Mais Um Dia Feliz no Rio

Segunda feira nunca seria a confusão de domingo para subir ao Pão de Açúcar. Mas escaldada com a multidão do dia anterior no Corcovado, eram 9 horas e já estava à beira da Praia Vermelha, no bairro da Urca, com o meu bilhete comprado e com pouco mais de uma dezena de pessoas por companhia.
Pude assim escolher o lado que me deu vontade dentro do bondinho e tirar as fotos na subida à larga e sem atropelos. Por sorte o dia esteve novamente claro e com a visibilidade a mil.

Na primeira paragem, no topo do Morro da Urca, vê-mos logo o Cristo lá em cima com a Baia da Guanabara cá em baixo, com os seus barquinhos estacionados nas águas plácidas, como diz o hino brasileiro ainda que se refira a outras águas.
Praticamente sozinha, deu para puxar a cadeira e esticar as pernas em direcção ao outro lado da Guanabara, com a praia de Flamengo e o centro do rio por trás, procurando identificar alguns edifícios; a piramidal catedral metropolitana é fácil, a torre com o relógio da Central do Brasil, idem. Puxei a cadeira para o outro lado e deixei-me ficar a olhar, já cheia de saudades, para o delicado e fino recorte da paisagem da capital carioca. Morros e mar, umas vezes escondendo-se uns dos outros, outras abraçando-se e envolvendo-se, até se tornarem o inevitável cliché: a cidade maravilhosa, cheia de encantos mil. Palmas.

Do que não me lembrava é que aqui em cima, já na ultima paragem no Morro do Pão de Açúcar, para além da paisagem continuar soberba, podemos perder-nos num pequeno trilho com vista para Niterói por entre os ramos da intensa vegetação, ao mesmo tempo que a tentação de descansar ou piquenicar nos vários banquinhos e mesinhas nos vai tomando.

Descendo, junto à Praia Vermelha tem inicio outro dos “must’s” do Rio, a pista Cláudio Coutinho, também conhecida por “Caminho do Bem Te Vi”. Sao cerca de 2,5 km ida e volta num trilho absolutamente sossegado e seguro que serpenteia o Morro da Urca e o Oceano Atlântico. Daqui partem também aqueles que querem atingir o morro escalando-o.
Antes coragem para voar sobre o Rio de asa-delta, o que, infelizmente, também não tenho. Esta actividade parte da Pedra Bonita e cai nas areias da Praia de São Conrado. Como para mim já me basta ver aterrar os passarinhos improvisados e esta é, ainda por cima, uma das praias mais bonitas do Rio, anda pensei dar uma saltada até lá. Mas à tarde voltaria para Lisboa e com medo de me atrasar neste transito caótico, decidi-me por uma volta no pacato e acolhedor bairro da Urca.

Este é um dos mais nobres e carismáticos bairros do Rio, único por aqui. Nos anos 40 do século passado o Casino da Urca trazia animação nacional e internacional e Carmen Miranda morava por lá. Hoje, muitos anos depois da proibição do jogo, ficaram as suas moradias elegantes encravadas entre os morros verdejante da Urca, Pão de Açúcar e Cara de Cão e a baia da Guanabara, com direito a uma pequena praia mesmo ali à porta. Um luxo.

E tive ainda direito a 60 minutos de praia em Copacabana (os únicos da viagem). Não vi o fiscal da natureza, mas fui muito bem tratada, com direito a cadeirinha por poucos reais.

Poucos lamentos desta rápida estirada ao Rio de Janeiro. O principal tem que ver com isso mesmo: a rapidez da viagem que ainda por cima ficou atrasada por um dia por causa do avião. Muito haveria para visitar, mas do que me propus inicialmente apenas não fui ao Museu de Arte Contemporânea de Oscar Niemeyer, em Niterói, nunca por mim visitado, e ao Bairro de Santa Teresa. Não é pouca coisa, mas espero não demorar outros dez anos para os ver.

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