Villa de Leyva

Villa de Leyva fica a mais de três horas e meia de autocarro desde Bogotá. O tempo de viagem até Tunja divide-se mais ou menos assim: uma hora para nos livrarmos do trânsito da capital, meia-hora a esperar que o autocarro encha e duas horas de viagem. O dito do autocarro “sai quando sai” não é, pois, eufemismo nestes lados. Depois de Tunja é só apanhar um dos mini colectivos que saem com frequência para mais 45 minutos de viagem até ao destino desejado: Villa de Leyva.

Com tanto tempo de viagem, não espanta que a tenhamos feito em grande parte já sem a luz do dia, sem que pudéssemos à chegada confirmar as palavras do escritor Juan Gabriel Vasquez acerca da “cor escura e rugosa e áspera como o deserto de Villa de Leyva”.

Nunca é boa ideia idealizar-se muito um postal que nos aprestamos a visitar. A praça central de Villa de Leyva vem referida como umas das maiores da América do Sul e não pude evitar colocar um livro na mochila só para ter o prazer de me sentar e o abrir numa das esplanadas da praça e deixar-me ficar ali a sentir a sua enormidade.




Não podia, assim, ser maior a desilusão por encontrar a Plaza Mayor de Villa de Leyva ocupada com barracas de vendas de chapéus, ponchos, cuecas, shampoos e doces, lado a lado com palcos, carrosséis, molas de pular rumo ao céu e casas de banho móveis à frente da igreja, numa miscelânea de festa de aldeia com comemoração em honra da Virgem del Carmen.

Com o passar dos (três) dias fomos vendo a praça esvaziar, mas não totalmente que pudesse cumprir o imaginado.



E o imaginado é a vastidão e o vazio transformados em perfeição graças a um chão de pedras enormes, uma igreja num dos topos, edifícios com arcadas e com balcões a ladearem-na, tudo numa cor branca, tão branca que provoca o contraste perfeito com a paisagem, por vezes verde, por vezes “escura e rugosa”, como escreveu o citado autor colombiano.

Cidade colonial fundada em 1572 e extremamente bem preservada, encontramos nela ainda alguns edifícios que fazem jus ao título, bem conservados e com os seus pátios adaptados a restaurantes e lojas de artesanato. A não perder: provar os saborosos chocolates caseiros de uma das lojinhas da Villa.




O sentido de passado e autenticidade são presenças marcantes e neste ambiente tranquilo o melhor que se há a fazer por aqui é deambular pelas ruas (ainda que o seu empedrado não seja das coisas mais confortáveis para se caminhar). As casas são brancas, bem como os muros, e os telhados de telha vermelha. Os balcões e as janelas pintadas de verde são também actores principais. Como coadjuvantes, encontramos ainda o cuidado que é colocado na decoração das flores, sobretudo buganvílias e gerânios, o que torna o cenário ainda mais mimoso.







As praças de Villa de Leyva são recantos ainda mais recolhidos, lugares onde a placidez é a palavra de ordem.




Um excelente miradouro deste povoado branco e vermelho que é um destino de fim-de-semana recorrente para os habitantes de Bogotá obtém-se desde o cerro onde está instalada uma pequena estátua, branca, pois claro, de Jesus de braços abertos para a cidade. A subida não é fácil, até porque estamos a mais de 2000 metros de altitude, mas a recompensa é a percepção exacta da implantação desta singular cidade num vale montanhoso.



(Em Villa de Leyva visitámos ainda os Pozos Azules, mas o lugar e experiência são tão esquecíveis que fica o aviso: não vale a pena perder tempo; melhor seria ter-me juntado ao carrossel da Plaza Mayor)

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