Senhora do Salto

A Senhora do Salto é um daqueles lugares que traz uma surpresa e uma felicidade inesperadas diante da força ao mesmo tempo bruta e serena da natureza. Parte do Parque das Serras do Porto, em território partilhado pelos concelhos de Gondomar, Paredes e Valongo, o Parque da Senhora do Salto, em especial, está localizado em Aguiar de Sousa, Paredes.

O rio que ajudou a criar o cenário e o continua a manter é o Sousa, afluente do Douro, que aqui corre largo e, subitamente, estreito encravado nas serras altas. Este é um lugar onde se podem viver muitas aventuras, ideal para a prática de rappel e escalada ou caminhadas mais afoitas. Desta vez mantivemo-nos quietos e passeámos apenas por margens mais acessíveis, ainda assim o suficiente para considerar o sítio como brutal.

Debaixo do enorme viaduto da A41 existe uma estrada onde um desvio nos indica o Parque. Descemos e o que primeiro percebemos é um lugar absolutamente tranquilo, ainda que estranhamente sob o tal viaduto.

Para o lado esquerdo, o rio é largo e de águas calmas. Para o lado direito, a maior densidade de vegetação não nos deixa perceber de imediato o que anda para ali. Atravessamos a ponte e subimos um pouco. É então que começamos a ver bem desenhadas umas escarpas imensas, apertadas, um género de garganta por onde o rio Sousa terá de passar.

É a “Boca do Inferno”. O rio que vinha navegando sereno torna-se aqui selvagem. É, ao mesmo tempo, belo e possuidor de interesse geológico. As paredes rochosas, de xisto e quartzíticas, tomam formas curiosas. Apesar de no patamar acima haver um parque de merendas com todas as comodidades, é muito boa ideia deixarmo-nos ficar a piquenicar em baixo, à beira da água, a assistir à saga do Sousa em romper este ponto do seu curso, tentado ultrapassar as muitas pedras que se metem no seu caminho antes de ter de passar por entre as tais estreitas escarpas.

Se nos cansarmos de tanto esforço alheio, basta dirigir o olhar na direcção contrária, onde o Sousa cai levemente por um pequeno desnível, formando uma cascatinha. Não falta sequer uma casinha de pedra do outro lado do rio para compor esta paisagem perfeita.

Subimos, enfim, e descobrimos a Capela da Senhora do Salto numa pequena elevação. Este não é apenas um lugar de natureza, onde a flora e a fauna são diversas e até luxuriantes. Tem de haver uma lenda para o tornar ainda mais poderoso e místico. Pode ler-se numa placa: “Um cavaleiro andante do alto dos penhascos saltou e Nossa Senhora o amparou e o cavalo as patas marcou”. Conta-se que o cavaleiro estava a ser perseguido pelo diabo (ou talvez apenas por um veado) quando se abeirou e caiu da rocha-abismo, livrando-se de morrer ao invocar no salto a protecção de Nossa Senhora. Em agradecimento o cavaleiro terá mandado construir a Capela. Diz que há até marcas – 5 covas – no terreno, correspondentes às 4 patas e ao focinho do cavalo. Não interessa se já ouvimos esta lenda em diversos outros locais e se foi um emigrante quem na verdade mandou construir esta capela. O que interessa é que este é um daqueles lugares que temos mesmo de conhecer.

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