Mývatn e Krafla

Esta é uma das zonas mais nobres do país, no nordeste, perto de Akureyri e do Parque Jókulsárgljúfur (com a sua Dettifoss e o Canyon de Ásbyrgi), daí que 10 em cada 10 turistas caiam lá. Se o “Círculo Dourado” da Gullfoss, do Geysir e de Pingvellir, bem juntinhos da capital Reykjavik levam quase todas as atenções com o título de maiores atracções da Islândia, depois de conhecer estes dois circuitos ficamos com a certeza do tanto que vale a pena percorrer uma imensidão de kms até este nordeste para ver quem deveria levar a taça (já deu para ver que Gullfoss e Pingvellir – o Geysir é outra história – não nos encheu as medidas).
Mývatn é o nome do lago, mas toda a zona que o circunda é conhecida pelo mesmo nome. É como um grande parque de diversões. Aqui parecem existir quase todos os fenómenos naturais, e nem se sente a falta das omnipresentes quedas de água e glaciares pois esses há-os por quase toda a Islândia.
Lagos, pseudo-crateras, crateras reais – tanto de areia preta como de água azul –, vulcões ainda activos, campos de lava com formas esquisitas, montanhas de cor pastel, vapores emergindo da terra e, para concorrer com a grande estrela do sul, a sua muito própria lagoa azul.

 

Tudo o que vemos hoje, com estas características muito especiais, deve-se a uma série de acontecimentos vulcânicos. Mesmo hoje, com o Krafla ainda em actividade, a paisagem arrisca-se a mudar uma vez mais, e a possibilidade de a lava tudo invadir é bem real.

Voltando ao Myvatn, a melhor opção é usar o carro para dar a volta ao lago – cerca de 36km de estrada – e ir parando para umas caminhadas nas inúmeras atracções que vão aparecendo.

Primeira paragem para quem vem de Akureyri: Skútustadagígar e as suas pseudo-crateras que aparecem no meio do lago e vão formando elegantes ilhotas. Este fenómeno natural surgiu após a lava ter escorrido para a água e daí terem sucedido explosões donde resultaram estas pequenas crateras. É um bonito passeio de cerca de uma hora, contornando umas crateras e subindo sem esforço a outras.

 

Um pouco mais adiante encontramos o campo de lava de Dimmuborgir com as suas estranhas formações, arcos, caves e várias opções de trilhos, um dos quais leva-nos até à cratera do Hverfell.

 

A subida a esta cratera é um pouco mais cansativa, afinal fica a 463m de altura e depois de chegarmos ao topo é imprescindível fazer todo o seu percurso circular de cerca de 1000m, olhando para dentro e vendo a aridez da sua areia escuríssima, um interessante contraste com a paisagem fabulosa de 360º que nos é dada a ver de todo o lago.


Saindo do Mývatn em direcção ao Krafla e após passarmos por algumas fissuras na terra com água quentíssima, uma delas numa cave, e pela Lagoa Azul aqui do sítio – sem nunca nos esquecermos que esta é uma área geotermal natural – chegamos a Námafjall.
A montanha Námafjall e sua encosta Hverir, que aparecem de surpresa após uma curva em descida na Ring Road (o Námaskaro Pass), provocam-nos mais um espanto e encanto com os seus tons pastel. Mais uma boa caminhada (e será dura se se subir ao Námafjall) onde o único incómodo é o cheirete a enxofre da actividade sulfurosa das fumarolas que vão produzindo bolinhas desde a terra, deixando uma nuvem intensa e húmida à nossa passagem.

Chegando ao Krafla, a verdadeira atracção não é a montanha de mesmo nome, de 818m, ainda em actividade. Muito menos a estação de energia geotermal e suas turbinas. O que surpreende é vermos mais um campo de lava, imenso e passível de crescer ainda mais com novas erupções que, teme-se, poderão estar para breve. O contraste da lava seca e negra com as montanhas e o chão colorido de Leirhnjúkur, com mais bolinhas e bolinhas a saírem da terra a escaldar, e as ovelhas que por ali vão pastando faz-nos duvidar se estaremos a sonhar.
Um pouco mais à frente, a cratera Stóra-Viti dá-nos a certeza de que estas não são paisagens reais. Com a subida ao topo, não muito cansativa, para além de ficarmos com uma noção clara da região do Krafla e da destruição que este foi provocando ao longo do tempo, surpreendemo-nos – uma vez mais – com a água de um azul intenso dentro da cratera. Provavelmente a sua água será quente, mas dará para nadar? Diz quem sabe que a cratera do Viti, no interior da ilha, também tem água azul e quente e é uma das maiores experiências que se pode ter na vida – nadar nesse vulcão. Não confundir, no entanto, a cratera Viti com a cratera Stóra Viti, no Krafla.
Pronto, lá teremos de voltar à Islândia para completar os trabalhos que não chegaram a ser realizados.

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