Japão – primeiro dia

Viajar de Lisboa a Tóquio implica muita paciência e resistência. A viagem de avião, com escala no Dubai, foi uma jornada dividida em duas rotas aéreas, uma de 7:40 e outra de 9:30. Fora o tempo perdido em aeroportos. Em resumo, mais de 24 horas depois de termos saído de casa chegámos ao hotel no outro lado do mundo.

Do aeroporto de Narita para o centro de Tóquio a melhor e mais barata forma para se percorrer os seus cerca de 66 kms é de comboio.

Escolhemos ficar a primeira noite num hotel cápsula em Shinjuku, bairro onde está situada a maior estação de metro do mundo. Na viagem de comboio nocturna era já visível a presença dos neons. Mas em Shinjuku eles são omnipresentes, precisamente aquilo que imaginámos ser a cidade de Tóquio. Uma cidade que nunca para, sempre com pessoas em movimento, iluminadas pelos reclames luminosos dos seus edifícios. 

Apesar de cansadas não perdemos a hipótese de fazer uma revista ao local. E bem valeu a pena. Perto do hotel cápsula fica o red-light district, com muitos meninos na rua a tentarem convidar os eventuais clientes para entrarem e conhecerem as meninas. Tudo super seguro.
 
 
Mas o mais interessante foi caminhar e descobrir a chamada zona Gai, um quarteirão com umas ruas estreitas inundadas de bares minúsculos. Os edifícios aqui são pequenos e baixos, dois andares. Todos os primeiros andares adaptaram o seu hall de entrada para bar, mas este não tem espaço para mais do que um balcão e lugar para 5 ou 6 clientes. E o esquema repete-se porta sim, porta sim, alguns com actividade também no segundo andar.

Quanto à experiência de dormir numa cápsula o melhor que posso dizer é que aconselho e repetiria. Primeiro porque é uma boa forma de se poupar dinheiro – a noite no cubículo ficou a cerca de 18 euros. Depois porque acaba por ser uma estadia confortável. Este tipo de hotel é uma japonice inventada com o propósito de proporcionar uma forma de passar a noite na cidade aos trabalhadores que tardiamente já não conseguem voltar para casa. A maior parte deles é exclusivo para homens, mas no caso do nosso, o Shinjuku Kuyakusho-mae, o oitavo andar era destinado apenas a mulheres. As cápsulas, género de gaveta sem porta para puxar, estão dispostas em fileiras de dois andares. Lá dentro há o espaço suficiente para nos esticarmos e espreguiçarmos e ainda temos direito a televisão e rádio, para além de toalhas, um jogo de cama e pijama. Este pijama, que todas usámos como se de um uniforme se tratasse, fazia parecer que estávamos numa prisão. Só que não creio que prisão tenha casa de banho e duches tão bonitos como aqueles, incluindo botões para ligar música na sanita, e shampoo e gel duche da Shiseido. Uma coisa má, porém, comum a qualquer dormitório: ser interrompida no seu sono pelo barulho provocado pelas constantes chegadas e partidas das compinchas e ter de ouvir o seu ressonar, puns ou até ataque de soluços a meio da madrugada. Mas comparativamente ao número de horas dormidas no avião e à qualidade do sono, a cápsula é que é o verdadeiro céu.

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