Um passeio por Aveiro

Aveiro não é uma cidade muito grande. 
Desde o Canal Central, lugar onde todos os turistas se encontram, e saindo do belo edifício da Capitania, a cidade é rasgada pela Avenida Doutor Lourenço Peixinho, única digna desse título, a qual segue até à Estação Ferroviária. Ao longo desta Avenida encontramos todo o tipo de edifícios, desde aqueles prédios construídos já no nosso tempo até aquelas vilas de gente de posses e gosto. Impossível não esboçar um sorriso ao dar com a sede local do Partido Comunista num edifício apalaçado e a sede local do Partido Social Democrata num andar de um prédio que podia estar em qualquer centro de cidade portuguesa. Uma de um lado da avenida e a outra do outro lado, como convém. 

O comércio nesta Avenida, ainda feito de muitas pastelarias e algumas ourivesarias e lojas de roupa e calçado, é cada vez mais objecto da feroz concorrência do Fórum Aveiro. 
Tirando esta Avenida e o Fórum, existem duas centralidades distintas na cidade, divididas pelo Canal Central. Uma onde encontrarmos um núcleo onde estão instalados os equipamentos públicos, como a Câmara Municipal, o Teatro Aveirense, o Museu de Aveiro e a Sé, com ruas com comércio tradicional e edifícios antigos onde é possível distinguir as varandas em ferro; e uma outra, que diria mais vivida, onde do Rossio partimos para a Praça do Peixe e Cais dos Botirões. 

Pelos canais que saem do Rossio – e não é de todo de excluir um passeio no típico barco Moliceiro, que historicamente se dedicava ao transporte do moliço, juntando-nos às hordas de espanhóis – vemos os barcos típicos da Ria, com destaque imperial para o moliceiro. Os desenhos na proa e popa destes barcos são sempre muito coloridos e alternam na representação de elementos da cultura popular, sejam heróis como o nosso Cristiano, Cristo ou sentenças cheias de classe com alusões a figos, pitos, montadas e pacotes. Um hino ao mau / bom gosto (favor riscar o que não interessa). 
Se os moliceiros em Aveiro hoje se dedicam ao transporte de turistas, é bom de ver que os canais da cidade servem também para os atletas remadores treinarem, daí que não seja descabido nomear uma rua de Rua dos Remadores Olímpicos. Aveiro será uma cidade que acolhe jovens, não fosse ter uma Universidade no seu centro. 

Ao longo do Canal de São Roque, onde estão ainda instalados alguns edifícios para o depósito do sal, e em especial no Cais dos Botirões e Praça do Peixe, a animação é muita. Muitos restaurantes, bares e esplanadas. Muita cor nas casinhas à beira do canal. Até graffitis. 

Deixando-nos perder pelas ruas estreitas que estão para além do Rossio – onde encontramos dos melhores exemplos de edifícios de Arte Nova -, logo vemos que os azulejos são uma marca poderosa no edificado da cidade, sejam igrejas ou prédios de habitação / comércio, a juntar à obra prima da Estação Ferroviária.

Cidade agradável de se percorrer sem pressa, sempre com a água da Ria ou dos canais por companhia, a Aveiro não faltam zonas para se deixar estar. Dois bons exemplos são os do Lago da Fonte Nova, para onde “desagua” o Canal do Cojo, e o Parque da Cidade, provavelmente o lugar mais romântico de Aveiro. 

E para o fim ficam os omnipresentes ovos-moles. Impossível escapar deles, porque estão por todo o lado nas diversas pastelarias e confeitarias e porque são mesmo deliciosos.

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