As Livrarias do Rio

Quando saio à rua, seja onde for, dificilmente consigo escapar a olhar para as bancas de jornais. Tenho a certeza de que esse meu hábito surgiu no Rio de Janeiro, onde esquina sim esquina sim há sempre jornais e revistas para olhar.
Claro que decisivo para este meu gosto por publicações foi o facto de o meu pai comprar sempre vários jornais por dia (a Capital era vespertino, por isso havia que comprar mais qualquer outro para entreter as manhãs, e ainda havia os desportivos), fora os semanários.
E depois existe a paixão pelos livros. E pelas livrarias. Não que as livrarias do Rio sejam as melhores do mundo. Não o sei. Mas têm livros em português, muitos livros em português mesmo.
Como tinha poucos dias no Rio, acabei por deixar ao acaso a entrada numas quantas, fosse no centro ou na zona sul. Já sabia que a livraria da Travessa era uma das que valia a pena ter em conta. O bom foi ter calhado de ir à sua loja original, a da Travessa do Ouvidor, no Centro, rua a quem deve precisamente o seu nome.
E depois calhou também ter passado na livraria Letra Livre, para os lados do Real Gabinete Português de Leitura, muito acolhedora e com livros em primeira e em segunda mão.
Mas a que mais gostei foi a livraria Argumento do Leblon. Fui jantar ao Sushi Leblon e a Argumento estava a uns poucos metros dali, mesmo do outro lado da rua. Esta é a livraria que aparece sempre nas novelas da Globo do Manoel Carlos. Apesar de não ver novelas há mais de uma mão cheia de anos, ainda me lembro de algumas das suas histórias passadas no bairro do Leblon e lembrava-me da cara dele. Dai que o tenha reconhecido logo quando entrou velhinho e curvado para mais uma noitada de tertúlia na sua livraria. O agradável, mas não inédito, da Argumento do Leblon é o espaço de barzinho mesmo junto aos livros. E porque é disso que se trata comprei uns quantos e logo me arrependi de não comprar uns quantos mais (não que os preços sejam uma oportunidade). Um deles foi o “Lavoura Arcaica” de Raduan Nassar e a moça da caixa logo me disse, emocionada, que este era o seu livro de cabeceira. Não podia deixar de o ler logo. Não é uma obra fácil, fez-me lembrar a escrita de Clarice Lispector, também complicada. Mas gostei e voltei para casa mais feliz.

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