Barichara

De Villa de Leyva para Barichara é um dia de viagem. Com sorte, como a que apanhámos, dá para chegar a meio da tarde. Em geral, tem de se ir a Tunja (45 minutos), daqui a San Gil (4 a 5 horas) e por fim Barichara (mais 40 minutos). Para além da longa jornada que implica diversos transbordos, havia alguma possibilidade de sermos ainda afectadas com o “paro” de transportes que dura(va) na Colômbia há mais de um mês no momento em que escrevo estas linhas. À chegada à estação de Villa de Leyva logo nos disseram que a coisa para Tunja estava má e que a alternativa era ir até Chiquinquira (?), mas que o autocarro para lá tinha acabado de sair. Ui. Nada que os simpáticos colombianos não tenham resolvido com um telefonema para o motorista desse autocarro para que nos esperasse um pouco na estrada. Uma hora e meia de viagem depois a sorte continuou quando à chegada à dita Chiquinquira tivemos logo ligação para San Gil. E daqui com pouca demora para Barichara. A duração total da viagem foi praticamente o indicado a princípio, como se tivéssemos ido por Tunja, mas tudo interligado. Resultado: Barichara era nossa pelas 4 da tarde.

Se Villa de Leyva é um encanto, Barichara surpreende e faz-nos ainda mais felizes. 
A distância para aqui não traz muitos turistas e os que vêm são convictos na sorte que é poder visitá-la. Em relação a Villa de Leyva, em Barichara encontramos os mesmos edifícios brancos de telhas vermelhas e ruas de pedra e um enquadramento natural especial. As duas vilas não se confundem, porém. 




Fundada em 1705 pelo capitão espanhol Francisco Pradilla y Ayerbe, este atribuiu-lhe o nome de Villa de San Lorenzo de Barichara. Barichara derivou da palavra guane (o povo indígena que historicamente aqui habitava) Barachalá, ou seja, “lugar de relaxamento”. Se era assim antes, é assim agora. 




Em Barichara as casas brancas possuem listas de diversas cores, com destaque para o verde, várias tonalidades de azul e o amarelo. As janelas e portas revelam-se de imediato e cativam o nosso olhar. Tudo está perfeitamente preservado. O chão de pedra da vila – ruas geométricas totalmente empedradas – é bem mais amigo do caminhante do que o de Villa de Leyva. 



E, depois, temos a paisagem fantástica que envolve a vila, verde por todo o lado, em (mais) um contraste perfeito com o edificado. Tudo se conjuga, pois, para nos impelir à deambulação e nem as ruas com subidas acentuadas nos fazem hesitar por um momento em seguir caminho, pisar mais um quarteirão empedrado, descobrir mais uma cor a destacar no branco das casas, espreitar mais uma janela, entrar em mais uma loja. 



Temos lojas de artesanato, temos restaurantes, temos dulcerias, mas temos sobretudo umas lojas de aldeia que tudo vendem, prateleiras empilhadas de produtos até ao tecto. Não faltam sequer os frasquinhos a vender as famosas e típicas “hormigas culonas”, em bom português, formigas rabudas. As formigas em tamanho xxl são uma tradição guane, que as achavam afrodisíacas e com propriedades medicinais. Não as provei aqui, mas tinha provado uma outra espécie de formigas em Bogotá, tendo sido a única do grupo a aprovar o seu sabor.



Uma palavra mais para as igrejas de Barichara, começando pela sua principal, a enorme Catedral da Imaculada Conceição. Dominando a praça principal da vila, a sua cor e material – arenito – são diferentes dos edifícios civis e o seu interior é surpreendente, linda nos seus vitrais e chão em mosaico. 



Existem mais igrejas e capelas em Barichara, todas de mesmo estilo, interior sóbrio, tectos com ripas pretas e, curiosamente, piso inclinado até ao altar.


Tudo em Barichara convida à errância indolente pelas suas ruas.

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