Templos de Taipé


Diz-se que Taiwan possui cerca de 15000 templos registados. 
Esses templos podem surgir onde menos se espera, no alto de uma montanha ou no topo de uma grande avenida, mas o mais provável é que surja num edifício discreto de uma rua escondida. 


Nas residências particulares abundam os altares – e isso vê-se ao caminhar pelas suas portas abertas à rua – pelo que não é necessário ir ao templo queimar o incenso em honra dos seus deuses favoritos. E nem é preciso perder a novela favorita.


A religião representa um senso comum de cultura e de identidade para muitos povos. O que é curioso verificar é que à medida que a economia taiwanesa cresceu a religião seguiu os seus passos. 31% são seguidores da religião popular, 24% budistas, 15% taoistas e 25% não possuem religião. Assiste-se, no entanto, a uma combinação de elementos das várias religiões e a fé é vivida de uma forma individual e directa para com a divindade ou espírito morto do agrado de cada um. Daí a vivência próxima da religião popular, embora muitos se declarem ainda assim budistas ou taoistas. As principais divindades são Buda e Matsu, mas existem outros deuses, quase sempre coloridos. Deuses com poderes supranaturais que guardam as entradas dos templos ou das residências para afastar os maus espíritos. 




Uma visita a um templo de Taipé não é necessariamente sinónimo de um momento de recolhimento. 


O templo de Longshan, por exemplo, dedicado ao deus Guanyin, da Misericórdia, e a outros deuses, é um dos mais concorridos da capital de Taiwan. As pessoas são aos magotes. Para lá carregam os pauzinhos de incenso e doses industriais de comida para agradar os deuses. 


Muito movimento, cor, vibração. Energia. Bom para observar a reacção destes crentes tão diferentes do comedimento a que estamos habituados na igreja católica que nos é próxima. E bom para observar a mancha de fumo do incenso que se esvai rumo às figuras que caracterizam os pormenores arquitectónicos dos telhados destes templos.



O templo de Bao’an é, tal como o de Longshan, uma criação dos chineses vindos do Fujian no século XVIII. O único templo de Taiwan classificado pela Unesco, no Bao’an, dedicado ao deus Baosheng Dadi, consegue-se rezar com mais pacatez. 





Mas, sobretudo, consegue-se apreciar com mais sossego os detalhes dos elementos decorativos dos seus telhados. Normalmente estes possuem vários níveis, curvas, relevos, suportes e figuras. Podem ser pessoas, dragões, pagodes, quase sempre hiper coloridos, como se de mosaicos se tratassem. Os dragões simbolizam a protecção contra o fogo em estruturas de madeira (estes templos aqui referidos, tanto o de Longshan como o de Bao’an, foram já restaurados por diversas ocasiões ao longo dos tempos).


Ao lado do templo Bao’an fica o ainda mais pacato e harmonioso templo de Confúcio.



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