Urban Sketchers em Lisboa – Desenhando a Cidade

Na mesma linha do “Diários de Viagem 2 – Desenhadores Viajantes” ia o antecedente “Urban Sketchers em Lisboa – desenhando a cidade”, publicado pelos Urban Sketchers em 2012: o desenho num diário gráfico é “um antídoto perfeito contra o stress e, provavelmente, a melhor maneira de tirar o máximo partido da experiência de viajar”, escreve Gabi Campanario na sua Introdução.
Este livro foi publicado na sequência do Simpósio Internacional sobre desenho urbano que trouxe a Lisboa mais de 200 desenhadores de todas as partes do mundo. Um sketchcrawl, uma maratona de desenho que colocou estes artistas pelas praças e ruas a desenharem a nossa cidade em diferentes exercícios enquadrados em vários workshops.
Assim, tendo como guião diversos princípios e ideias – como a de que o desenho manual é uma forma de estimular o pensamento criativo, a de que existe uma nostalgia pelo autêntico e pelo feito à mão, de que tal aumenta a espontaneidade, de que o desenho in situ aumenta a capacidade do designer para ver e pensar criativamente e, sobretudo, de que converter uma paisagem em linhas, tons e texturas permite transmitir, de maneiras que a fotografia não possibilita, a essência visual de uma cena e a nossa reacção a ela – esses workshops passaram, entre outros, pelos seguintes locais:
No Cais do Sodré procurou-se praticar o registo gráfico dos movimentos da agitação de pessoas e veículos. 
No Largo de São Carlos o jogo de planos. 
No Largo de São Paulo exercícios de observação e acção de desenhar, como desenhar o transitório, escolher e desenhar um tema. 

Na Rua da Bica exploraram-se as suas características declivosas que causam um contraste provocado pelas sucessivas alterações do horizonte, bem como variações de luz e contrastes cromáticos entre o amarelo do ascensor, o azul do Tejo e as cores neutras da arquitectura. Principalmente, o contraste da rua inclinada e da cor amarela do elevador.
No Adamastor fez-se valer o local – miradouro – privilegiado para se observar o rio, o casario, as gentes que para lá confluem (turistas e autóctones) e Almada, o começo do Sul do país.

No Largo Luís de Camões procurou-se apreender o espírito do lugar e fixar os detalhes no desenho.
Em resumo, e como conclusão, este processo de desenho é excelente para se desvendar um local, vê-lo com outros olhos, descobrir nele pormenores antes nunca detectados. Possibilita, assim, uma redescoberta de locais que não nos eram de todo estranhos. Mas, mais importante do que o desenho em si é aquilo que envolve a sua produção – a atenção posta no acto de desenhar com as nossas percepções e impressões visuais. A final, com o mesmo universo e motivações semelhantes – o desenho – as sensações que cada um expressa para o papel são diversas. 
Como resultado, eis que temos um livro que nos dá a ver Lisboa como nunca a tínhamos visto.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s