Lucerna

Lucerna fica no coração da Suiça, encravada pelas montanhas e pelo lago.

Sabemos quando uma cidade é imperdível quando magotes de chineses se reúnem para a visitar. Seguimos, então, juntos no comboio de Zurique até Lucerna, menos de 1 hora de viagem. A viagem inicia e logo nos calha um túnel longo. O lago Zurique aparece e mais um túnel nos espera. Vem o lago Zug, uma imensa paisagem relvada, o comboio deixa as margens da água, segue pelo pacato interior e finalmente desemboca no lago Lucerna. Os chineses devem mesmo ter razão, esta viagem promete.

À chegada à estação, o Kultur und Kongresszentrum, a sala de concertos e museu criada por Jean Nouvel, apresenta-se-nos logo ali junto ao lago. Antes de entrar no centro histórico preferi circundar este edifício, detendo-me nos efeitos da cidade reflectidos nos vidros do KKL, e dar uma espreitada aos pontões de atracação dos barcos no lago. Sim, estava a chover. Sim, estava um bocado frio. Não, ainda não tinha notado que havia gelo no chão. Vai daí, madeira com gelo, queda garantida. Devia ter feito como os chineses e ter ido directamente para a cidade medieval. Foi para lá que segui de rabo molhado, mas com um sorriso no rosto quando me apercebi ao levantar que mais um metro de deslize e a experiência no lago Lucerna teria sido total.

Lucerna é a cidade das pontes cobertas que permitem um acesso singular e pitoresco ao seu centro histórico medieval.

A Kapellbrücke, a Ponte da Capela, é o maior ícone de Lucerna. Construída no século XIV, mantém ainda intacta a sua torre original, mas todo o seu telhado de madeira teve de ser reconstruído em consequência de um incêndio em 1993. É um prazer caminhar por esta ponte sobre o rio Reuss. De tal forma que se torna obrigatório fazê-lo repetidas vezes. Os tectos interiores do seu telhado têm painéis decorados com imagens respeitantes à história da Suíça e à mitologia.

A Spreuerbrücke, um pouco mais tardia e mais pequena, também é uma delícia. Também coberta e em madeira, mas desta vez totalmente original, os painéis do seu tecto correspondem à Dança da Morte, representando o sofrimento daqueles que morreram da peste na Idade Média. O nome Spreu significa palha em português e vem do facto de esta ter sido a única ponte donde se poderia deitar palha ao rio na Idade Média.

O centro medieval de Lucerna é pequeno mas interessante pelas suas pracinhas e pelas pinturas decorativas dos seus edifícios. Estes frescos abundam. Eis alguns exemplos.

Já fora deste centro, mas à sua porta à beira do rio, a Igreja dos Jesuítas é marca na paisagem. A visita ao interior desta que foi a primeira igreja barroca da Suiça não deve ser perdida.

Outro elemento que se destaca na paisagem de Lucerna, tirando os omnipresentes lago e montanha, é o Château Gütsch. O tempo horroroso que se fazia sentir acabou por desencorajar a minha subida até ao castelo, pelo que limitei-me a tentar apreciar a sua alvura bem de longe.

Se há ícone de Lucerna capaz de chegar perto do estatuto da Kapellbrücke é o Museggmauer. As muralhas da cidade, antiga estrutura defensiva datada do século XIV, combinam e resumem na perfeição o que Lucerna significa: história, cultura, paisagem. Nestas longas muralhas resistem ainda 9 torres, todas elas diferentes, 4 delas abertas para subirmos ao seu topo e daí apreciarmos as excelentes vistas de pássaro. Mas quem não se quer cansar com estas subidas pode sempre caminhar por uma parte generosa da muralha que fica igualmente com uma grande vista.

Um dos lugares mais visitados da cidade – logo, privilegiado para (re)encontrar tours de chineses – é o Löwendenkmal. O Monumento do Leão é a imagem de 10 metros de um leão moribundo esculpido na rocha de uma elevação à beira de um pequeno lago artificial. Criada por Lukas Ahorn em 1820 em homenagem aos soldados mercenários suíços mortos durante a Revolução Francesa, a figura deste leão é realmente enternecedora, confirmando o escrito deixado por Mark Twain, segundo o qual este é “o mais triste e comovente pedaço de rocha do mundo”.

Voltando à parte baixa da cidade, tempo ainda para explorar um pouco da promenade junto ao Lago Lucerna onde em dias mais amenos se pode nadar e onde figuras como Goethe, Wagner e a Rainha Victoria certamente se deixaram encantar.

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