O Rio à Chuva e ao Frio

O segundo dia comecei-o bem cedo para colocar em marcha o pretexto que me trouxe ao Rio. Ou seja, nadar 2 km nas águas de Copacabana, no Posto 5, onde decorrerá a modalidade de Águas Abertas nos Jogos Olímpicos do Rio em 2016. Que honra! Incrivelmente, uma vez que estamos em pleno Verão brasileiro, o dia amanheceu com chuvinha miúda, céu fechado, água a 17 graus. Não costumo ter problemas com o frio da água e nado sempre sem fato, mas desta vez senti logo um friozinho ao entrar na água do Posto 5 de Copacabana. Só que … talvez o facto de ter o Pão de Açúcar à minha frente me tenha feito pensar em nadar de cabeça levantada e esquecer tudo o resto. Apesar de termos sido cerca de 300 fulanos, consegui não levar muitos socos e pontapés e fiz toda a prova de forma relaxada. No final tive que sair rapidamente rumo ao hotel para tomar um banho quente, que uma hipotermia não dava nada jeito.

Mais tarde, depois de São Pedro me ter permitido um deslumbre visual no Leme sem chuva, mas com um vendaval tal que a areia empurrada contra as pernas fazia doer, vim a aperceber-me que afinal o frio do começo da manhã não era páreo para o que viria nas horas seguintes. Foi o seguinte: entrada no Forte Duque de Caxias, vulgo do Leme, negada por pista escorregadia pela chuva caída anteriormente; pedra do Arpoador de fugir por chuva (e frio e vento) caída no momento. Pior do que isto só mesmo descobrir que a Galeria River, tão amada por mim e pela minha irmã nos anos 90, não tem absolutamente nada de jeito, a não ser uns hambúrgueres deliciosos. Mais, a K & K foi-se não sei para onde.
A vista do Arpoador, uma daquelas coisas que vale por si só uma viagem transatlântica, especialmente se for para ver o por do sol, de sonho tornou-se pesadelo. Uma desolação inexprimível. A Pedra da Gávea só se via a metade da sua altura, dai que umas horas mais tarde, estando numa das ruas interiores de Ipanema e vendo o céu a descobrir um pouquinho, não tenha hesitado em correr até à praia para ter mais do que um vislumbre deste cenário esculpido directamente pelas mãos de Deus, mais um entre tantos no Rio.

Depois de uma volta pela Ipanema das lojas mais na moda (só para ver, que os preços brasileiros estão estratosféricos), segui para o Jardim Botânico, que nunca havia visitado.

Dizer que é um recanto numa metrópole é dizer pouco. Mandado ser criado pelo rei D. João VI quando este se pôs em fuga para o bem bom dos trópicos, não serão tanto – aos meus olhos e conhecimentos – as espécies que alberga que fazem a diferença. Antes o facto de ficar encostado à Mata Atlântica e ficar rodeado daqueles morros imensos e verdejantes de que o do Corcovado é só um exemplo. A enorme e lindíssima avenida das palmeiras, cartão postal do Jardim, parece ficar subjugada a toda esta esmagadora natureza.

Já que estava por ali, atravessei umas ruas e fui dar uma espreitada à Lagoa Rodrigo de Freitas, mais uma daquelas coisas da natureza que não se explicam, antes se observam cuidadosamente para o queixo não cair. Ainda por cima, apesar de o tempo continuar uma tristeza, os morros em volta faziam espelho nas suas águas, dai que não tenha chorado tanto. Desde há uns anos que em Dezembro é instalada uma árvore de Natal no meio da Lagoa, a maior árvore flutuante do mundo, que de noite vai mudando de cores e enfeites, muito parecida com aquela nossa árvore que esteve no Terreiro do Paço e em Belém.
De volta para Copacabana, e apesar do cansaço, só tinha vontade de continuar a caminhar na Avenida Atlântida, deixando-me estar a ver os joguinhos de futebol ou de voléi, mas tal como no começo do dia … ai o frio.

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