Kings of Bergen em Lisboa


Os Kings of Convenience são uma daquelas bandas não mainstream que fazem um surpreendente sucesso em Portugal. Como Lloyd Cole, Tinderticks e outros dedicados às músicas melódicas.
Sábado encheram por completo a Aula Magna, em Lisboa.
Erlend, um dos elementos do duo, já era sobejamente conhecido por ser um animador nato, seja nas músicas mais suaves dos KOC, seja a solo com músicas mais viradas para a electrónica ou mesmo como DJ.
Eirik, mais sério, contrabalança o ruivo com ar de nerd estouvado. Tão sério, tão sério, que arriscou cantar “Corcovado” de Tom Jobim num português praticamente impecável, mesmo se a pronúncia de algumas palavras da letra tenham arrancado risotas do imenso público presente.
A banda vem de Bergen, Noruega. E Erlend contou-nos nessa noite que há uns anos atrás esteve no Lux e passeou bem juntinho ao rio. Esta semana voltou a jantar para os lados da Bica do Sapato e deu de caras com o mesmo que já tinha visto em Bergen: a vedação que impede os cidadãos de usufruirem em pleno o espaço junto ao rio. Rio Tejo em Lisboa, Oceano Atlântico em Bergen. Hoje apenas se espreita o rio ou o mar.
Em ambas as cidades a água tem um presença fortíssima.

Em Bergen, como se não bastasse a água dos fiordes que entra pela terra a dentro, existe ainda um enorme lago (artificial?) bem no centro da cidade.

Em Lisboa os desejos de todos os alfacinhas de verem na cidade uma maior comunhão com o Tejo, que não exclusiva da zona do Parque das Nações, não tem vindo a tornar-se realidade. Pelo contrário, às intervenções prometidas, se vierem mesmo a ser concretizadas, esperam-nos décadas de estaleiros de obra, à semelhança do que acontece no Terreiro do Paço.
Porque temos de nos sentar à beira-rio com uma rede a separar-nos fisicamente e esteticamente do que deveria ser nosso por inteiro?
Regras da UE, que não olha a nomes nem às especificidades dos locais, seja Portugal ou Noruega, ou qualquer um outro que não tenha relação com a água.
Assino por baixo o que o norueguês dos KOC afirmou: É um crime. Roubaram-nos os locais onde nos costumavamos apaixonar.

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