Pela História de Aveiro

Aveiro é cidade antiga, mas quem por ela caminha irá encontrar um passeio pela história de ontem até à história de hoje.
Já no século X encontra-se referência ao topónimo que hoje conhecemos por Aveiro: no testamento da Condessa Mumadona Dias ao Mosteiro de Guimarães esta doou-lhe as “terras in Alauario et Salinas”. Ou seja, Aveiro era então Alauario e já nela havia salinas, uma das actividades que ainda hoje, embora em muitíssimo menor escala, dominam a vida económica da cidade feita capital de distrito.
A palavra Aveiro terá derivado do latim “aviarium”. Haveria lá assim tantas aves? 

Outro marco histórico na cidade deu-se em 1472 com a entrada da Infanta Dona Joana, filha de Dom Afonso V, no Convento de Jesus. Esta decisão da Princesa, não muito bem recebida pelo seu pai e pelo seu irmão, irá como que colocar Aveiro no mapa do reino. Joana, que não é verdadeiramente santa, mas foi beatificada em 1693, é a padroeira da cidade.
No Convento de Jesus está hoje instalado o Museu de Aveiro (ou Museu Santa Joana Princesa). Este é um dos locais de visita que não se deve perder – este mosteiro dominicano feminino tem uma capela-mor fabulosa revestida a talha dourada. Para além disso, os claustros possuem um ambiente singular, com a sua fonte sem água de quarto cabeças. Das várias salas ao longo dos claustros a do refeitório é aquela que mais facilmente nos transporta para os tempos em que as dominicanas em clausura se reuniam para a refeição nos lugares marcados. Se não podiam falar, ao consolo da comida juntava-se o consolo da bela decoração azulejar.
Este museu possuiu ainda, no segundo piso, uma boa colecção de pintura, estatutária e mobiliário. O maior exemplo será a pintura de Santa Joana atribuída à escola de Nuno Gonçalves.

Voltando à história de Aveiro, a sua situação geográfica permitiu que desde muito cedo a população aí se fixasse. As salinas, a pesca e o comércio marítimo eram as actividades principais. 
No tempo dos romanos o lugar de Aveiro estaria ocupado pelas águas do mar. A Ria – elemento incontornável quando nos ocupamos de Aveiro – iria formar-se mais tarde. Um cordão arenoso foi surgindo ao longo da costa formando a Ria. Na época dos descobrimentos Aveiro possuía já cerca de 14000 habitantes e muitos conventos. A exploração das salinas continuava e era então acompanhada de viagens anuais à Terra Nova para a pesca do bacalhau. Também a agricultura e a caça de patos ocupavam as suas gentes e o moliço (daí o nome dos barcos moliceiros que o transportavam), como adubo natural, permitia que os solos tivessem uma melhor produtividade agrícola. 
Acontece que com o tempo a separação da Ria e do mar tornou-se cada vez maior e o cordão de areia passou a impedir o Vouga de desaguar no Atlântico. A Ria deixou de ter acesso ao mar e a vida das suas gentes alterar-se-ia. Aveiro deixa de ser um porto marítimo. Para piorar, o nível da Ria ia subindo cada vez mais e as suas águas cobriam as salinas e os arrozais, transformando-se em pântanos de águas paradas que se tornaram focos de doenças. A mortandade fez com que a população descesse para os 4000 habitantes entre os séculos XVII e XVIII.
O problema da Ria só seria resolvido em 1808 com a abertura da Barra Nova em São Jacinto, passando, assim, as águas da Ria a correr para o mar. Este novo canal navegável ligava ao mar e permitia finalmente o labor dos navios de comércio do centro da cidade até ao Atlântico.
A cidade de Aveiro abria-se ao mundo no século XIX. A actividade das salinas voltou e surgiram estaleiros navais e novas indústrias. A fábrica da Vista Alegre, que abriu em 1824 com o fabrico do vidro, é um exemplo.

Os industriais e a burguesia iriam dominar a vida da cidade no século XIX e XX e isso é bem visível no património edificado da cidade, sendo fácil para o visitante esbarrar com vários exemplos de Arte Nova e construções em tijolo ocre ou com as omnipresentes fachadas de azulejo. Hoje, exemplo maior da actualização arquitectónica da cidade encontramo-lo no campus universitário, onde intervieram quase todos os maiores nomes da arquitectura portuguesa do nosso tempo.

O futebol, com o Euro 2004, foi também ele um elemento que contribuiu para a introdução de uma alteração significativa na paisagem. Não falo do deserto Estádio de Aveiro, mas antes da zona da Fábrica de Cerâmica Campos. Para este imenso edifício foram transferidos muitos dos serviços camarários e junto ao lago artificial – Lago da Fonte Nova – encontramos ainda o interessante edifício do Hotel Melia e uma nova urbanização de cujas varandas invejo as vistas.

Uma palavra mais para a estação de comboios de Aveiro. A chegada do caminho de ferro (e, mais tarde, do IP5) foi igualmente um factor que contribuiu para uma maior abertura e desenvolvimento da cidade, mas o seu edifício principal em Aveiro trouxe-nos e dá-nos ainda hoje muito mais do que isso. A sua decoração em azulejos que remetem para a vida natural, económica e cultural na região é lindíssima. Aqui estão representadas cenas de vindima, marinhas de sal, chegada dos barcos de pesca, a tricana, a peixeira, o pescador, a ria.
Como sempre, vamos dar à Ria – elemento ao qual a natureza e o desenvolvimento de Aveiro está intimamente ligado.

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