Parque da Mata da Madre Deus

Para lá do Vale de Chelas, na sua encosta leste, fica o Parque da Mata da Madre de Deus, entre o bairro de mesmo nome e o da Quinta do Ourives. São cerca de 5 hectares de natureza recuperada pela Câmara Municipal de Lisboa e mantida pela Junta de Freguesia do Beato.

O bairro da Madre de Deus foi projectado por volta de 1933, destinando-se a habitação económica pública promovida pelo Estado. A ideia era que, através do pagamento de uma prestação mensal (a renda económica), as casas geminadas unifamiliares de dois pisos e com logradouro se tornassem propriedade dos moradores ao fim de alguns anos. A construção do bairro arrancou em 1939, tendo sido ampliado na década de 1950. Até então, esta era uma zona da cidade, junto com Xabregas e Beato, de bairros de operários que trabalhavam nas fábricas da zona oriental da cidade. Construído o bairro da Madre de Deus, o terreno baldio junto ele manteve-se durante muitas décadas ao abandono, até à sua transformação em parque.

Nas costas do polidesportivo do Beato esconde-se uma mata frondosa, composta por uma vegetação autóctone de freixos, oliveiras (com troncos intrincados), alfarrobeiras e outras espécies que aqui foram introduzidas ao longo dos tempos, como pinheiros mansos, pimenteiras e eucaliptos.

Os caminhos, adaptados a um constante sobe e desce provocado pela inclinação do terreno, são percorridos sob as copas das árvores com diversas tonalidades de verdes, ou castanhos, conforme a época do passeio. E acompanhados pelo som dos passarinhos, os mais prováveis deles os melros, sendo ainda possível cantar por perto um estorninho-preto, uma toutinegra-de-barrete, um pisco-de-peito-ruivo ou um tentilhão.

As sombras são garantidas. Assim como as vistas para o Vale de Chelas, o Alto Pina e o cemitério do Alto de São João, mais abertas no anfiteatro junto à descida para o bairro da Quinta do Ourives. O Parque tem ainda zona de merendas e até um campo de petanca, mas são as árvores o seu grande protagonista.

Deixe um comentário