Mais Pequim

À parte os monumentos que destaquei em posts autónomos, bem como a comida – o pato à Pequim do Dadong pode já ter saído do meu paladar, mas não sairá da minha memória gustativa – e o gelado de alecrim e o de chá verde, muito mais há para viver em Pequim.

A rua mais emblemática da capital, género de Rua Augusta, é a Wangfujing. Aqui temos comércio tradicional, algumas lojas da moda, um centro comercial que parece não ter fim, um mercado de artesanato e outro de comida. Na amálgama de estilos parece ser um bom exemplo do que é a China.

A China moderna, essa, está em Sanlitun, onde se vê o gosto e maneiras ocidentais. Aqui perto fica o edifício da CCTV, a televisão chinesa, de Rem Koolhaas, artisticamente implantado numa zona onde já existem um quantos arranha-céus e muitos outros estão na calha para virem a emergir dos imensos buracos que já foram esventrados. O desenho é de outro mundo, tal como já tínhamos experimentado com a Casa da Música do Porto.

Outros dos maiores arquitectos do mundo deixaram também a sua marca na paisagem de Pequim. É caso da dupla Herzog & De Meuron e do seu mais do que elogiado estádio conhecido como Ninho de Pássaro. É o Estádio Nacional de Pequim, que serviu de palco para os inesquecíveis Jogos Olímpicos de 2008. A sua arquitectura é belíssima, concreto intrincado que parece ir fazendo lacinhos aqui e acolá. O jogo de cores que sobre ele incide à noite consegue torná-lo ainda mais bonito. Idem para o Cubo de Água, o complexo onde decorreram as provas de natação. Este edifício não é de desdenhar durante o dia, mas à noite consegue entender-se na perfeição as bolhas de água que o decoram à medida que as diversas cores se vão revelando.

A torre olímpica é uma boa companhia para estas duas peças superiores. Agora, há que referir que o ambiente que se vive no Parque Olímpico é de tudo menos de desporto. Aquilo parece uma feira foleira que, não fossem as dimensões desmedidas, poder-se-ia dizer que mais parecia uma aldeia. Enfim, a arquitectura pode ser do mais moderno que há, mas isto é a China e os chineses.

Todavia, para contrariar o que acabei de escrever, eis o Distrito da Arte 798. Continua a ser a China e os chineses, mas estes artistas já não são de feira. Num antigo complexo industrial, cheio de fábricas e de edifícios abandonados, foram-se instalando uma série de galerias de arte contemporânea. O lugar é tão grande, quarteirões e mais quarteirões, ruelas e becos para nos perdermos, que facilmente podemos passar aqui um dia inteiro. Existem restaurantes e bares, lojas de arte, mobiliário, roupa, galerias e, sobretudo, muita arte de rua – graffitis e esculturas.

Mas porque é tradição e sobretudo um toque de oriente que querermos quando viajamos a Pequim, temos ainda para nos deleitarmos uns quantos templos, entre os quais o Templo Lama e o Templo de Confúcio, quase um ao lado do outro. O primeiro é um dos maiores templos budistas e cor e movimento é o que aqui se observa. O segundo é muito mais pacato e consegue-se viver aqui momentos de tranquilidade.

No entanto, uma das melhores experiências que se pode ter em Pequim é caminhar pelos seus hutongs, as ruelas que ainda sobrevivem no centro da capital e onde podemos literalmente entrar pelas casas e vidas adentro dos locais. A rua e a casa confundem-se de tal maneira que quando damos por nós não estamos numa rua sem saída, antes na casa de alguém. À porta das casa, ou junto a uma janela ou tão somente parede, vemos uma bicicleta encostada, mas também roupa estendida ou um armário em uso. Historicamente, os hutongs são do templo dos mongóis, século XIII, mas cresceram com os Ming, século XV. Nos últimos anos muitos têm vindo a ser demolidos para dar lugar a edifícios e ruas mais modernas. Mas é ainda fácil darmos de caras com um hutong. A zona de Nanluogu Xiang será a mais evidente para explorar, até porque aqui foram bem sucedidas as tentativas de recuperação, mas um pouco por todo o lado eles existem. É só metermo-nos ao caminho e … ei-los. Por exemplo, no nosso primeiro dia em Pequim, um domingo, passámos a tarde na zona dos parques e lagos Houhai e Beihai – óptimos caso não se suporte estar sozinho. Alugámos uma bicicleta e fomos pedalando à volta do lago e um pouco pelo interior dos bairros. Foi logo, rapidamente sentimos um cheirinho daquilo que imaginávamos a China mais tradicional.

O que retirei da viagem à cidade de Pequim é que é uma cidade em franca renovação, mas onde aqui e ali, onde menos se espera, o tempo parece ter parado. A jornada em que fomos assistir à Ópera de Pequim é elucidativa: o Huguang Huiguan é um teatro tradicional, absolutamente pitoresco e acolhedor, mas só lá se encontra turistas. A zona da cidade onde se encontra não é feia nem bonita, nem nova nem velha. Mas para se ir daqui a pé até à Praça Tiananmen – uma daquelas coisas não muito óbvias que gostamos de fazer – passa-se por uma rua de edifícios baixos e velhos, em terra batida, com comida de rua, um qualquer hutong esquecido. E de repente estamos na Rua Qianmen, toda bonitinha, recuperada, enfeitada, cheia de lojas da moda.

Ou seja, uma cidade para todos os gostos.

Pode-se pedir mais?

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