Índia, por Rosselini

“India: Matri Bhumi” é um filme de 1959 do italiano Roberto Rosselini (curiosamente estreado neste ano de 2015 nos nossos cinemas).
É um retrato da Índia de cerca de uma hora e meia, um misto de documentário e ficção seguindo a vida de umas quantas personagens.
De início é nos apresentada Bombaim como a porta de entrada da Índia. Imagem forte é o constante corrupio da multidão, deambulando de um lado para o outro, acartando coisas, caminhando, dormindo, homens e vacas em pleno convívio – nada muito diferente do que se observa ainda hoje, mais de cinquenta anos depois.
Os animais são presença incontornável. As sagradas vacas, sim, mas também os elefantes, os tigres, os macacos amestrados. 
Bonita é a passagem do banho dos elefantes, assim como marcante é o ensinamento de que a chegada dos homens ao terreno dos tigres não ficará impune. Enorme o episódio em que o macaco amestrado segue o seu trabalho (recolhendo as moedas que não sabe para que servem) mesmo após a morte do seu dono às mãos do calor tórrido do sub-continente.
Este filme preocupa-se em mostrar a Índia de um ponto de vista emocional (relações entre marido e mulher e ritos), social e económico (migrações e grandes obras, como construção de barragens e estradas) e arquitectónico – de cujos edifícios Rosselini diz expressarem uma delirante homenagem à vida.
Não obstante, homem e natureza parecem ainda plenamente integrados.
No final, uma volta ao início – a omnipresente multidão, marca indelével da Índia de ontem e de hoje.

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