Parque do Barrocal, Castelo Branco

O lugar de antigas pedreiras e alguns terrenos agrícolas e de pastoreio, onde em tempos os albicastrenses se habituaram a ir de piquenique e namoricos, mas abandonado entretanto, deu origem a um dos parques mais incríveis de Portugal, o Parque do Barrocal. Paisagem, geologia, arqueologia, biodiversidade e novos ícones de arte urbana é do que se trata.

O resultado da requalificação e reconversão desta zona da cidade de Castelo Branco abriu as portas em Novembro de 2020 (apenas inaugurado em Maio de 2021, por conta da Covid-19) e tem recebido uma série de prémios, o que após a sua visita é fácil de perceber. Descrito como um “oásis de história natural e de cultura”, este parque de natureza em plena cidade é parte integrante da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Tejo-Tajo Internacional e é um Sítio de Importância Geológica identificado pela Naturtejo. Através desta brilhante ideia de criação do Parque, uma obra de arte paisagística no maciço granítico de Castelo Branco, saímos a explorar a paisagem constituída por granitos com 310 milhões de anos.

Uma série de caminhos e passadiços foram desenhados, adaptando-se às especificidades topográficas e geológicas do sítio, composto por blocos graníticos de formas diversas e singulares e por mirantes e plataformas de observação de traço marcante.

A designada “Chave do Barrocal”, o início do percurso pelo parque, é um passadiço em ferro que ziguezagueia até nos deixar num ponto mais elevado com uma vista para a cidade. O Mirante Castelo Branco faz-nos ver como estamos tão perto da malha urbana, com o Outeiro da Cardosa e seu castelo no cimo e as chaminés da antiga zona industrial logo ali. Aliás, alguns dos monumentos da cidade foram construídos com o granito do Barrocal.

As formas graníticas do parque, cortesia dos movimentos tectónicos e do clima, sobretudo pela erosão ao longo de milénios, são um momento alto da visita. Logo junto ao primeiro miradouro podemos admirar Castelo Branco enquadrada pela Proa do Parque.

Logo a seguir surge o Cogumelo Gigante do Barrocal, mais uma forma geológica de granito muito curiosa.

Um breve desvio no Mirante do Barrocal, onde um marco geodésico assinala os 425 metros de altitude com uma bela panorâmica de tudo ao nosso redor, leva-nos até ao Santuário Rupestre. Os caminhos do Parque vêm sempre acompanhados do devido enquadramento histórico e geológico e crê-se que esta rocha tenha sido monumentalizada pelo Homem de forma a servir de santuário rupestre ao ar livre. É testemunha da presença humana na paisagem, que remontará a finais do 2º milénio ou princípios do 1° milénio a.C., e da prática de actividades profanas e sagradas.

O Túnel do Lagarto e o Observatório dos Abelharucos são dois dos maiores símbolos artísticos do novo Parque do Barrocal. O Túnel do Lagarto é o que o próprio nome indica, uma passagem com a forma desse bicho onde os jogos de luz e sombra são também destaque.

Também o Observatório dos Abelharucos não engana, é uma bela estrutura de forma cónica com dois andares onde podemos dedicar-nos à observação das várias aves que por aqui passam. O sucesso para as identificar e para o registo da sua diversidade depende da época do ano.

Pelo meio, o Círculo do Domo, que se pretende que possa ser o ponto de encontro central do Parque, um lugar para se estar, conviver e trocar experiências. Para lá deste ponto espera-se que a 2ª fase do projecto do Parque traga mais novidades em breve.

Continuando o passeio, o Caminho dos Penedos proporciona-nos uma série de zonas de estar bem bonitas, lado a lado com a natureza mais selvagem, com várias espécies de quercus.

Outra das grandes atracções do Parque são as suas plataformas-mirantes muito bem gizadas. O Mirante da Raia está acima do Observatório dos Abelharucos e tem uma vista larga preenchida por muitos montes que vai até à Serra da Estrela e Espanha. Nele encontramos ainda um painel explicativo de detalhes da paisagem como a Falha do Ponsul, a linha que separa a Beira Baixa do Alentejo, um acidente tectónico com 120 kms de comprimento que é um gigante adormecido.

Há ainda o Mirante da Senhora de Mércoles e o Mirante de São Martinho, este último com uma ponte suspensa que treme à nossa passagem – e nós trememos junto com o ligeiro susto, mas com um sorriso de felicidade nos lábios. Conte com pelo menos uma hora e meia de caminhada prazerosa pelas belezas milenares e futuristas do Parque do Barrocal.

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