Messejana

Dez quilómetros a sudoeste de Aljustrel fica Messejana, uma das freguesias do concelho. A primeira impressão da vila, vista do alto da colina onde outrora estava o castelo, é de espanto. Um muito bonito cenário de uma paisagem infinita de campos de diversas tonalidades de verde e com suaves inclinações ao redor de um pequeno aglomerado de casas brancas de telhados ocres e listas azuis.

As ruínas do castelo, na verdade apenas parte do pano de muralha onde se destaca um pedaço que, isolado, dá ares de torre (talvez parte da torre de menagem), e a Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, ali perto, compõem esta imagem inesquecível.

Messejana foi reconquistada aos mouros em 1235, por D. Sancho II, e o seu Castelo terá sido construído por volta de 1288, obra do mestre Pero Soudo, nos tempos de D. Dinis, embora haja quem não descarte a hipótese de haver já anteriormente um castelo da época muçulmana. A vila foi, então, doada à Ordem Militar de Santiago de Espada. A igreja matriz, por sua vez, é do século 18, seguindo uma tipologia comum aos templos da Ordem de Santiago durante a época barroca. Apesar do seu ar algo austero, os vários “módulos” de diferentes tamanhos e alturas, incluindo a torre sineira à esquerda, dão-lhe vida e alegria. Diz que Messejana chegou a ter 11 igrejas, mas hoje o seu número está reduzido a 4. A Igreja de Nossa Senhora de Assunção avista-se ao longe, isolada, desde a colina do castelo.

E no centro da vila encontramos a Igreja da Misericórdia, construída em 1570 e remodelada posteriormente, em estilo manuelino, maneirista, barroco e rococó e com um curioso campanário com dois olhais. Ao seu lado está a Torre do Relógio, que já foi casa da câmara e cadeia, de carácter barroco e vernacular, também nos costumeiros tons azul e branco, com topo em forma piramidal acompanhado de 4 pináculos e encimado por cata-vento em ferro forjado. E ao centro o pelourinho, quinhentista, atestando o facto de à vila ter sido concedido foral em 1512, por D. Manuel I. Nesta praça principal encontramos ainda a Casa dos Morgado Moreiras, um solar do século 18.

Imprescindível, no entanto, uma curta caminhada pelas poucas e estreitas ruas da Messejana. Derivada da palavra árabe masjana, de significado prisão ou cárcere, não nos podíamos sentir, pelo contrário, mais livres e contentes pelo despertar dos sentidos que se revelam perante os pormenores que surgem no caminho. Em especial, as casas com molduras de janelas decoradas e coloridas, como esta na Rua da Igreja, que desce do castelo até ao centro. A rua está cheia de flores, graças a uma das vizinhas, e é um exemplo da arquitectura popular local. Chamam, ainda, a atenção algumas das chaminés, tão típicas deste Alentejo quase a fazer-se Algarve.

Foi um habitante local que, vendo-nos de máquina fotográfica na mão, deliciados com as referidas molduras decoradas, nos sugeriu a visita às ruínas do Convento Franciscano de Nossa Senhora da Piedade, colina abaixo. Com a vegetação a tomar o lugar, consegue-se ainda assim chegar até à sua fachada e, daí, perceber a sua rica implantação, com vista directa para a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios e Castelo no alto. Construído em 1566 para os frades franciscanos no lugar de um antigo ermitério, teria igreja, sacristia, dormitório com diversas celas, cozinha, refeitório, celeiro e estábulo. Foi objecto de intervenções posteriores que lhe deram o ar barroco e rococó que hoje testemunhamos na decoração do seu frontão, agora com um ninho de cegonhas a encimá-lo. Neste fim de tarde, a última imagem é uma do poder da natureza em tomar uma região ainda rica em património e tradições.

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