NY – 5.ª Avenida

A 5.ª Avenida atravessa verticalmente quase toda a Manhattan. Começa na Washington Square Park e vai até ao Harlem.
Dai que aquela 5.ª Avenida das lojas exclusivas de que nos acostumámos a ouvir falar exista realmente mas vá muito além disso.
As lojas glamurosas de alta costura estão lá, sim senhor, como a Salvatore Ferragamo, Gucci e Prada, bem como a Cartier e a Tiffany´s Co (as outras emigraram para a Madison Avenue, uma rua ao lado, como a Givenchy, Valentino, Giorgio Armani, Versace, Dona Karan, Dolce & gabbana, Ralph Lauren…).
Bem perto convivem lojas mais populares, como as da Disney e da NBA, e outras que vendem de tudo sem qualquer espécie de glamour, como as inúmeras e desinteressantes lojas de souvenirs.


Exemplares de outras épocas, para além da Catedral de St Patrick´s, resta a mansão onde hoje está instalada a Cartier, ambas encravadas no meio dos prédios. Como o complexo do Rockefeller Center e, principalmente, o Empire State Building – o mais alto de NY. O edifício Flatiron, triangular e estreito, fica também na 5.ª Avenida.
Nesta imensa avenida existe ainda lugar para uma porção designada “Museum Mile”, junto ao Central Park, onde estão instalados alguns dos melhores museus do mundo: Metropolitan Museum of Art, Guggenheim Museum, Neue Gallerie, Frick Collection, Museum of the City of NY, El Museo del Barrio e, na rua ao lado, o Whitney Museum of American Art.
Chega?
Na 5.ª Avenida há espaço para tudo, a exemplo da cidade de NY.

NY – Chinatown

É como que uma cidade à parte.
Tem uma dimensão em área superior à de muitas sedes de concelho do nosso país. Economicamente e culturalmente então nem se fala. A superioridade é absurda.
Ainda por cima, Chinatown tem vindo a crescer, deixando a Little Italy, mesmo ali ao lado, o mero papel de um enclave (a propósito, em Setembro comemorava-se o Festival de San Gennaro, com os restaurantes e banquinhas de comes e bebes da Mulberry St engalanados para receber os convivas. Assim uma espécie dos nossos Santos Populares em ponto pequenino). Também o Lower Esat Side, tradicionalmente terra dos judeus, tem vindo a ser invadido pelos chineses e vietnamitas que não param de chegar a Nova Iorque.
Os nomes das ruas encontram-se expressos tanto em inglês como em chinês, pelas ruas fala-se mais chinês do que inglês (e do que o espanhol, a língua que dominará daqui a poucos anos) e é tão fácil arranjar um jornal chinês quanto um americano. Vêem-se chineses a conduzir as suas bicicletas, a jogar mahjong nos parques e a praticar tai-chi mesmo ao lado de miúdos que jogam basquete.
A confusão nas ruas é total. A principal e mais movimentada é a Canal St. Quem vai à procura das imitações dos produtos de marca é melhor levar a lição bem estudada, pois é certo que o mais fácil é perder-se nesta imensidão de centro comercial a céu aberto. Aqui tudo se vende, mas o mais interessante aos olhos desta que escreve são mesmo os mini-mercados que por aqui abundam, com produtos estranhíssimos mas, certamente, muito saborosos e com a grande vantagem de nos fazer variar na comidinha do nosso dia a dia.

NY – Soho

Soho é um acrónimo para “South of Houston Street”.
À atenção: os nova-iorquinos pronunciam “How-ston”, daí que não seja muito difícil que ocorram algumas barreiras quando se quer dizer o nome desta rua. Nós não entendemos, pelo menos à primeira, e eles topam logo que somos de fora, pelo menos se não pronunciarmos como eles querem o nome da rua em que se baseou o nome Soho.
O Soho preserva uma arquitectura típica, de edifícios de ferro fundido vindos da época industrial. Aqui se encontra a maior concentração de edifícios deste tipo do mundo, cuja preservação deveu-se em grande parte à força que os artistas, e outros, que por volta da década de 50 ocuparam o bairro. Em busca das rendas baixas que os lofts do Soho lhes proporcionavam, descobriram também esta singular arquitectura de ferro fundido, evitando a destruição do bairro pretendida pelos poderes públicos e garantindo, na década de 70, que o bairro viesse a ser legalmente reconhecido e protegido como uma zona histórica.
Apesar dos artistas e da maioria da fauna que lá residia terem fugido mais para baixo, designadamente para Tribeca, é ainda no Soho que se podem vivenciar das melhores experiências em Nova Iorque.
Para além das casas típicas e pictorescas com as escadas de emergência a desempenharem também a função de enfeite dos edifícios, as suas ruas têm algumas das melhores lojas de design da cidade, aí se encontram ainda algumas galerias de arte e também alguma arte urbana, como os grafitis nas paredes. Um dos máximos é a pintura deste prédio, aproveitando uma fachada lisa e sem janelas. Não foram esquecidos os gatinhos à espreita na janela.
O Soho é hoje considerada a meca das compras e é aqui que se podem encontrar as lojas de trapinhos e sapatinhos da moda. Se uma delas não se encontrar a fazer promoções em alguns dos seus produtos, a ideia mais inteligente a tomar é procurar a loja mais próxima, que será mesmo a do lado. Aqui é raro não existir sempre saldos de alguma coisa. Para nos ajudar, este site dá-nos uma ideia do que vai acontecendo em Nova Iorque em matéria de saldos.
E este dá-nos uma ideia da vida no Soho.

NY – Empire State Building

Alguém disse um dia que “You can live in New York all your life, but until you see it from the top of the Empire State Building, you haven’t seen the city.” (Podes viver a tua vida toda em NY, mas até a veres do topo do Empire State Building, ainda não conheceste a cidade).
A subida ao Empire State Building é mesmo obrigatória. Do topo tem-se não só a visão dos pássaros como também a visão que o King Kong já teve quando escalou o edifício e a visão que têm os astronautas quando disparam para alturas infinitas.
À data da sua construção, em 1931 (demorou menos de 2 anos a ser concluído), o Empire State era o edifício mais alto de Nova Iorque (e do mundo), destronando o Chrysler. Em 1973 perdeu esse posto para as Torres Gémeas do World Trade Center, entretanto recuperado pela implosão destas, em 2001, derivada dos ataques terroristas de que foram alvo.
São 381 metros de altura, 102 andares. Intitulado a Catedral dos Céus, e é bem verdade, pois daqui toca-se as nuvens e os céus. E parece que se toca também todos os outros arranha-céus da cidade, com os prédios de 9 e 10 andares reduzidos a uma qualidade próxima do tamanho das formiguinhas. Daquela altura, porém, consegue-se distinguir os táxis amarelos, omnipresentes por toda a cidade.
A vista é deslumbrante e fantástica, palavras sobejamente repetidas. Um bom exercício é procurar detectar os vários edifícios simbólicos da cidade e os contornos dos bairros. A nossa vista alcança quase até ao infinito e sabemos que a altura a que estamos do solo é também ela quase infinita.
A melhor altura do dia para subir até ao Empire State é o fim da tarde, quando ainda temos a luz natural, mas nos preparamos para receber a noite e as luzes dos prédios, das pontes, da rua e dos carros começam a acender.

O Empire State é um edifício comercial na sua base e de escritórios nos restantes andares. Como foi construído e concluído pela altura da grande depressão de 1929, grande parte dos seus escritórios permaneceram vazios durante mais de 10 anos. Para poder fazer face aos custos correntes do imenso edifício, os seus proprietários tomaram a decisão de abrir a plataforma de observação ao público.
O seu interior comercial tem corredore escuros e um ar pesadão, com muito mármore, como a maioria dos edifícios da 1.ª metade do século passado em NY. O seu lobby é em arte deco.
A iluminação dos últimos 30 andares vai mudando de cores conforme a época do ano e/ou determinado evento que se pretende celebrar. Pela época do Natal, as cores adoptadas são o encarnado e o verde, o que quer dizer que os americanos não perdem tempo, pois estas eram as cores que se observavam no Empire State Building em meados de Setembro.
A título de curiosidade, existe uma corrida anual intitulada de “Empire State Building Run-Up”. Vêm pessoas de todo o mundo para subir os 1576 degraus até à plataforma de observação no 86.º andar. O recorde masculino está fixado em 9:33m e o feminino em 11:51.
Interessantes as coisas para que um dos edifícios mais altos do mundo podem servir.

NY – Ponte de Brooklyn

É um dos símbolos de Nova Iorque.
O engenheiro que a concebeu, John A. Roebling morreu imediatamente antes do início das obras, e o seu filho é que viria a acompanhar e dirigir as obras, apesar de também ele ter tido um acidente que o deixou paralisado durante a construção.
Foi uma empreitada atribulada e dramática, na qual terão morrido cerca de 20 homens, a maioria dos quais devido à síndrome do mergulhador, causada pela descompressão.
Demorou 14 anos até ficar concluída, em 1883, passando a ligar Manhattan ao Brooklyn (até aí uma cidade independente) sobre o Rio East. Nessa altura era a maior ponte suspensa do mundo e a primeira de aço. As suas torres tinham, e têm, 276 pés de altura (aproximadamente 93m), sendo que quando foi construída o edifício mais alto da cidade tinha 281 pés e era a Trinity Church (vendo-a agora esmagada entre os arranha-céus, bem se vê o quão velhota e sobrevivente é a Ponte e a própria igreja).
A Ponte de Brooklyn costuma ser lugar de todo o tipo de protestos. Mas não só. É palco tradicional para a celebração do 4 de Julho – dia da independência – com fogo-de-artíficio que deixa a Ponte com uma iluminação diferente. Ficou, ainda, no imaginário da presente geração que assistiu aos nova-iorquinos a caminharem sobre a Ponte, em fuga desesperada, aquando dos atentados do 11 de Setembro de 2001.
Dizem ser a Ponte mais bonita do mundo. Pelo que observei, e pela possibilidade não tão comum de se poder atravessá-la caminhando, concordo (recordo a meia-maratona de Lisboa, em Março, único momento em que podemos atravessar a nossa Ponte 25 de Abril e, se nos deixarmos ficar para trás, fruir com toda a calma do mundo o Tejo e Lisboa).
Para além da sua beleza arquitectónica, com o emaranhado dos seus cabos de aço, o facto de a Ponte de Brooklyn não pensar apenas nos carros, contemplando uma via superior só para os peões (com as bicicletas ao lado), torna-a imbatível também no quesito carisma. São cerca de 1,5km de uma caminhada que, se for efectuada à “hora do rush”, nos permite ver o zunzun de carros lá em baixo e de pessoas junto a nós.
Uma vez atravessada a Ponte no sentido para Brooklyn, e já que estamos em Brooklyn propriamente dito, é imperdível a vista do skyline de Manhattan desde a Brooklyn Heights Promenade.
A Ponte de Brooklyn, a atestar o facto de ter já sido considerada a 8.ª maravilha do mundo, inspirou inúmeros artistas e foi por diversas vezes cantada, quer em verso, quer em prosa. Walt Whitman deixou escrito em poema que a bonita vista de cima da ponte é “o melhor remédio para a alma”. Jack Kerouac escreveu “The Brooklyn Bridge Blues”. Outros representaram-na na tela, como foi o caso de Georgia O´Keefe e de Joseph Stella.

NY – Vida de Rua

Um dos aspectos mais interessantes de Nova Iorque é a vida que se sente pelas suas ruas. Com o multiculturalismo, que a torna uma cidade cosmopolita, parece que passamos de uma cidade para outra em questão de quarteirões. Mas, à parte as aves raras das Madison e 5.ª Avs e dos vários bairros étnicos, o que é bonito de ver é também os pequenos grupos, ou artistas a solo, que decidem animar quem passa.
No Central Park alguém tomou a iniciativa de vedar uma área, ligar o rádio, alugar uns patins e determinar que se dançasse com as rodinhas debaixo dos pés. Era com cada cromo! Eu nem sem patins conseguiria mexer o corpo daquela maneira. Muito cool!
Outros optaram pelas danças com o pé no chão (excepto quando pulavavam muitos metros acima dele). Cativando os que passavam para que participassem no show e tentassem fazer os malabarismos que eles faziam.
Uma das coisas que impressionou pela negativa foi ver a quantidade de sem-abrigo que dormem pelas ruas. De dia andam de um lado para o outro com os seus pertences que cabem numa simples mala. De noite estendem-se no chão improvisando a sua casa e a sua cama. Alguns com óptimo aspecto (o que é isso de valorar o aspecto numa cidade em que ninguém olha para ninguém ou, pelo menos, finge não olhar?).
Também se vêem muitos a andar durante o dia sem rumo, falando sozinhos.
Talvez a terra das oportunidades seja também a terra em que mais nos encontramos pressionados para alcançar o sucesso. Daí à loucura será um passo. Ou terei ficado com uma imagem errada?

NY – Central Park

A ideia da construção de um imenso jardim para o povo surgiu em 1850, tendo por base a imagem dos grandes parques públicos de Londres e Paris. Se os 843 acres do Parque pareciam uma enormidade na altura, hoje então, com a ditatura do cimento, pareceria impossível implementar uma ideia inovadora como esta. Mas o mais incrível é que, após 150 anos, permanecem os 34,2 km2 de verde em pleno coração da cidade que, provavelmente, tem o m2 mais caro do mundo. E o Central Park fica, literalmente, paredes meias com a luxuosa 5.ª Avenida.
O que só vem reforçar ainda mais a ideia de que em Nova Iorque há espaço para todos
É de facto um privilégio que os nova iorquinos, e todos os visitantes, têm à sua disposição. Um verdadeiro oásis rodeado de prédios imensos, com o louco trânsito do lado de fora a milhas dos nossos ouvidos e da nossa mente. No entanto, na realidade, só nos fins-de-semana é que o trânsito não atravessa o Parque do East para o West Side, e vice-versa. Mas nem isso quebra o sossego dos pedestres, pois na concepção do Parque pretendeu-se que os trilhos para os pedestres e as vias para os carros ficassem separadas de forma a que nunca se cruzassem.
No Parque existem cerca de 93km de caminhos para percorrer e explorar, entre pontes e fontes, lagos, vida animal e vegetal. E inúmeros desportos e actividades para nos entreter.
Como teatro, no Delacorte, ao ar livre, que recebe anualmente pelo Verão a produção “Shakespeare in the Park”.
E música, com aqueles concertos que nos habituámos a ver com o público a prolongar-se por kms e kms.
É também palco para a instalação de várias obras de arte. Como foi o caso, em Fevereiro último, da criação dos artistas Christo e Jeanne-Claude, conhecidos por embrulhar diversos edifícios (como o Reichstag, em Berlim, e a Ponte Neuf, em Paris) ou até mesmo ilhas. No Central Park, com o seu projecto “The Gates” optaram por desfraldar 7,5 mil bandeiras de tom açafrão por cerca de 36 km. A opção do mês de Fevereiro para realizar a instalação deveu-se ao facto, segundo os autores, de este ser o único mês do ano em que as árvores se encontram nuinhas, sem as suas folhas, pelo que assim se poderia ver o colorido dos “portões” de longe.
Este Inverno, e por alguns dias, serviu então para dar outra cor e luz ao Parque, já que nessa época do ano o Central Park muda de cara. Os lagos ficam congelados e a neve que enche os seus caminhos possibilita que se esquie.

Quanto à minha experiência pelo Central Park, escolhi um domingo para aí passear, à semelhança do que fizeram muitos nova-iorquinos. Uns corriam, pedalavam – em 2, 3 ou 4 rodas –, patinavam – com ou sem stick de hockei na mão – ou, simplesmente, caminhavam. Outros, sentados ou deitados, apanhavam sol, vestidos ou em calções ou biquini. Havia quem preferisse relaxar na relva a ouvir a música tocada ao vivo por um daqueles artistas com viola a tira-colo que animam os domingueiros. Ambiente de 5 estrelas, pois então. Um dos aspectos que mais marcou foi ver pessoas – ao domingo – a praticarem o seu exercício em grupo ou sozinhos. Não há companhia no dia que alguém destinou dedicar à família? Não faz mal, o que importa é aproveitar os raios de sol no parque mais carismático do mundo.

De quem são os bairros em Manhattan


Uma das características de Nova Iorque, em especial Manhattan, é o facto de aqui existir espaço para todas as pessoas e culturas. Brancos, pretos, mulatos, amarelos e queimados da praia. De todos os credos e sem credo. Ricos, remediados e pobres. Trabalhadores e desocupados. Bem vestidos, mal vestidos, com grande predominância para o casual.
Não sei se deste caldeirão sairá um bom cozinhado, tenho esperança e desejo que sim. Todavia, acredito que existam problemas sociais graves, mas o facto é que para um viajante de fora sabe bem sentir-se confortável no meio de uma multidão de diferentes coloridos.
O Lower Manhattan é dos yuppies, dos homens de negócios.
Um pouco acima é território de chineses, italianos, judeus, ucranianos (com a Chinatown com um crescimento imparável sobre os vizinhos).
Tribeca, Soho e Village (East e West), antigo berço da contracultura e da geração beat, segue com um carisma muito próprio, com bares e restaurantes (étnicos) sempre em alta.
Chelsea é dos galeristas de arte, em fuga da subida das rendas no Soho.
Midtown é dos turistas em compras pela 5.ª Avenida, em visita a alguns dos edifícios mais emblemáticos da ilha, enchendo a Times Square com ainda mais cor após o final dos espectáculos da Broadway.
Os Upper East e West Sides, com o Central Park a dividi-los, são lugares onde vivem os nova-iorquinos de mais posses – diz-se que os do East são mais conservadores e têm mais dólares e os do West são mais liberais e têm mais queda para as artes.
O Central Park é dos desportistas (praticamente qualquer desporto tem aqui lugar) e daqueles que gostam de passear sem as montras como obsessão.
Depois, bem, depois vem logo o Harlem, o mítico “neighborhood” a dois passos do Central Park. Este ainda é o lugar do gospel, do Apollo Theater e de grande maioria negra.
Os latinos, esses, estão por todo o lado. Daí que qualquer pessoa que não saiba falar inglês se oriente por aqui às mil maravilhas (sem ponta de exagero) se falar espanhol.

Em conclusão, um pouco de estatística acerca desta diversidade:
Dos 8 milhões de habitantes (nos 5 grandes bairros de NY – Manhattan, Brooklyn, Queens, Bronx e Staten Island), 62% são brancos, 16% pretos, 15% latinos e 5,5% asiáticos. Estima-se que uns 32% da população nova-iorquina tenha nascido fora dos EUA.