Fim de tarde no Pinhão



A viagem de comboio da Régua ao Pinhão oferece-nos uma trintena de minutos de deleite, delicadeza e placidez. Esta última apenas foi quebrada pelas águas tormentosas do Douro até à Barragem de Bagaúste e pelo rapaz que pedalava lá fora numa forte cadência, ainda assim insuficiente para deixar o comboio para trás.


Depois de relembrar a estação do Pinhão – seus belíssimos azulejos e sua localização superior – seguimos para junto do rio e caminhámos languidamente rio Pinhão adentro, entrecruzando conversas de banalidades com temas mais profundos. 



Deixámo-nos conquistar pela simpatia das gentes deste Douro. Diz-se que quando se viaja sozinho é mais fácil entabular conversa com o(s) outro(s), por se estar mais disponível. Mas os cinco estivemos disponíveis e aceitámos que se metessem connosco e quisemos meter-nos com os outros, à vez. O peixe era mesmo um peixe e estava pronto para nos ser oferecido, caso assim o quiséssemos; o nome do barco de cruzeiro amavida prestava-se a dúvidas, mas os simpáticos durienses não se deixaram enganar pelo trocadilho “a má vida”.





Para o fim da viagem, no apeadeiro à saída do Pinhão, a dúvida instalou-se entre nós: como será para um jovem viver ali, terra remota? Um local partilhou connosco uma convicção pungente, a de que a destruição da linha do Tua foi propositada, pois se tal não fosse, como explicar que uma linha centenária tivesse tido dois acidentes seguidos depois de décadas e décadas de viagens pacatas, um deles com vítimas mortais até?
Depois de ouvirmos atenta e silenciosamente este senhor enquanto aguardávamos a chegada do comboio que nos levaria de volta à Régua, incrédulos com o sentido que a história fazia, comentávamos entre nós como era simpática e disponível esta gente, lembrando que apenas o revisor do comboio não o tinha sido, nem sequer tendo respondido aos nossos “boa tarde”. Eis senão quando entra o revisor da viagem de retorno e… era ele mesmo, mas agora em versão brincalhona e efusiva, a distribuir boa disposição para todos os viajantes. 
Ah! Estes homens são uns homens do norte!

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