Lamego

Antes de corrermos pelo Douro passámos por Lamego e depois da corrida voltámos para visitar a Virgem do alto do monte de Santo Estevão.

O Santuário de Nossa Senhora dos Remédios é provavelmente o mais conhecido cartão postal de Lamego. Bem pitoresco e sempre rodeado por um intenso arvoredo, o Santuário ergue-se no alto, a cerca de 600 metros de altitude, e espraia-se em patamares numa escadaria monumental até à cidade. O cenário é cativante e não é preciso ser-se crente para se deixar tocar pelo lugar. 
Em 1361 começou por ser aqui construída uma capela dedicada precisamente a Santo Estevão. Mais tarde, no século XVI a devoção a Santo Estevão foi sendo progressivamente transferida para uma devoção à Virgem, e a busca de cura para as doenças por parte dos crentes transformou-se em culto à Nossa Senhora dos Remédios. O Santuário que hoje podemos apreciar foi começado a construir em 1750, mas apenas em 1905 viu a sua conclusão.

A fachada da igreja é bem apelativa, em estilo barroco e rococó, com uma torre sineira de cada lado. Mas é a escadaria a sua imagem de marca. Monumental, mesmo. São 686 degraus, em nove patamares onde vamos vendo desfilar capelas, estátuas e fontes.
Já cá em baixo, no Rossio de Lamego, numa praça muitíssimo bem arranjada e aprazível, as fontes continuam, desta vez dedicadas às quatro estações do ano.
Aqui perto fica um edifício que rompe com a restante Lamego histórica – o interessante Centro Multiusos, do qual só vimos o seu exterior.
Lamego é antiga, pré-romana até. Pela cidade passaram os romanos, os visigodos e os mouros, até que em 1057 foi reconquistada a estes pelos cristãos. Crê-se que foi em Lamego que decorreram as Cortes de Lamego que aclamaram D. Afonso Henriques como Rei de Portugal.
A cidade estava bem localizada e nas rotas dos mercadores que vinham de Castela e de Granada para comercializar sobretudo especiarias e tecidos orientais. Estava ainda na rota da romagem a Compostela. No entanto, a perda de Granada por parte dos mouros e a descoberta do caminho marítimo para a Índia fizeram com que Lamego deixasse de estar a caminho de qualquer coisa e o comércio e a economia da cidade saíram dai prejudicados.
Mas os séculos XVII e XVIII trouxeram consigo o comércio do vinho do Douro e o Marquês de Pombal deu uma ajuda com a criação da Região Demarcada do Douro. A cidade viu, então, serem aqui construídos diversos solares e casas brasonadas, o que ainda hoje é possível constatar. 

Ao longo dos anos Lamego foi rivalizando com Viseu pelo lugar de sede de distrito, sem sucesso no entanto. Mas é até hoje sede da diocese de Lamego, a única que não corresponde a uma capital de distrito. Não estranha, pois, que um dos seus grandes monumentos seja a Sé Catedral. 

Fundada em 1129, foi sofrendo ao longo dos séculos diversas alterações. É uma catedral gótica, mas encontramos aqui também elementos renascentistas, nomeadamente nos seus claustros. A torre da Sé é imponente e dura. O interior é rico e bonito, com elementos do barroco.

O relativamente pequeno e recolhido adro da igreja tem a acompanhá-la umas casinhas bem pitorescas. À volta da Sé o traçado das ruas da cidade é claramente medieval e encontramos edifícios bem conservados.

Perto da Sé fica a Praça Luís de Camões e a zona mais monumental de Lamego – com os edifícios do antigo Paço Episcopal (hoje Museu Regional) e do Hospital da Misericórdia (hoje Cine-Teatro Ribeiro Conceição).
Omnipresente é o castelo, guardião mor da cidade. 
Curioso verificar quantos e tantos turistas descem dos autocarros das viagens organizadas para visitar Lamego. É o vinho e o santuário a chamar, certamente, mas o centro desta pequena cidade bem cuidada merece a curta e agradável caminhada, pelo menos desde a Nossa Senhora dos Remédios ao Paço Episcopal. 

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