Os Palácios de Marraquexe

A Madrassa Ben Youssef é talvez o pedaço mais esplendoroso e encantador de Marraquexe. O desalento de não se poder entrar para conhecer as mesquitas da cidade compensa-se com este palácio que a partir do século XIV, e até ao ano de 1962, foi um dos maiores centros de ensino / aprendizagem do Corão. Este espaço grande, mas não tão grande assim que pudesse acolher cerca de 900 alunos, ainda para mais a partilhar apenas uma casa de banho – como chegou a acontecer – é um lugar de sonho. A entrada, depois de voltas e mais voltas deixando os souks para trás, faz-se por um corredor sem graça de maior que não nos prepara de todo para o pátio que nos espera. Uma pequena “piscina” rodeada por umas lindíssimas arcadas rendilhadas na mais pura arte mourisca à qual não faltam uns mosaicos de um bom gosto insuperável. No andar superior, onde ficavam as câmaras dos estudantes, umas janelinhas de encantar, sendo impossível evitar a fotografia da praxe com o visitante à espreita.

Ainda mal refeitas do banho de beleza da Madrassa entramos no edifício vizinho do Museu de Marraquexe certas de que nada mais nos deslumbrará tão intensamente. Pois, mas estes mouros são terríveis e o que nos espera em seguida não faz mais do que despertar em mim uma imensa vontade de voltar ao nosso tão próximo Alhambra. Já nem me lembro bem qual a arte representada no museu, não porque seja despicienda, mas antes por ter no pátio um “adversário” imbatível por memorável. Aqueles sofás obrigam-nos a contemplar mais uma dose de bom gosto de forma relaxada. O mármore do chão, cravado aqui e ali de mosaicos coloridos, de onde vai brotando umas fontes que irradiam tranquilidade, as portas e janelas lindamente trabalhadas que se encontram para lá das colunas quase que nos distraem do enorme candelabro que está sobre nós. Este palácio foi objecto de restauro há não muitos anos, ele que chegou a acolher a primeira escola para meninas da cidade. Temos, pois, que a Madrassa Ben Youssef era para rapazes e o que é hoje o Museu de Marraquexe era para raparigas. Um luxo só, este Marrocos.

Antes, porém, da visita a estes dois edifícios já tínhamos visitado – e admirado – o Palácio Bahia. Os edifícios sucedem-se uns aos outros, separados por uns pátios, até que chegamos a um grande jardim. Ou seja, há que entrar e ir andando para descobrir o que está para lá das portas. E, já agora, não nos limitarmos a olhar os azulejos nas paredes e chão, mas levantar bem a cabeça para observar os tectos em madeira. No fundo, sentidos bem despertos para não perder nada do muito que Marraquexe nos tem para mostrar para além das suas ruas.

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