Centro de Artes de Sines

O Centro de Artes de Sines, a par do Centro das Artes Casa das Mudas, na Calheta, é provavelmente um dos edifícios que mais tem dado que falar no que diz respeito à sua arquitectura. Em comum, para além dos elogios e dos prémios que vêm recebendo (e de ambos terem sido seleccionados para o prémio de arquitectura contemporânea “Mies van der Rohe”) têm ainda o propósito de fazer chegar a cultura a lugares que haviam estado afastados desse circuito.
Da Casa das Mudas da Calheta, do arquitecto Paulo David, já aqui se falou em post anterior.
Passemos, então, para o Centro de Artes de Sines, obra dos irmãos Aires Mateus.

Inaugurado no Verão de 2005, os arquitectos tiveram a intenção de que o edifício fizesse parte da cidade e funcionasse como porta do seu centro histórico.
O local onde foi implantado expressa não só o início do caminho medieval que abre a cidade à baia (através da Rua Cândido dos Reis) como também a via que delimita a cidade histórica da cidade moderna (Rua Marquês de Pombal). Aliás, a rua que divide os dois corpos do Centro de Artes (a Rua Cândido dos Reis) foi integrada com tal sucesso no projecto que pode dizer-se que, hoje, não o poderíamos conceber de outra forma.

A plena integração destas duas épocas da cidade é melhor apreendida por um breve passeio pelas imediações do Centro das Artes, ora vizinho de prédios residenciais comuns a qualquer cidade portuguesa (parte nova) e mais adiante velhos edifícios nem sempre bem conservados (parte velha). Igualmente, a diferença de vivências da cidade encontra-se bem vincada na espécie de vila, nas traseiras do Centro de Artes, com casas de um piso, pitorescamente decoradas na sua entrada com vasos de plantas e tanques de lavar a roupa.

Com este Centro das Artes de Sines pretendeu-se conjugar várias valências num só espaço, como o sejam o acolhimento do centro de exposições, biblioteca, auditório e arquivo municipal, como forma de atrair mais pessoas, quer em número como em diversidade de interesses. Quando por lá passei, em Abril, éramos as únicas no espaço dedicado ao centro de exposições (o facto de ser dia de semana servirá como desculpa?) mas a biblioteca estava, efectivamente, bem composta, quer por jovens quer menos jovens, muito por força da disponibilidade de jornais e revistas.

A arquitectura do edifício, em si, faz-nos recordar um pouco o Centro Cultural de Belém, pela cor dos materiais usados no revestimento do seu exterior. Como o referido anteriormente, ao nível do solo o equipamento é formado por dois corpos atravessados pela Rua Cândido dos Reis, cujos espaços estão interligados e acabam por formar um só corpo ao nível do sub-solo.
Existiu a preocupação, por parte dos seus arquitectos, de permitir que o interior do edifício fosse iluminado naturalmente, o que é conseguido através da colocação de vidros nas fachadas. Curiosa a forma adoptada de introdução destes vidros que nos vai possibilitando desde o interior sentir o pulsar do dia a dia de quem lá fora vai atravessando a artéria que corta os dois corpos.
Tudo muito bonito, sim senhor, espaçoso e permitindo uma boa orientação no que ao centro de exposições diz respeito. Todavia, não pode deixar de referir-se o balde (literal) de água fria que foi verificar que quando chove (era o caso) a água escorre desde a porta principal até cá abaixo, aninhando-se junto às obras em exposição, não restando outra solução às zelosas funcionárias que não lançar mão do tradicional balde (o tal) para fazer face ao seu mais cómodo armazenamento. Erro de projecto? Erro de execução? Enfim… se até o Calatrava tem processos em cima pelas constantes escorregadelas dos cidadãos que teimam em atravessar a sua ponte em Bilbao em dias de chuva…

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