Quinta das Conchas e dos Lilases

A Quinta das Conchas e dos Lilases, no Lumiar, é hoje a terceira maior área verde de Lisboa, apenas ultrapassada por Monsanto e pelo Parque da Bela Vista.

A origem destas quintas remonta ao século XVI. Eram então duas propriedades separadas e assim permaneceram até ao final do século XIX quando Francisco Mantero as adquiriu. Comerciante nas colónias ultramarinas e proprietário de roças em São Tomé e Príncipe, quando Mantero tomou a Quinta dos Lilases para si esta era uma típica propriedade agrícola às portas da capital, lugar de veraneio por excelência, composta por palacete (ainda hoje com fachada virada para a Alameda das Linhas de Torres), cavalariça e picadeiro, jardim de inverno e zona agrícola. O roceiro foi recuperando e ampliando a quinta onde se propôs viver – e viveu – grande parte do seu tempo, e entregou ao arquitecto Norte Júnior a missão de projectar uma solução para a união dos dois corpos do edifício de habitação da quinta.

É essa obra, uma galeria em ferro e vidro que rasga a fachada, que ainda hoje podemos admirar desde o jardim. Mas Mantero fez mais do que conferir um ambiente colonial ao edifício principal da quinta. Na Quinta dos Lilases construiu um lago artificial com duas pequenas ilhas em representação de São Tomé e Príncipe. E na mata da Quinta das Conchas construiu um outro palacete.

Em 1968 a família Mantero acabaria por vender ambas as propriedades à Câmara Municipal de Lisboa e desde 2005 a Quinta das Conchas e dos Lilases apresenta-se requalificada e transfigurada de zona de produção agrícola para um imenso jardim com cerca de 25 hectares. Rodeado por prédios, este é um oásis urbano onde se encontra lado a lado tranquilidade, animação e até mistério.

A Quinta dos Lilases, mais discreta e separada pela das Conchas por um muro, parece algo descuidada. Para além do edifício principal e do lago, encontramos aqui uma zona de pomar comunitário.

É a Quinta das Conchas, com o seu extenso e luminoso relvado, que rouba (quase) todas as atenções. O manto de relva com diversos ambientes é quase infinito.

Ao longo dele temos árvores, um grande lago, parque de merendas, parque infantil com tobogãs, cafeteria e restaurante com esplanada e até um palco no meio de todo este espaço. No Verão costuma haver aqui cinema ao ar livre. A água é um elemento com uma presença marcante, não apenas pelo lago, mas também pela espécie de levada que segue ao longo do relvado e pela parede em cascata na parte superior do jardim.

Ao contrário da plana Quinta dos Lilases, o jardim da Quinta das Conchas tem um pequeno declive. Declive esse que se torna ainda mais acentuado na mata da Quinta das Conchas. Este é o terceiro espaço bem definido que, em conjunto, constituem este Parque. Há uma série de caminhos que se cruzam, quase um labirinto, por entre uma mata de cipreste do Buçaco. A vegetação é densa e em nenhum lugar como na mata nos sentimos mais longe da selva de pedra que está ali mesmo ao lado. Todavia, um pouco por todo o Parque encontramos espécies arbóreas e um coberto vegetal rico e variado o que não é, de todo, costume em espaços verdes urbanos.

Já se percebeu onde está a tranquilidade e a animação, mas falta o mistério. Pois bem. Embrenhados pela mata, uns metros caminhados e uns segundos respirados logo dão para sentir um ambiente bem diferente. Onde irão dar aqueles caminhos que quase não deixam entrar os raios de sol? A muitos lados, mas de propósito ou por acaso transportam-nos até um palacete abandonado no meio da mata. O tal construído por Francisco Mantero no princípio do século XX. Hoje uma ruína, a sua elegância é ainda visível, com destaque para as janelas em arco no segundo piso. Histórias e lendas não lhe faltam e conta-se que o lugar está assombrado por uma são-tomense por quem Mantero se apaixonou e que para aqui trouxe cativa. A atmosfera da mata não nos deixa duvidar da lenda.

Tapada da Ajuda

Numa época em que andamos todos ávidos por espaços ao ar livre, eis uma boa notícia para Lisboa: em Janeiro de 2021 a Tapada da Ajuda reabriu com novos percursos pedonais e cicláveis e uma nova ligação a Alcântara e a Monsanto. Este é o resultado da parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa e o Instituto Superior de Agronomia (ISA) no âmbito de Lisboa Capital Verde 2020, estando ainda prevista a criação de dois parques hortícolas cujos talhões ficarão à disposição dos munícipes interessados. E assim tudo se torna mais fácil para partirmos à (re)descoberta do património ambiental, histórico e arquitectónico deste parque botânico com 100 hectares numa tapada que já foi real e que hoje é parte integrante de um campus universitário – são inúmeros os caminhos por entre campos agrícolas, hortas, pomares, prados, vinhas, jardins, arboretos, com diversas espécies domésticas e exóticas.

Os solos desta zona da cidade sobranceira ao rio Tejo e a sul da Serra de Monsanto são de origem calcária e basáltica. Bons para agricultura e senhores de um bom clima. Durante a dinastia Filipina, que governou Portugal entre 1580 e 1640, o que hoje conhecemos como Tapada da Ajuda era utilizado como terreno de caça. Aí perto ficava o Paço do Calvário (ou de Alcântara). Após a Restauração, D. João IV murou os terrenos e como que oficializou a Tapada, fazendo dela lugar de caçadas reais e de recreio. Era então a Real Tapada de Alcântara, tornada Real Tapada da Ajuda quando os reis se mudaram para o vizinho Palácio da Ajuda. Foi ainda no tempo da monarquia que a Tapada começou a abrir-se ao público, como lugar de passeios e exposições – o Observatório Astronómico e o Palácio de Exposições são edifícios construídos na segunda metade do século XIX cujo valor arquitectónico perdura até hoje. Em 1917, após a implantação da República, o ISA foi criado e implantado em terrenos da Tapada, que entretanto deixou de ser real, e em 1956 foi instituído o Parque Botânico da Tapada da Ajuda.

Estes dois factores – escola agrícola e parque botânico – foram fundamentais não apenas para a preservação florestal e ambiental da Tapada, mas também para o seu desenvolvimento, com um incremento na sua vertente paisagística e vegetal. Ou seja, desde a instituição do ISA os elementos existentes na Tapada serviram de fonte indispensável ao ensino, mas a par dos autóctones bosques de zambujeiro foram sendo plantadas diversas outras espécies exóticas.

Comecemos, então, a nossa visita pela Tapada da Ajuda. Com quatro entradas à escolha, optámos pela da Rua Jau, subindo directamente para o edifício principal do ISA. À nossa direita, pomar, à nossa esquerda, vinha. Já lá em cima, tomamos a direita para descer pela Rampa da Asneira, designação curiosa que se fica a dever ao facto de aquando da construção do ISA ter havido um engano na orientação da planta do projecto. E a partir daqui logo nos embrenhamos pela luxúria da vegetação da Tapada. Castanheiro, cipreste, carvalho, araucária, zambujeiro e palmeira são apenas alguns dos exemplos de espécies arbóreas pelas quais nos vemos rodeados.

Até que, quase escondido por entre a vegetação, damos com o surpreendente Anfiteatro de Pedra. Construído na década de 1940, a sua acústica era muito gabada, mas as estradas que foram surgindo nas imediações trouxeram o aumento dos níveis de ruído e essa qualidade perdeu-se. Resta, porém, o extraordinário ambiente cénico do lugar.

Para lá do muro paredes meias com o Anfiteatro fica o estádio da Tapadinha, sede do Atlético Clube de Portugal, mais um símbolo local. Continuamos caminho pela longa alameda que acolhe alguns dos edifícios do campus, como o da biblioteca, e que acompanha o enorme prado verde da Terra Grande. Este é um ponto mais elevado e as vistas para o Tejo, com a Ponte 25 de Abril em destaque, são uma beleza.

Após este excelente aperitivo, entramos no Jardim da Rainha e Jardim da Parada. Volta a exuberância vegetal proporcionada por algumas espécies exóticas, mas aqui temos ainda outros atractivos, como uns bancos revestidos com painéis de azulejos, um lago e um bom pedaço de relva para nos estendermos no meio desta tranquilidade.

É para lá destes jardins que encontramos o mais bonito e admirável edifício da Tapada: o Palácio de Exposições. Construído em 1884 para a III Exposição Agrícola de Lisboa, era então rei D. Luís, o seu projecto ficou a cargo do arquitecto Pedro de Ávila. A época era a dos edifícios em ferro e vidro e este projecto pretendia não ficar atrás de exemplos como o do Crystal Palace, no Hyde Park de Londres, o do Trocadero, em Paris, ou o do Palácio de Cristal, no Porto. O lisboeta é de uma elegância tocante, longo e ligeiramente ovalado no seu corpo em vidro com um torreão central e dois laterais, uma imagem romântica perfeita.

À volta deste Palácio vemos alguns edifícios como a abegoaria, a antiga vacaria e o chalet da Rainha D. Amélia e até algumas casinhas de habitação. Mais adiante, o Auditório da Lagoa Branca, diante da lagoa sem água.

Nesta parte da Tapada encontram-se diversos exemplares de minas de água, alguns deles do tempo de D. João V, quando abasteciam os terrenos agrícolas, a real tapada e as quintas vizinhas. A riqueza em água da Tapada deve-se às suas características geológicas, calcários de Lisboa e basalto de Monsanto.

E aqui fica, também, outro dos pontos mais bonitos da Tapada, a Alameda das Oliveiras. É uma estrada, agora ciclável, ladeada em ambas as bermas por dezenas de oliveiras, tendo como resultado uma imagem que esperaríamos encontrar no campo e não numa cidade. Lá vamos, então, sob as oliveiras e com a companhia da vinha, de um lado, e da mata, do outro.

Ao cimo desta Alameda, um pequeno desvio deixa-nos no miradouro da Tapada. A 134 metros de altitude encontramos um dos marcos geodésicos mais antigos do nosso país. O terraço onde assenta a plataforma do miradouro é mais um pequeno encanto, revestido a azulejos de tons azul e branco. A vista, essa, tem tudo para ser magnífica, mas o muito e denso arvoredo não deixam que seja totalmente desafogada.

Já quase no Alvito, para onde há agora uma ligação com a entrada do Portão de Monsanto, seguimos pela mata e eira, onde cavalos pastam livremente. E antes de retornarmos deixámos-nos estar a apreciar as meninas a jogar rugby – não era o Agronomia, mas era o nosso Sporting.

De volta ao coração da Tapada, a vegetação é quase indomável em certos pontos, como aquele onde está o Tanque de Santo António, que apesar de escondido na erva alta ainda hoje fornece água para as hortas vinda de uma mina. Passamos por mais um lago e pelo Banco de Junot, onde se diz que o militar das tropas de Napoleão gostava de vir ver o pôr-do-sol quando se instalou em Lisboa durante as Invasões Francesas.

E chegamos, enfim, ao Observatório Astronómico de Lisboa, outro dos edifícios mais distintos e importantes da Tapada. Em 1850, os astrónomos Faye, francês, e Strave, russo, sugeriram a D. Pedro V a sua construção, uma vez que entendiam ser Lisboa o lugar ideal e único em toda a Europa para a luneta zenital encontrar a estrela Argelander. E assim se construiu o Observatório, em estilo neoclássico, ainda hoje a instituição de referência para o estabelecimento da hora legal de Portugal. Diante si temos um pequeno jardim com canteiros onde descobrimos um belo dragoeiro. Na verdade, percebemos logo depois, há mais dois dragoeiros à entrada da fachada com colunas do Observatório, dando-lhe um enquadramento pitoresco.

Encaminhando-nos para a saída da Tapada, a tal área de vinha que viramos à entrada estende-se agora de forma larga, com diversas castas plantadas. E, para terminar esta visita de forma grandiosa, eis a imagem do casario de Alcântara com a Ponte e o Cristo-Rei de braços abertos a proteger a Tapada da Ajuda.

Parque Ribeirinho Oriente

O Parque Ribeirinho Oriente, na Doca do Poço Bispo, é o mais recente espaço verde de Lisboa, inaugurado em Fevereiro de 2020. Amante de jardins e de rios, este seria sempre um lugar a visitar, mas dá-se o caso de ser sua vizinha e de ter testemunhado a evolução da sua gestação, nascimento e crescimento em pleno confinamento pandémico. Resultado? Entrou imediatamente para a lista dos meus preferidos. Merecidamente, diga-se.

A Matinha (Matinha, Poço Bispo, Braço de Prata: tudo nomes para designar praticamente um mesmo lugar em Marvila em que apenas os locais parecem saber a diferença) é uma antiga zona industrial, decadente nas últimas décadas mas que hoje vem emergindo com a revitalização dos seus armazéns e espaço público. Nos últimos anos tem vindo a ser finalmente construída a nova urbanização de Braço de Prata, parece que agora definitivamente denominada Prata Riverside Village, um projecto do arquitecto Renzo Piano. E é diante si, apenas separada por uma ciclovia de mão dupla, que se espraia este novo Parque, por enquanto apenas 600 metros desde a Doca do Poço Bispo até à direcção dos gasómetros da Matinha, mas espera-se que dentro de poucos anos seja estendido até à Marina do Parque das Nações, num total de 1,5 quilómetros de frente de rio devolvida aos lisboetas.

O enquadramento paisagístico do lugar, totalmente aberto ao Tejo, é fantástico, sobretudo num daqueles dias luminosos em que a água do rio faz de espelho. E, depois, o projecto executado tem uma qualidade à altura, precioso nos seus detalhes que o integram na perfeição com a zona.

Por enquanto, permanecem armazéns em ruína e o pontão abandonado e ferrugento (e perigoso), e até vestígios de embarcações a boiar, para nos lembrarmos do passado recente. Escasseia já a imagem dos pescadores no pontão, mas a pesca desportiva é permitida ao longo de toda a restante frente ribeirinha. E, entretanto, para além da ciclovia que atravessa o Parque juntamente com caminhos para se correr ou passear por entre as recém plantadas árvores como pinheiros mansos, freixos, oliveiras e sobreiros, foi construído um parque infantil, diversos apoios e mobiliário urbano.

Projecto das arquitectas paisagistas Filipa Cardoso de Menezes e Catarina Assis Pacheco, do atelier F | C, os seus detalhes são perfeitos, já se disse. O parque para os miúdos está instalado na areia e é uma estrutura para trepar feita de troncos e redes de cabos de aço que se levantam e entrecruzam, aludindo à imagem dos mastros dos barcos e das redes de pesca que eram presença no rio.

Os apoios do parque, como wc, cafetarias, aluguer de bicicletas e biblioteca, estão todos instalados em contentores marítimos reconvertidos para o efeito, mais uma alusão à memória do lugar.

A escolha do mobiliário urbano não poderia seguir caminho diferente, e olhando para os candeeiros em aço do Parque facilmente somos transportados para o seu passado industrial.

Já os bancos de madeira à beira rio, em especial as espreguiçadeiras, foram desenhados para que pudéssemos ter um momento em que não pensássemos em nada, nem passado, presente ou futuro, só o agora, debaixo do sol com a companhia da brisa do rio.

Caminhando pela nova frente ribeirinha, vemos ao fundo o paquete Funchal, há anos ali ancorado, e uma pequena língua de areia junto ao pontão. Uma praia, portanto. A zona convida a um mergulho e posso garantir que é bem salgado.

O rio é um personagem magnético, custa tirar os olhos dele, mas por uma vez há que fazer um esforço e olhar para o chão. O pavimento do Parque tem aqui e ali umas gravuras de aves como a garça-real, a cegonha e o pato-real, remetendo para a ideia (deliciosa) da sombra destas espécies da avifauna local. Natureza, história, cultura e arte, que mais poderíamos pedir a um jardim?

Parque da Bela Vista e Vale da Montanha

Do Parque da Bela Vista quase todos terão ouvido falar, por aqui se realizar o Rock in Rio. Mas conhecê-lo-ão para lá de todo o folclore? Saberão que esta é a maior mancha verde de Lisboa depois de Monsanto? E que desde 2018 tem a companhia do Parque Urbano Vale da Montanha?

Situados em Marvila, zona oriental da cidade, estes dois parques estão longe de ser centrais, mas à boleia da ideia do Corredor Verde de Lisboa possuem uma ligação não apenas entre eles mas também com o centro da cidade.

Comecemos este passeio pelo Parque da Bela Vista pela sua entrada norte, depois de percebermos as vinhas com vista para o aeroporto que preenchem uma das colinas vizinhas. A partir dos anos 1960 a zona foi sendo ocupada por vários conjuntos habitacionais que vieram urbanizar Chelas. Até aí este era um território de quintas e hortas, pura ruralidade, ambiente que retém até hoje apesar dos prédios que agora o rodeiam. A origem do Parque é, precisamente, essa, antigas quintas que se tornaram um enorme espaço verde. São 85 hectares e logo à entrada podemos apreciar o fantástico vale que se debruça abaixo de nós e o largo espaço que ocupa. São sobretudo zonas de prado e de relvado, com muito arvoredo – oliveiras, pinheiros e sobreiros – e caminhos à mistura.

Instalada numa colina que se levanta algo abrupta sobre a Avenida Gago Coutinho, as suas partes mais elevadas servem de miradouro para uma grande parte da cidade de Lisboa. De forma mais imediata, praticamente ao esticar de uma mão, temos o bairro de Alvalade e do Areeiro, constantemente alvos de razias dos aviões que em breve aterrarão na pista ali perto. Mais ao fundo, o rio Tejo. A vista da larga clareira central é fantástica e o desenho ondulante do jardim encaixa na perfeição no vale.

Vale abaixo não caímos logo no Tejo, antes atravessamos a Avenida Marechal António de Spínola (que liga Braço de Prata à Gago Coutinho) por cima do seu viaduto. O Parque da Bela Vista continua com os seus caminhos, mas agora estamos na sua vertente sul, cada vez mais perto do vale das Olaias.

É aqui que se lhe junta o novo Parque do Vale da Montanha, mais 11 hectares de caminhos pedonais e cicláveis que com a Bela Vista se confundem. O nome “Montanha” toma o de uma antiga quinta que aqui existia e que até há pouco tempo partilhou o terreno com hortas e com construções de habitação ilegal. Já não estamos numa colina, antes na encosta do vale que foi aproveitada de forma brilhante para a implementação deste parque. Como acima referido, o Parque Vale da Montanha foi construído no âmbito do desenvolvimento do Corredor Verde Oriental de Lisboa, constituindo uma linha de continuidade em relação ao Parque da Bela Vista, sendo não apenas um espaço verde, mas também de ligação a outros espaços verdes envolventes. Esta ideia de Corredor Verde está intimamente ligada à necessidade das zonas urbanas das cidades face à existência de espaços verdes que lhe sirvam numa dupla função de paisagem e recreação.

O desenho do Vale da Montanha e as ideias expressas acima podem ser apreciadas na perfeição desde a ponte pedonal e ciclável que nos leva até à colina do Casal Vistoso (Areeiro) ao atravessar o vale das Olaias. A linha de comboio corre no seu sopé e não é ofensa nenhuma afirmar que linhas férreas não costumam ser áreas muito valorizadas em termos paisagísticos. Mas esta obra de requalificação veio mudar todo esse cenário e num risco um espaço marginal à cidade tornou-se uma beleza que merece ser vista e desfrutada.

E com ela ficámos com as Avenidas Novas ligadas a Marvila de uma forma engenhosa, mas natural e pura.

As 10 Praças e Largos mais Bonitos de Lisboa

Eleger as praças e largos mais bonitos de Lisboa não é tarefa fácil, tal a profusão de beldades neste quesito. A ideia é fugir ao mais óbvio e conhecido, e se aqui não encontramos o Terreiro do Paço (Praça do Comércio), o Rossio, a Praça do Município e a Praça Luís de Camões não é por esquecimento, é antes por estas estarem já na Liga dos Campeões deste reconhecimento.

Praça das Flores – Entre o Príncipe Real e São Bento, esta é uma das zonas mais agradáveis e carismáticas da cidade, onde a faceta residencial surge aliada à faceta mais boémia. Um pedaço de tranquilidade sob o arvoredo durante o dia, pela noite são muitas as opções de qualidade para jantar ao longo da praça.

Largo São Carlos – No final do século XVIII construiu-se aqui o neoclássico Teatro São Carlos e quase cem anos depois aqui haveria de nascer e viver, no número 4 que lhe está mesmo em frente, Fernando Pessoa, poeta maior da cidade e da língua portuguesa. Espaço cultural de excelência, em dias de récitas é ver (ainda) os visons a saírem à rua, no mesmo espaço onde já é também tradição celebrar-se o mais popular Festival ao Largo.

Largo do Carmo – Situado num dos cantos do Chiado, este é um dos lugares mais históricos da cidade. Entre vários edifícios que foram palacetes, aqui fica o antigo Convento do Carmo (uma ruína cheia de atmosfera com o seu portal gótico intacto) – com o exuberante oitocentista tardo-barroco Chafariz do Carmo diante si – e o Quartel do Carmo. Ambos testemunhos de dois dos episódios que marcaram e marcam o urbanismo e a liberdade da cidade e do país, o Terramoto de 1755 e a Revolução dos Cravos de 1974.

Praça de São Paulo – Numa das mais animadas zonas de Lisboa, perto do Cais do Sodré, fica esta praça encimada pela igreja que lhe dá nome. A Igreja de São Paulo já não é a original do século XIV, destruída pelo Terramoto, antes outra construída na sequência desta tragédia. Na placa central da Praça com calçada típica portuguesa encontramos um chafariz-obelisco e quiosques em ferro forjado, tudo elementos que conferem uma beleza harmoniosa ao conjunto.

Largo Dr. José de Figueiredo – Com o nome do primeiro director do Museu Nacional de Arte Antiga, na Rua das Janelas Verdes, este largo monumental é um dos mais cénicos de Lisboa. O Chafariz barroco com bicas com carrancas e uma escultura de Vénus a encimá-la e uma escadaria de ambos os lados dão o enquadramento perfeito para os edifícios todos diferentes mas cheios de coerência que ladeiam esta praça em forma de U.

Praça do edifício Sede da Edp – Junto à Avenida 24 de Julho, o novo edifício dos arquitectos Aires Mateus deu à cidade uma das suas mais recentes praças e talvez a mais não convencional. Para além dos blocos de escritórios da empresa eléctrica, o propósito foi também o de criar um espaço público que pudesse ser usufruído por todos e não apenas pelos funcionários que ali trabalham. Esta praça é uma pequena obra de arte, com uma cobertura futurista que joga magistralmente com a luz natural e que nos dá ao mesmo tempo uma sensação de recolhimento e de passagem.

Largo da Achada – Situado na Mouraria, o seu nome derivará do facto de este ser um lugar relativamente plano, ideal para recolhimento na encosta, provindo “Achada” de “terra chã”. Num dos cantos do Largo fica a Casa da Achada, Centro Mário Dionisio, que no Verão se encarrega de aqui passar cinema ao ar livre, e no outro uma fachada de arte urbana pintada por Andrea Tarli, ironicamente retratando uma velha moradora e um turista intrusivo. São dois apontamentos modernos em lugar muito antigo, onde se destaca um edifício com porta e janela ogival, diz-se que um sobrevivente do Terramoto.

Beco do Jasmim – Ziguezagueando pelas labirínticas ruas do bairro da Mouraria, esta praça com declive acentuado bem aproveitado por umas escadarias é rodeada de edifícios mas tem uma árvore no meio. Pode levar “beco” no nome mas é um espaço relativamente amplo para os padrões do bairro e aqui o privado e o público confundem-se, fazendo deste um lugar óptimo para se estar. Escusado será dizer que, à semelhança do Largo da Achada, é um dos lugares mais procurados por altura dos Santos Populares.

Praça da Viscondessa dos Olivais – Nos Olivais Velho, outrora arrabalde de Lisboa onde no século XVII a nobreza da capital começou a construir as suas quintas de recreio, esta praça ainda dá ares de tempos que já lá vão. Tanto, mas tanto, que foi possível ver um senhor sentado num dos bancos da praça com um rechonchudo porco quando lá passei para tirar esta foto. À volta da praça com o seu coreto, cruzeiro e chafariz encontramos diversos edifícios que compunham o conjunto urbano então conhecido como Rossio (e a Igreja Matriz de Santa Maria dos Olivais nas suas traseiras). Um deles é a Casa Viscondessa dos Olivais, mais tarde transformada em asilo para crianças pobres e hoje um jardim de infância.

Praça Afrânio Peixoto – Esta deve ser a praça mais desconhecida desta lista. Situada no Areeiro, é uma praça-jardim junto à linha do comboio, mas acaba por ser um lugar escondido. Os prédios à sua volta estão dispostos em forma de U invertido e todos têm vista para um lago protegido por árvores. Por um deles ser a casa da tia, conheço o lugar desde pequena e se em tempos idos era mal frequentado e perigoso depois do entardecer, hoje é um luxo podermos sentar numa das cadeiras que acompanham as mesas e aí fazer um piquenique à beira da água.

Lisboa em Pinturas

Lisboa é linda. Sempre o foi.

Muitos pintores a retrataram ao longo dos séculos, mas aqui fica uma viagem pela cidade e seus motivos durante o século XX, com dois bónus fora desse tempo.

Alfredo Keil, Vista de Lisboa desde o Ginjal, finais do século XIX
Francis Smith Lisboa, Alfama, 1920
Sarah Afonso, Varina, 1924
Mário Eloy, Bailarico no Bairro, 1936
João Hogan, Casario de Lisboa, 1952
Abel Manta, Praça de Camões, 1954
Nikias Skapinakis, Pátios de Lisboa, 1956
Mário Cesariny, Vista sobre Lisboa, 1958
Carlos Botelho, Colinas de Lisboa, 1969
Maria Helena Vieira da Silva, A Poesia está na Rua, 1974
Maluda, Lisboa, 1988
Rui Carruço, Bairro Alto, 2018

Jardim Amália Rodrigues

Acima do miradouro do Alto do Parque, desde 1996 temos mais um jardim na cidade, o Jardim do Alto do Parque, renomeado Jardim Amália Rodrigues após a morte da fadista.

Criação do arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Teles, a ideia é que este jardim seja parte da ligação entre o Parque Eduardo VII e Monsanto, o célebre Corredor Verde de Lisboa. Tudo aqui é tão bem pensado e melhor executado, de uma delicadeza tal (como a que, aliás, se observa no seu vizinho Jardim Gulbenkian, igualmente projecto de Ribeiro Teles), que custa a crer que tenhamos passado tanto tempo sem ele.

À entrada do enorme anfiteatro aberto ao vale do Parque Eduardo VII e Avenida da Liberdade, recebe-nos “Maternidade”, a escultura de Fernado Botero. A maior bandeira de Portugal por vezes também está por aqui hasteada, mas devo confessar que não fez grande falta que esvoaçasse ao vento interrompendo a vista desafogada.

Para lá desta encosta chegamos a um lago circular com a esplanada Linha de Água numa das suas margens. Enquanto uns, bem postos, se limitam a um café ou um gelado numa das cadeiras, os mais atrevidos não resistem a uma banhoca nos dias mais quentes. Ao redor do lago temos uma ampla zona relvada, quer totalmente exposta ao sol quer com zonas de sombra. Os mais conhecedores perceberão a diversidade das espécies arbóreas.

Mais acima, no ponto mais alto do Jardim, no designado miradouro, encontramos a escultura “O Segredo”, de Lagoa Henriques, duas meninas segredando ao ouvido uma da outra enquanto o mega edifício do Corte Inglês as observa. Do lado contrário, o restaurante Eleven, com estrela Michelin. E nas traseiras, o longo edifício do Palácio da Justiça, por onde segue o Corredor Verde de Lisboa. Tudo elementos de uma modernidade que continua o seu rumo nesta zona da cidade maioritariamente de bom gosto (riscar o que não interessa, por exemplo, caixote do Corte Inglês).

Parque Eduardo VII

Nós, lisboetas, habituamo-nos desde sempre a passar pelo Parque Eduardo VII, seja abaixo, girando pela rotunda do Marquês de Pombal, seja ao alto, rindo do “pirilau”, ou num sobe e desce constante por altura da Feira do Livro. Até não nos cansamos de parar frequentemente no Alto do Parque para assistir, vez após vez, à mais poderosa vista de Lisboa debruçada sobre o Tejo. Mas quantos de nós lá vamos somente para passear, fixando demoradamente o olhar na fachada do Pavilhão Carlos Lopes, de um lado, ou admirando a deliciosa entrada da Estufa Fria, do outro?

Inicialmente nomeado Parque da Liberdade, aquele que viria a ser o parque central de Lisboa começou a ser pensado em 1882, depois do fim do Passeio Público em consequência da abertura do boulevard da Avenida da Liberdade. A ideia era prolongar o espaço público, dando uma monumentalidade ainda maior à estátua do Marquês no cimo da Avenida e projectando urbanísticamente uma nova e grande Lisboa. Mas a apresentação e discussão de ideias e projectos prolongou-se por décadas, em 1903 o Parque adoptou o nome por que hoje é conhecido – Parque Eduardo VII de Inglaterra, em homenagem ao rei que havia visitado a cidade no ano anterior – e apenas nos anos 40 se deu, enfim, sequência ao projecto do arquitecto Francisco Keil do Amaral.

O terreno desnivelado foi aproveitado e daqui surgiu a longa alameda central relvada acompanhada por duas alamedas laterais em calçada portuguesa. Nestas alas há espaços para se estar em bancos de jardim, protegidos pelas árvores, e é nelas que se realiza há quase 40 anos a Feira do Livro de Lisboa. E para lá destas alas temos, a oeste, a Estufa Fria e o Lago Grande, bem como um parque infantil e um club, e, a este, o Pavilhão Carlos Lopes e mais um lago com um restaurante. Em ambos os flancos, muito arvoredo e zonas de estar, fazendo do Parque não apenas um lugar monumental, mas também um verdadeiro espaço verde de recreio.

No topo do Parque temos o miradouro que nos dá a tal vista poderosa que mostra toda a Baixa de Lisboa, o rio Tejo e a margem sul. Apesar da vista ser uma daquelas que tudo distrai, não há forma de não perceber as enormes colunatas imperiais que se estendem rumo ao céu, símbolo característico do Parque. Foi entre estas colunatas do Estado Novo que, em 1997, foi inaugurado o monumento ao 25 de Abril, obra de João Cutileiro que muita polémica criou pela forma fálica da sua escultura, carinhosamente apodada de “pirilau”. A forma desta escultura em mármore é, precisamente, uma homenagem à virilidade da Revolução e à coragem dos capitães de Abril.

Descemos rumo aos jardins da Estufa Fria, sob o cacarejar das galinhas, e a sua recepção é incrível. O Lago Grande é belíssimo, com uma ilha e estatutária vária por onde nadam patos e carpas. A Estufa Fria foi criada na primeira década do século XX, ou seja, antes mesmo da execução do Parque, e aqui se conservam e podem conhecer diversas espécies botânicas, vindas de todo os lados do mundo, incluindo as da estufa quente, para plantas (e aves) tropicais, e as da estufa doce, para plantas carnudas. Aqui se realizam também eventos culturais no pequeno teatro do conjunto. Visitando a Estufa seguimos por trilhos que nos levam por plantas exóticas, riachos, grutas e cascatas, todo um cenário riquíssimo e luxuriante naquele que já foi considerado como um dos lugares mais aprazíveis da cidade. E é o mesmo.

No lado contrário do Parque o elemento que mais se destaca é o do edifício do Pavilhão Carlos Lopes (renomeado após a conquista da primeira medalha de ouro em Jogos Olímpicos por Carlos Lopes, em 1984, na maratona), destinado a eventos desportivos e culturais. Originalmente construído para ser o Pavilhão das Indústrias Portuguesas durante a Exposição Internacional do Rio de Janeiro, em 1922, foi desmontado e transportado de volta para Portugal para ser reconstruído no Parque entre 1929-1931. Toma um gosto revivalista com inspiração no decorativismo barroco joanino e a sua fachada profusamente decorada – estátuas e brasão – é ainda revestida de painéis de azulejos, em azul e branco, da Fábrica de Sacavém, com a representação de canas da história de Portugal.

Subindo o Parque de volta ao miradouro monumental passamos ainda por mais um lago, estátuas e zonas de relva com sombras que são um autêntico convite para um momento de descanso. Quem sabe se não para uma leitura de uma das obras adquiridas numa das muitas Feiras do Livro que se celebram ali mesmo ao pé.

Duna da Cresmina, Guincho

A Duna da Cresmina é parte do sistema dunar Guincho-Oitavos, em pleno Parque Natural de Sintra-Cascais. Um passadiço circular com menos de 2 kms, meia-hora a andar sobre madeira a espaços invadida pela areia, sai desde o Núcleo de Interpretação da Duna da Cresmina, no alto da Praia do Guincho. Já sabemos que o Guincho é uma bela praia de areia branca que tinha tudo para ser o lugar indicado para estender a toalha na areia e nos deixarmos ficar por ali a apanhar sol. Mas daí vem o vento, e ele vem grande parte do tempo, e a praia transforma-se no lugar ideal para o windsurf, uma caminhada na areia, uma refeição num dos seus restaurantes ou… um passeio ao longo da duna, sem sair do trilho previamente definido para o efeito.

O que este sistema dunar tem de curioso é precisamente a condição climatérica adversa de vento forte carregado de sal. As areias das praias da Cresmina e do Guincho são por ele empurradas e retornam ao mar mais a sul, entre os Oitavos e a Guia, depois de migrarem sobre a plataforma rochosa aplanada do Cabo Raso.

Este é um sistema dinâmico, acreditando-se que a Duna da Cresmina esteja a avançar cerca de 10 metros por ano. Ou seja, embora a duna desempenhe um papel muito importante na protecção do terreno em caso de subida do nível do mar, ao mesmo tempo teme-se que a longo prazo este avanço possa vir a representar a perda de solos aráveis, infraestruturas e habitações.

Ao longo do trilho podemos observar o habitat diverso que nos rodeia, quer na sua flora quer fauna. As areias permitem alguma vegetação, embora rasteira, como o feno e o estorno da areia e pinheiro bravo. Surpreende que algumas flores consigam romper a areia. E vemos borboletas, melros e, sobretudo, lagartixas.

Mas a grande atracção são as dunas e as formas que são capazes de tomar. Num lugar de paisagem superior, Serra de Sintra nas costas e Oceano Atlântico por diante, é um agradável passatempo tentar observá-los num enquadramento especial dado pelas dunas.

Jardim Botânico da Ajuda

O Jardim Botânico da Ajuda está instalado numa encosta ao lado do Palácio Nacional da Ajuda, o palácio nunca concluído que agora, mais de dois séculos depois, parece que vai deixar de o ser. Embora não tão conhecido e visível, o Jardim Botânico da Ajuda é anterior à construção do Palácio. Na verdade, este é o mais antigo jardim de Lisboa, inaugurado em 1768.

O Alto da Ajuda era já nessa época uma zona de presença da realeza, a qual na sequência da destruição do medonho Terramoto de Lisboa de 1755 para aqui fugiu e construiu a sua Real Barraca neste ponto alto da cidade. E foi precisamente aqui, afastado do centro da cidade, então como agora, que o Marquês de Pombal mandou construir este Jardim Botânico numa encosta da Serra de Monsanto, com solos férteis e abundância de água.

Projectado pelo botânico italiano Domingos Vandelli, escolhido pelo Rei D. José para o ensino dos seus filhos, os lisboetas passaram a poder admirar espécies vegetais até então suas desconhecidas. A colecção dessas espécies que aqui eram mantidas para pesquisa e estudo chegou a acolher cerca de 5000, vindas de todo o lado do mundo, formando um conjunto de grande valor documental e científico. Hoje o espaço já não pertence à Casa Real – a administração está atribuída à Faculdade de Agronomia – e as espécies já não serão tantas – cerca de 1500 -, mas a integridade e beleza do lugar mantém-se.

São cerca de 3,5 ha distribuídos de forma rectangular por dois tabuleiros, o superior dedicado à colecção botânica e o inferior ao jardim de recreio e ornamental de buxo.

À entrada, imediatamente antes do chalet transformado em recepção, dois lagos barrocos, um de cada lado, dão-nos as boas-vindas.

A influência barroca há-de continuar e em dois passos torna-se monumental. O jardim de recreio, igualmente com toque renascentista, preenchido com caminhos moldados pelas formas do buxo, plantado sobre o Tejo é de uma enorme beleza, fazendo desta uma vista privilegiada em Lisboa.

A fonte central e a escadaria são elementos decorativos inesquecíveis. A Fonte das 40 Bicas, ou Fonte das Serpentes, não tem apenas serpentes a adorná-la. Estão também lá presentes rãs, patos, cavalos-marinhos, figuras mitológicas e plantas aquáticas, formando uma deliciosa exuberância directamente defronte da escadaria com estátua do infante D. José.

Este jardim possui diversas árvores e também delicioso, mas talvez não tão saboroso, é encontrar uma bananeira com um cacho de bananas verdinhas.

Prosseguimos pelo jardim de buxo em todo o seu comprimento e subimos para o tabuleiro superior. A Estufa Real, restaurante e lugar para eventos, fica num dos cantos. É por aqui que encontramos um enorme dragoeiro que se estima que tenha mais de 400 anos, ou seja, anterior ao Jardim Botânico. Tão velhinho que se mantém erguido, mas sempre belo, com ajuda.

Neste patamar superior mesmo de frente para o rio Tejo as vistas são ainda mais fabulosas.

Vistas essas apenas agradavelmente perturbadas pela descoberta de dois pavões, um azul e outro branco. Sempre exuberantes e majestosos, o seu colorido entre os azuis e verdes é um deleite, mas que dizer da fixação que também estes indivíduos inteiramente brancos produzem em nós? Símbolos de pureza e eternidade, ao contrário do que acreditam alguns, os pavões brancos não são albinos, antes o resultado de uma variação genética. E este duo da foto não será um macho e uma fêmea a contemplar pacatamente o Tejo em cima de um ramo de uma árvore, mas antes dois amigos machos – a ver pelo comprimento de cada cauda, aquela que pela sua dimensão se torna mais vistosa e atractiva no momento de chamar a fêmea para o acasalamento.

Muitos mais pavões se passeiam nesta zona diversa com jacarandás, árvores pé de elefante, canteiros com a colecção botânica de espécies de várias regiões do globo divididos por áreas geográficas, estufas e lagos.

No Jardim Botânico da Ajuda há mais para além de ver. Há que estar tranquilamente no meio da beleza. E há que sentir o Jardim de Aromas, tocando e cheirando as suas plantas aromáticas e medicinais, especialmente criado para os invisuais. Para que a visita ao mais antigo jardim de Lisboa possa ser plena em todos os sentidos.