória como uma das viagens de carro mais caras de sempre. A história conta-se rapidamente e em poucas palavras. Na Islândia há estradas de montanha, as F-Roads, nas quais somos avisadas por um autocolante no veículo que o seguro exclui-se a qualquer responsabilidade por danos aí existentes, sem dizer que a condução em veículos sem ser 4×4 é proibida nestes locais. Na entrega do carro nos escritórios somos depois informadas de que há uma multa de cerca de 500 Euros para pagar por o carro ter sido apanhado naquelas estradas pelo “rescue team do 112” e ficamos a pensar se no norte bem formado e incorruptível também não haverão fulanos supostamente a trabalhar para o Estado e paralelamente a fazer reports para as companhias privadas de rent a car. O certo é que o pagamento da multa já lá vai (cartão de crédito assim o permite) e a contestação mantém-se a caminho.
Por isso, a pergunta que se impõe: ao menos valeu a pena a multa? SIM.
E um conselho a qualquer viajante na Islândia: não deixe de alugar um veículo 4×4 para ir até Landmannalaugar, sim, para ir ao vale de Kaldidalur (neste ninguém nos apanhou), e para ir a todos os locais remotos que nos aproximam dos cenários mais incríveis e irreais.
Um esclarecimento e uma justificação, porém. As F-Roads por onde andámos eram todas perfeitamente transitáveis pelo nosso Suzuki Swift nesta altura do ano. Acreditamos que com neve e chuva se tornem difíceis e perigosas de conduzir – não era manifestamente o caso, e estradas ditas normais há que se encontram em muito piores condições do que os troços por nós utilizados. Apenas uma experiência lamentável que consideramos abusiva por parte da National Rent a Car.

Voltando a Landmannalaugar, a jornada é demorada, mas o cenário que vai sendo atravessado mantém-nos bem despertos. O preto da terra – terra de lava – com os vulcões, crateras e montanhas nevadas à sua volta não nos prepara para os coloridos que veremos mais à frente. Lagos de um azul idílico, montanhas pintalgadas aqui e ali do branco da neve e do verde da escassa vegetação, mas onde a cor dominante parece ser o arco-íris inteiro, tantas são as cores aqui representadas.

O riolito, um mineral, é o responsável por toda esta paleta de cores.
Do centro de Landmannalaugar, que pouco mais tem do que um apoio ao camping, saem inúmeras possibilidades de trekkings. Inclusive aquele que nos leva até Pórsmork – são cerca de 55 km a percorrer em 4 dias num trek que é considerado um dos melhores do mundo.
Infelizmente não passamos mais do que umas três / quatro horas por aqui, daí que apenas tenhamos caminhado junto aos montes Bláhnúkur e Brennisteinsalda, sem ter subido a este último. Pudemos, no entanto, admirar toda a beleza multicolorida deste cenário que mais parece um quadro tornado obra de arte. Junto às montanhas coloridas encontramos cavalinhos islandeses, pequenos riachos que vão passando entre a lava petrificada, vapores a sair da terra com cheiro a enxofre.
Esta é também uma zona geotermal e para tornar ainda mais apelativo todo este ambiente não faltam sequer umas piscinas naturais com água bem quente, a contrastar com o frio que se fazia sentir cá fora. Escusado será dizer que a Sofia não perdeu a oportunidade de picar o ponto nesta actividade, e ainda mais escusado será dizer que aproveitei a desculpa de ter de lhe segurar as roupinhas e tirar as fotos da praxe para me baldar à banhoca. Mais uma experiência vivida pela metade à conta da sempre presente preguiça (velhice?).

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