3.º Dia em Lanzarote

Iniciamos o dia na “Casa” de José Saramago, cujo relato da visita deixo para post autónomo. Depois de sairmos de Tias seguimos para a Fundação de César Manrique em Taro Tahíche. Curiosamente, quando Saramago chegou a Lanzarote para lá se instalar, o grande nome da ilha havia falecido há pouco e, por isso, não se chegaram a cruzar. Saramago como que veio assim a preencher o lugar vazio de guardião do bom urbanismo e equilíbrio com a natureza no desenvolvimento da ilha, sucedendo de alguma forma a Manrique (e na “Casa” de Saramago podemos mesmo ver um quadro de Manrique).

Esta Fundação está instalada no que foi a própria casa do artista e abriu portas em 1992, meses antes da sua morte. O lugar, no seguimento das anteriores obras que lhe vimos, é pleno de aproveitamento dos contrastes da ilha. Construída num campo de lava, o edifício branco é muitas vezes invadido pela lava, com as janelas a mediarem o combate. Se o houvesse, porque tudo aqui é extremamente pacífico e equilibrado.

No piso inferior vemos o aproveitamento dos buracos criados na terra pela lava, as “borbulhas”, umas decoradas com mobiliário, designadamente sofás e mesas, brancos, outros vermelhos, outro ainda com as paredes em preto. Tudo espaços para serem vividos, seja a confraternizar com amigos, seja sozinhos com nós mesmos (ou Manrique sozinho, que parece que já estou a fazer da sua casa minha), com um buraco natural no tecto que deixa entrar a luz suficiente mas, incrivelmente, mantém a área fresca.

Ainda neste piso baixo encontramos um espaço para o barbecue e uma piscina luminosa, aproveitando o contraste do branco branquíssimo e do azul azulíssimo. Nas demais salas, uma no piso inferior e outras no superior (onde ficava a sala, dormitório e cozinha) encontramos pinturas de Manrique e outros artistas pertencentes à sua colecção privada. À parte os quadros, impossível não nos deixarmos deslumbrar com os cortes nas paredes com a introdução de janelas que criam um prolongamento do espaço rumo à montanha e à terra de lava.

Se não tivéssemos tido já provas bastantes de que a arte do homem e a arte da natureza podem conviver lado a lado nesta ilha, teria-mo-la na costa de Famara, a poucos minutos de carro desde a obra arquitectónica do grande artista da terra.
Aqui nesta praia no lado noroeste existe um montão de lojas e escolas de surf, mesmo se as condições neste dia não estavam grande coisa. Mas existe também uma simpática pequena vila, Caleta de Famara, com casas de pescadores ou de veraneio mesmo junto ao mar, onde se come umas boas lapas e mexilhões. Tivesse um dia de sol sem nuvens e a vista para o Risco de Famara, uma espécie de montanha em precipício, e para o braço El Rio seriam soberbas.

De volta para o centro da ilha passamos pelo Museu do Campesino e seguimos para as praia da muito sem graça turistica Costa Teguise, a não ser pelas boas condições para o windsurf.

Para o fim da tarde ficou a visita a Arrecife, capital de Lanzarote. Para ver, o Forte de San José, onde está instalado o Centro Internacional de Arte Contemporáneo, com poucos quadros em exposição, mas com um bar / restaurante com mobiliário e vistas bonitas para o porto. Mais uma vez, o impulso desta adaptação do forte a museu foi de César Manrique.

Arrecife é pequena e a zona central fica junto ao Charco de San Ginés, reentrância do mar na cidade, com os barquinhos pequeninos dos pescadores a colorirem esta espécie de baia. Existe ainda um outro forte, o de San Gabriel e, um pouco mais à frente, a praia citadina de Reducto.

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