As Praias

Apesar de a costa peruana estar virada para o Oceano Pacifico e de recorrentemente associarmos algumas das mais belas praias do mundo a estas águas do nosso globo, é melhor rapidamente esquecer essa associação no que ao Peru diz respeito. Com excepção de Máncora (que não conhecemos), bem no norte, já na fronteira com o Equador, ninguém se dá ao trabalho de sonhar com praias do Peru.
Ainda assim, e mesmo tendo presente que o objectivo principal da viagem não era, de todo, fazer praia, fizemos questão de dar uma saltada – desviando até uns quantos kms – para conhecer algumas delas de areia e água escura, rodeadas pelas areias duras do deserto que se vai vendo pela Pan Americana que percorre praticamente toda a costa peruana.

Em Pimentel, perto de Chiclayo, vimos algumas das totoras dos pescadores que iríamos também ver mais a sul, fizemos parte da (permanente?) campanha eleitoral que se observa em quase todo o espaço livre dos muros e vimos uma ondaça bravamente surfada no espaço de muro que ficou livre dos políticos.

Ponderámos ir até Puerto Chicama, vilarejo segundo dizem com pouca graça mas com a fama de ser a onda mais longa do mundo. Mas para isso teríamos de desviar muitos kms, perdendo muitas horas só para ver uma onda que não iria existir por aqueles dias.
Optámos, então, por nos manter e dormir em Pacasmayo. Os seus locais reclamam para si o título de onda mais longa do país, em El Faro. Não conseguimos tirar conclusões a respeito. Mas conseguimos, sim, sentir a pacatez do seu malecón, com o pier antiquíssimo e nem sempre com as madeiras todas, facto plenamente compensado com a vista para as poucas mas lindas casas coloniais com vista para o Pacífico. É um bom sítio para se parar e deixar ficar a pensar na vida ou, simplesmente, não se pensar em nada. À noite fomos ao bar / restaurante “Puerto Escondido” – só podia ser nome de bar de surfista ao levar o nome da famosa onda mexicana – do Marcos, efectivamente surfista. Ouvíamos e íamos participando timidamente da conversa entre um brasileiro e um chileno, acompanhado de um gringo que não parecia falar espanhol, sobre as ondas do Peru e do Chile. O brasuca tinha vindo de mota, segundo a sua contabilidade para aí uns 6000km e ia voltar ao Brasil por Iquitos, porque por questões burocráticas só podia estar fora 3 meses. O chileno, esse, era um dos tais que parecia ter assentado arraiais por Pacasmayo, pela tal calmaria de Pacasmayo, assim como parecia passar os anos a assentar arraiais em outros pousos como este, porque os haverá e muitos pela costa peruana e, já agora, chilena. É só procurar e deixarmo-nos ficar, desviando ou integrando estes sítios que acabam por se tornar especiais nas nossas viagens, que não são só Machu Picchus. E ainda bem.

Uma outra praia que visitámos foi a de Huanchaco, bem perto de Trujillo. Inexplicavelmente, é muito popular entre os turistas que por lá vão passar uns dias num dos seus muitos hotéis (há quem opte por ficar aqui alojado em detrimento de Trujillo) e aproveitam para ter umas aulas de surf. As ondas por aqueles dias não apareceram e, talvez o tempo feio e nublado tenha ajudado, não lhe vimos encantos de maior. Apenas a “exposição” de totoras nos fará lembrar este “museu”.

Afinal, parece que mesmo desprovida de encantos Huanchaco é boa para relaxar.

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