Comboio e Rabos

De Khajurho há agora diariamente comboio para Agra (e Delhi). O comboio devia partir às 8:55, saiu uma meia hora mais tarde. Devia chegar pelas 17:30 a Agra, chegou lá pelas 20:00.

Esperávamos ainda ir ver o por do sol ao Taj Mahal, mas nem chegamos a tempo, nem o sol apareceu neste longo dia. Sempre uma chuva miudinha a bater na janela da carruagem. Feitas bem as contas, o comboio esteve mais tempo parado nas estacões e entre elas do que a rolar sobre carris. Em Gwailor, a umas 2 horas de distância do nosso destino final, sendo que já eram horas de lá ter chegado, e estando o comboio parado já há uma hora, fui perguntar a um funcionário se havia algum problema. Estou até agora encantada com a sua resposta: “indian problem”.

Fomos numa carruagem com ar condicionado (obrigatório para sobreviver) em segunda classe. Éramos as únicas estrangeiras entre apenas mais uma dezena de autóctones.

Na estacão inicial de Khajuraho, uma multidão de indianos aguardava espalhada pelo chão. Apenas metade seguiu viagem e a outra metade ficou com mais espaço para se estender. Na nossa carruagem espaçosa e confortável fugimos da confusão e da maior intimidade com companheiros de viagem, mas assim passámos também ao lado do que seria uma experiência única. Provavelmente desconfortável, mas autêntica. Bem basta o estômago aos saltos.

Limitamo-nos, assim, a observar as cenas pela janela. Paisagem sem nota de registo de maior, terra ocre, pontilhada aqui e ali por um verde tímido das arvores e rios sem água.

Em cada apeadeiro de estacão, uma multidão. Em cada cruzamento com outro comboio da linha ao lado, mais multidão para lá das janelas com grades das carruagens sem ar condicionado, com os degraus de acesso ao interior da carruagem ocupados por rabiosques indianos.

E por falar em rabos, é inevitável mencionar a lixeira que se vê na linha. Garrafas, plásticos, papéis e bosta. Não de vaca, mas humana. Pudemos comprovar ao longo da viagem o quanto os indianos estimam a linha de comboio ao ponto de lá exercerem as suas necessidades básicas – calma, não chegámos a ver ninguém em cenas típicas das esculturas dos templos de Khajuraho. Mas gente a cagar ou a mijar, ui. E a comer. E a lavar-se. Não necessariamente por esta ordem, há que acrescentar.

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