Em Agra, terra do Taj Mahal

No nosso primeiro dia em Agra a monção começou a dar nas vistas. Não havia sol nenhum, por isso não pudemos fazer check no item “ver o nascer do sol junto ao Taj Mahal”. Ainda assim, levantamo-nos cedo e às 7 horas já lá estávamos dentro, convencidas que íamos evitar a multidão retardatária.

Pois, pois.

Ao primeiro vislumbre do Taj, ainda numa espécie de antecâmara de todo o complexo monumental, sentimos logo que nos íamos emocionar, mas quando passámos a gigantesca porta vermelha ocre já só pensamos em afugentar a maralha toda ali plantada mesmo em frente aos seus jardins a tirar a foto da praxe.

Penámos para conseguir uma com as duas manas, Taj embelezado com os jardins. Check.

Mas a foto mais tradicional, a do banquinho, essa poucos a conseguiram naquela manhã. Tinha avisado no inicio deste post: a monção começou a dar nas vistas. A partir daqui e até ao começo da tarde foi um dilúvio impiedoso para com os dedicados turistas. Nós, ainda assim, prosseguimos na nossa missão de nos encantarmos pelo Taj de qualquer forma.

O Taj Mahal foi mandado construir por amor. O imperador Mughal Shah Jahan foi o responsável pelo maior acto de amor do universo, do qual resultou o maior monumento ao amor. Mandou erigir o Taj após a morte da sua mulher, Mumtaz Mahal, que morreu ao dar à luz o 14.º filho de ambos. Assim, entre 1631 e 1653, Agra, então capital do império Mughal, viu surgir o mais grandioso e emblemático dos mausoléus.

Entrámos por uma das 3 entradas disponíveis e após a dita antecâmara surge-nos a monstruosa porta e  logo à espreita o Taj, majestoso e imponente, numa plataforma de mármore elevada, com jardim ornamental aos pés, 4 minaretes de 40 metros de altura a ladearem-no. À sua esquerda encontra-se a mesquita e à sua direita um edifício igual àquele para alcançar uma pura simetria.

Apesar de todo o contexto ser fantástico, é ao mausoléu em si que todos os olhares vão dar e não querem desviar. O Taj é feito de um mármore semi translúcido, branquíssimo. Tem pormenores florais, versos do Corão caligrafados nele inscritos e um sem número de pedras preciosas com diversos motivos. O seu interior não é nada comparado com o demais e, não, não sentimos qualquer cheiro a chulé.

O Taj Mahal é banhado pelo rio Yamuna e da outra margem, no parque Metab Bagh, costuma conseguir-se uma boa foto com o Taj reflectido na água do rio, onde também costumam parar os búfalos. Estes até estavam lá. O que faltava, pese embora toda a chuva que caíra pela manhã, era água suficiente no rio.

Um pouco mais adiante, nesta mesma margem este do rio, fica o Itimad-ud-Daulah, também conhecido como o Taj Bebé. É também um mausoléu, desta vez de Mizra Ghiyas Beg, um nobre persa que era avô de Mumtaz Mahal e ministro do imperador Jehangir. Esta tumba foi construída entre 1622 e 1628. Esta foi a primeira estrutura Mughal a ser construída inteiramente de mármore e a primeira também a instalar-se nas margens do Yamuna. Temos o mausoléu em mármore no meio e depois, como se de um losango se tratasse, quatro edifícios ocres com rendilhados esculpidos a acompanhá-lo. Mais uma vez, como no Taj, equilíbrio, simetria e elegância são reis.

Ainda mais acima no rio fica Chini-Ka-Rauza, outro mausoléu com vista para os búfalos a tomar banho. Este foi construído entre 1628 e 1639, para Afzal Khan, um poeta e ministro da corte mughal, mas não está tão bem conservado como os outros, deixando-se apenas perceber alguns dos seus azulejos azuis.

E, depois, em Agra há ainda que ver, pelo menos, o seu Forte. É também uma construção Mughal, iniciada com o seu imperador Akbar em 1565 com fins militares, mas o seu neto Shah Jahan, o do Taj Mahal, transformou-o numa série de palácios. Assim, às estruturas de cor ocre originais foram acrescentadas mais estruturas em mármore. O mais curioso é que o seu filho Aurangzeb depô-lo do trono e prendeu-o no forte, passando o pobre do Shah Jahan os seus últimos 8 anos de vida aqui, apenas contemplando do outro lado do rio a sua maior criação, o Taj, onde jazia a sua amada.

O Forte de Agra é fabuloso, mais do que o de Delhi, para onde a capital se mudou em 1648, no tempo de Aurangzeb. A fortificação ao longo de cerca de 2,5 km, com uns muros enormes de cerca de 20 metros, protege o interior do caos que se vive lá fora. Aqui perto fica a Mesquita e o Bazar Kinari, como sempre lugar de ruas intrincadas onde tudo se parece vender. As vacas e os macacos andam também por aqui, estes últimos saltando entre os balcões dos edifícios pejados de fios de electricidade.

Voltando ao forte e ao seu pacato ambiente, encontramos edifícios que eram utilizados para as audiências que o imperador proporcionava, quer públicas quer privadas. Perto desta última, no pátio, vemos um trono elevado com vista para o rio Yamuna e o Taj. Existem ainda duas mesquitas, uma delas muito delicada que era exclusiva para as mulheres da corte. Este edifício é em mármore, tal como outros correspondentes a palácios, mas o mais interessante é ver o contraste quase perfeito que produz esta junção entre edifícios em branco mármore e vermelho ocre. Quer num quer noutro vemos os rendilhados que os tornam ainda mais encantadores.

Depois de visitarmos o forte seguimos a pé para a zona do Taj. O tempo estava bom, mas à medida que nos aproximamos apenas poucas centenas de metros do tão estimado monumento começou uma chuvada. Uma certeza e uma rectificação ao dito no princípio do post: é a nossa presença face ao Taj que faz cair a chuva, não a monção.

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