Pelo Centro do Rio

O primeiro dia foi dedicado ao centro do Rio. A irlandesa Andrea, da organização da prova do Rei e da Rainha da Mar, perguntou o que é que eu ia fazer para o centro, ela que até mora em Santa Teresa. Fui ver museus, ora essa. E fui sentir o coração da cidade que trabalha, que se move de um lado para o outro sem ficar parada a apanhar sol na zona sul.

Comecei numa viagem de metro entre Copacabana e o Largo do Machado onde umas senhoras da terceira idade faziam exercícios numas máquinas instaladas pela prefeitura. Na cidade que vai receber uns jogos do mundial de futebol em 2014 e os jogos olímpicos em 2016 não se espera menos do que toda a gente dedicada ao desporto.

E por falar em exercício, depois de passar o Catete subi meio com língua de fora a ladeira que leva até à Igreja de Nossa Senhora do Outeiro da Glória. Não fui, no entanto, recompensada com a vista linda que de vez em quando o tempo permite – a chuva miudinha e o céu coberto não me largaram.

Mesmo assim, ida obrigatória até ao Parque do Flamengo, com a sua praia debruçada para a Baia de Guanabara e Morros da Urca e Pão de Açúcar. A animação, mesmo que pouca gente esteja por lá, é constante e vai do joguinho de futebol, aos corpos sarados que correm junto à agua ou ao pai e filho que empinam papagaio. Ou, então, descansar apenas.

No Parque do Flamengo fica o Museu de Arte Moderna, instalado num edifício também ele com a característica modernista acoplada e com intervenção paisagística de Burle Marx. A colecção não me pareceu nada de extraordinária, mas o espaço interior vale a visita.

Já no centro visitei ainda o Museu de Belas Artes, com lugar à arte brasileira desde o seu inicio, nos fins do século XVIII, até aos dias de hoje. Fiquei fula quando me deparei com um aviso de que a obra “Café” de Portinari havia sido emprestada. Grrrr. Também o edifício, bem mais antigo do que o do MAM, vale a visita.
E por último, no que às artes diz respeito, o incontornável Centro Cultural Banco do Brasil, enorme, variado, moderno, pujante. Ainda por cima tem actualmente uma exposição sobre a Índia, tema bem do meu agrado.
Estes dois últimos espaços culturais ficam situados bem no centro da cidade. O Museu das Belas Artes fica junto da Cinelândia, onde fica também o Teatro Municipal, de arquitectura singular de que não haverá muitos mais exemplos no Rio. A poucos metros daqui fica o confuso e movimentado Largo da Carioca. A arquitectura aqui não é tão antiga e junto a um vulgar edifício com uns 30 andares fica o fabuloso edifício da Petrobras, feito com cortes que dão o efeito de criarem uns jardins em vários patamares.

A arquitectura no centro do Rio é uma autêntica misturada de estilos, o antigo com o velho, o moderno com o novo. Um exemplo gritante desta confusa mescla, onde o resultado é pavoroso, é o da Praça onde fica o Real Gabinete de Leitura Português. Este edifício, absolutamente deslumbrante no seu interior, tem a fachada em estilo manuelino; à sua frente temos um 2 pisos que mais parece que um furacão lhe passou adiante sem ter conseguido arrancar-lhe o mamarracho que lhe fica atrás; e… que é aquele caixote horrendo ali mesmo à beira? De fugir, não fosse dar-se o caso do Real Gabinete ser uma daquelas visitas que valem bem uma vida.

De fugir a sete pés, se a multidão deixar, é a zona conhecida como o SAARA, algo como sócios e amigos das adjacências da rua da alfândega. Dizem que aqui estão os melhores preços de todo o Rio, e efectivamente foi aqui que encontrei as havaianas mais baratas, mas só isso não chega para sobreviver com dignidade a esta mega feira de lojas que percorre um sem número de ruas. Para que conste, nunca gostei de feiras e nem os enfeites a atirar para o género de santos populares me fez mudar de ideias.
O objectivo deste primeiro dia era conclui-lo no bairro de Santa Teresa já com o meu bilhete para o show dos Kings of Convenience no Circo Voador na mão. Pode parecer estranho ir ouvir um duo norueguês a uma das salas mais míticas do pop rock carioca, mas para além de ser o meu grupo favorito um dos seus rapazes até canta Vinicius de Moraes num português quase perfeito. Fiquei pelo bairro da Lapa com as mãos a abanar – parece que aos cariocas também lhes faz sentido ir ouvir os nórdicos, os bilhetes estavam esgotados.
Deixa a tristeza para lá, que ainda faltava passar por baixo dos Arcos da Lapa, já que o bonde está novamente suspenso. Ver os arcos branquíssimos ali mesmo ao pé foi uma desilusão, achei-os feios, nada elegantes. Assim como achei feíssimos os materiais da Catedral Metropolitana, apesar de ter achado linda a sua arquitectura e forma tanto no seu exterior como interior, redondinha e cheia de vitrais.

Mas aí perto fica a escadaria Selaron que nos faz esquecer rapidamente tudo o resto. Um artista chileno que vai enchendo uma escadaria enorme de azulejos desenhados e pintados por ele, em nome do amor que tinha por sua mulher já falecida e do amor bem vivo pelo Rio. Um portento de imaginação.

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