11 de Setembro – Sucre – Potosi

Como tinha referido no post do dia anterior, no turismo de Sucre tinham-nos informado que 2.ª feira era dia de os museus se encontrarem fechados. Surpresa: hoje, terça-feira, a Catedral também estava fechada e assim iria continuar até ao final de umas obras que, pelos vistos, eram desconhecidas do turismo, instalado a uns 300m de distância. E o Convento San Felipe Neri só abriria a visitas na parte da tarde, pois de manhã funcionava apenas como colégio. Para compor o ramalhete, a Casa da Liberdade fechava às 12:30 e só lá chegámos precisamente a essa hora. Quanto a estes dois últimos edifícios que queríamos visitar, o detalhe é que à tarde partiríamos de Sucre rumo a Potosi. Ou seja, perdemos alguns dos ex-libris da cidade.

De manhã decidimo-nos por caminhar por ruas mais distantes do centro, sempre a subir até à Recoleta, lá do alto, onde se obtém uma boa panorâmica da cidade. Pela primeira vez sentimos que uma pequena inclinação basta para nos deixar mais ofegantes do que o costume na nossa vida a 0 metros ao nível do mar.
Pelo meio, antes de chegar à Recoleta (onde, curiosamente, o Museu com o mesmo nome e o Museu dos Niños também se encontravam fechados), acertámos por uma vez: visitámos o Museu de Arte Indígena, muito bom na sua mostra de, entre outros, têxteis de Tarabuco e de Jaqu´a, representando figuras que ainda hoje e muito amiúde se vêem pelas cidades da Bolívia.
Para finalizar a nossa estadia na capital judicial, mais um almoço num restaurante com um páteo acolhedor, confortável e bonito, ao lado de muitos sucrenhos, a preços estupidamente baratos: 1,5 Euros por pessoa para o menu do dia (sopa, prato, sobremesa e bebida).
Iniciámos, então, a viagem de Sucre para Potosi, 3h 30m num autocarro local apelidado de “bom” (na verdade, nem bom nem mau). Éramos as únicas não indígenas e daí que fossemos das poucas preocupadas em não adormecer para não perdermos pitada da paisagem desoladora (positivamente) do Altiplano. Pouquíssimas povoações entre as duas cidades mas, estranhamente, encontrámos umas quantas pessoas paradas ou caminhando no trajecto. Enquanto o autocarro ia fazendo umas paragens para apanhar mais clientes, os vendedores de tudo – gelados, bebidas, pão, empanadas, frango frito a qualquer hora do dia – aproveitavam e entravam também para tentar fazer negócio.

A chegada a Potosi é verdadeiramente estranha. Mais do que em Sucre, para nós tudo é novo. Um caos de vida. As estradas, as casas, as pessoas, todo o movimento que se vê por aqui está muito distante da nossa realidade.
Antes do anoitecer, que nesta esta altura do ano por aqui acontece por volta das 18:30, tivemos ainda tempo para um breve passeio pelo centro de Potosi. Mais uma vez, e tal como em Sucre, as ruas estão plenas de gente.

Aproveitámos os últimos minutos para uma subida à Torre da Igreja dos Jesuítas e com o cair do sol tivemos a sorte de um visual e cores diferentes sobre a cidade e o Cerro Rico, sempre omnipresente. Aqui está instalado a oficina do turismo e fomos “guiadas” por uma simpática funcionária que nos fez as primeiras apresentações à cidade e, de alguma forma, também à realidade social do país. Apesar da crise geral que se vive, com a falta de emprego para os recém licenciados e com a debandada de muitos bolivianos do país (principalmente para os Estados Unidos, Argentina e Espanha), o minério está em alta e, por isso, os mineiros vivem um bom momento, chegando a ganhar cerca de 14 Euros por dia. Óptimo se comparado com os 4
Euros diários ganho pela maioria dos bolivianos (quando o ganham).

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