Manas Aus Dusseldorf

Dusseldorf fica a cerca de 40 km a sul de Colónia. Traduzindo, são 25 míseros minutos de comboio, a não ser que calhe estacionar na linha um regional que vá parando em todas as terras vizinhas, caso em que a viagem sobe para uns 50 minutos.
É a capital do Estado “Nordrhein-Westfalen”, embora talvez quer Colónia quer Bona possam ser internacionalmente mais conhecidas. Parece que a ideia por aqui é dividir as distinções. Colónia ficou com o título de maior cidade da zona e com a maior Catedral da Alemanha, Bona ficou com o lugar de capital – quando a Alemanha Federal foi país – e Dusseldorf ficou com o lugar de capital do Estado.
De todas estas cidades vizinhas, Dusseldorf é aquela em que a modernidade mais tem atacado.
A zona do velho porto à beira Reno sofreu uma recauchutagem absoluta com a reconversão urbanística de que foi (vem sendo) alvo. O MedienHafen, serve hoje de laboratório para os arquitectos darem asas à sua imaginação, um pouco à semelhança, salvo as devidas proporções, quer em área quer em qualidade, de La Defense, em Paris, e do nosso Parque das Nações.
O Neuer Zollhof, de Frank “talvez Parque Mayer” Gehry.


Colorium, de William Alsop, e a invasão de “Flossies”.

Para além da arquitectura, a cidade possui dois museus de alto nível dedicados à arte contemporânea.
O K20, que expõe pinturas do século XX de Picasso, Chagall, Klee, entre outros, bem como de expressionistas alemães, incluindo o meu preferido Kirchner. Igualmente, apresenta exposições temporárias. Provavelmente visitei aqui uma das exposições mais interessantes que alguma vez tive oportunidade. Oportunidade e sorte. Porque é mesmo assim. Por vezes calha visitarmos uma cidade e termos a felicidade de lá estar exposto algo ou em curso um evento que mais nos toca. No K20 continua patente até 25 de Junho uma mostra de maquetes de alguns dos museus do século XXI que se encontram já concluídos ou em construção ou, até, sob projecto ou estudo. Maquetes e projectos para todas as sensibilidades, desde as imperceptíveis até às óbvias. O mais perto que tenho a ver com arquitectura é a vontade de brincar com Legos até hoje, no entanto, gostei muitíssimo de, por exemplo, saber e conhecer a ideia para um museu em Lyon (Musée des Confluences) com o formato de uma brutal nave espacial.
Pouco mais de 1 km a sul fica o K21, como o nome indica dedicado à arte do século XXI, aquela em que vale literalmente tudo e face à qual muitas vezes nos indignamos e questionamos: será isto arte? Tudo é válido, quanto mais não seja para nos rirmos e afirmarmos que também eramos capazes de fazer “aquilo”, só não temos é a distinta lata de expor “aquela coisa”. Como dizia o guia da Lonely Planet: “Espera sentires-te chocado, entretido e provocado”. Assim foi.
O edifício é uma adaptação de uma mansão do século XIX, à beira de um lago e com bastante verde à sua volta. Uma imensa calma no exterior que não deixa adivinhar o que se encontra exposto no interior. O piso inferior, reservado às exposições temporárias, contém umas “escotilhas” que dão directamente para o lago, o qual se encontra precisamente ao nosso nível dando a ideia de que estamos no meio da sua água.

A Altstadt de Dusseldorf, correspondente à “cidade velha”, é composta de ruas pedonais inundadas por lojas da moda. Aqui e ali vêem-se snacks onde se pode comer rapidamente e em pé as tradicionais salchichas cortadas às rodelinhas e acompanhadas com inúmeros molhos e batatas. É uma boa alternativa para uma (1) refeição fugindo das amarras do controlo do colestrol.
Junto à Altstadt, em direcção ao Reno, damos de caras com a Rheinuferpromenade, ponto de encontro para todas as actividades, desde simplesmente passear sem destino aparente ou poisar numa esplanada a beber uma(s) cerveja(s).
Toda esta movida e a vida nocturna intensa por estas bandas fazem com que este lado do Reno, com a sua “promenade” e, principalmente, a Altstadt seja conhecido como “o mais longo bar do mundo”.
Para quem tem outros interesses, que tal dirigir o seu olhar para a outra margem do Reno? Incrível como a poucos metros de toda esta agitação possam pastar idilicamente centenas de ovelhas. A modernidade citadina a um passo da vida do campo.
Ainda na Altstadt e para quem, como eu, não pode viver sem um gelado diariamente, é obrigatória uma ida à gelataria “Pia Eis”. Obrigada uma vez mais ao meu amado guia da Lonely Planet que me permitiu optar pela “Pia” e me lambuzar por apenas 1 euro com um delicioso gelado de 2 bolas. Aqui por estas bandas toda a gente come gelados, chova ou faça sol, sempre mais do que saborosos e a preços mais do que acessíveis. E não falo dos gelados tipo Olá, que parecem deter quase o exclusivo cá no nosso país. Também são bons (quem me tira o SuperMaxi tira-me quase tudo) mas os cones com milhentos sabores à escolha são outra loiça. Sem falar de que nos países de “clima horroroso” não se corre o risco de ouvir a resposta “ainda não estamos na época” à pergunta “tem gelados?”

A visita ao centro de Dusseldorf completa-se com uma passagem rápida pela Konigsalle, Ko (com o trema no “o”) para os amigos, uma avenida com lojas de um lado e do outro das marcas de alta costura, sem piada por ali além. É mais fotogénica do que vista ao vivo e a cores.
Para além do que foi possível visitar num dia de passeio a Dusseldorf, mais haveria para ver e fazer. Como sempre, em qualquer cidade, dure a visita 1 dia ou 1 ano.
Poderia, por exemplo, ter passeado pelos jardins do Hofgarten, que ocupam uma área nada modesta da cidade. E, ainda no que diz respeito a jardins, poderia ter dado um saltinho aos jardins japoneses da cidade, um pouco afastados do centro mas certamente uma novidade em relação a tudo o que possa já ter visto.
E poderia, também, ter subido à Rheinturm, uma torre panorâmica de 180 metros de altura às portas do MedienHafen. Certamente que dali se avista toda a cidade. Certamente que o clima do dia que lá passei não permitiria avistar pouco mais de 1 metro à frente e, assim, a subida ficará para a próxima.

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