High Tide A Surf Odyssey, de Chris Burkard

 

Para ajudar a atravessar os dias curtos dos meses de Inverno, eis a companhia do livro de fotografias High Tide A Surf Odyssey, de Chris Burkard. O americano dispara logo ao que vem na sua última obra, de 2015:

“Num mundo que se tem vindo a tornar mais e mais barulhento, nunca foi tão importante procurar os últimos lugares sossegados”. 

Assim, sentada bem confortável no sofá junto à lareira, no intervalo de um emprego convencional com muita berraria à mistura, folheio o seu belo livro. Lugares como as Ilhas Aleutian, no Alaska (lugar da foto da capa, onde o vento nasceu), a Barbuda, nas Caraíbas, Ilhas Lofoten, na Noruega, Kamchatka, na Rússia, Ilhas Faroe, algures por aí, mais as “banais” Nova Zelândia, Índia e zona rural da Califórnia, vão desfilando sob os meus olhos e despertando uma série de sensações – o conformismo, porém, segue inalterado e daqui a pouco volto para o trabalho.

Sair da zona de conforto, exorta o fotógrafo contador de histórias.

Estes são lugares verdadeiramente off the beaten path, fora das rotas mais batidas. Lugares únicos, remotos, inspiradores, nos quais podemos viver uma experiência interior completamente diferente daquela que viveremos em outros lugares únicos, que os há muitos, é certo.

Chris Burkard diz que aprendeu a gostar do “mau tempo” e dos dias de tempestade, mais ideais para a fotografia do que os dias de céu azul e limpo, pela luz e emoção mais dramáticas que transportam consigo. Ou seja, aprendeu a abraçar todas as condições que a natureza lhe dá e chegou à conclusão de que não há essa coisa do “mau tempo”, apenas roupas inapropriadas. 

Vai daí, e como o surf sempre foi um dos motes para as suas viagens e fotografias, é só deixar os olhos à mostra e atirar-se às ondas, como vemos este grupo de amigos fazer nas Ilhas Lofoten, com a neve, os fiordes e as montanhas de granito como únicas testemunhas.



Foi nas Lofoten que um dos autores dos textos que apresentam cada um destes lugares desolados (Chris Burkard não se considera um bom escritor e a fotografia é o meio por que dá a conhecer as histórias que nos quer contar) nos diz que um habitante local, que nunca tinha visto nenhum surfista por ali, logo os considerou doentes da tola. Pode ser, mas muitos pensarão o mesmo dos que procuram estes lugares distantes e inóspitos: doentes da tola. Mas a doença é outra. É a de querer conhecer sempre mais e mais, é a de tanto se encantar com um pássaro como com uma nuvem escura, é a de entrar por uma rua que não vai dar a lado nenhum e ser surpreendido por uma casinha perdida no mundo. É a doença de ter, enfim, o horizonte todo para contemplar só para si.

Chris Burkard pode não ser um bom escritor e ser um brilhante fotógrafo, mas sabe também escolher e usar as palavras para nos inspirar e guiar. Diz-nos que “na vida não há atalhos para a alegria e, para verdadeiramente abraçarmos algo que mereça a pena, temos de nos prestar a penar um pouco”.
A ver pelas fotos, a penitência valeu a pena.

As Caraíbas da Barbuda, surf apartado do mundo


Kamchatka, península russa perto da Sibéria, mas ainda mais remota e com pior tempo, terra de vulcões e ursos, mas também por do sol esmagador.

Ilhas Faroe, cascatas caídas de encostas e penhascos cobertos por tapetes verdes.

Costa da Califórnia rural – terra natal de Chris Burkard -, o Big Sur imortalizado por Jackson Kerouac.

A Índia do Kerala, choque cultural para todos, visitante e visitado.

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