Dali

De Dali, a velha Dali (não confundir com Xiaguan, a nova Dali, também referida como Dali), fica a sul de Lijiang e foi em tempos um ponto igualmente incontornável na Rota do Chá e do Cavalo, a auto-estrada comercial que ligava a China, o Tibete e a Índia. A cidade velha de Dali não possui, no entanto, o encanto fácil de Lijiang, pelo que as comparações param aqui.



A sua localização é fantástica, encravada entre a montanha de Jade Verde (Cang Shan) – e se ela é verde! – e o Lago Erhai. 




A vida na cidade é relaxada, embora cheia de lojas de souvenirs que se repetem até à exaustão. Tem até uma rua hipster com cafés que poderiam fazer parte da colecção de uma capital europeia. Aliás, existe até uma rua por aqui conhecida pelo nome de “rua dos estrangeiros”. Disso, porém, não guardarei grandes recordações. 



Lembrarei, sim, os pormenores da arquitectura Bai nos edifícios da velha Dali e nas vilas junto ao Lago Erhai. Mais uma vez, as portas fechadas dos seus edifícios tornam-os mais bonitos, possibilitando-nos apreciar na plenitude todos os seus motivos decorativos. 






Mas são as pinturas que marcam presença em quase todos os edifícios, novos ou antigos, de habitação ou templos ou até simples muros, essas pinturas que encontramos um pouco por todo o lado, mais ou menos elaboradas, são elas a marca mais distinta da arte bai. Os Bai são a minoria étnica da região de Dali, antigo centro do reino Nanzhao entre os séculos VIII e XIII, os quais chegaram a expandir-se para o Sichuan, Birmânia e Tailândia. Ao contrário dos Naxi de Lijiang, os Bai de Dali são taoistas e possuem templos. 

Curiosamente, no entanto, são um símbolo do cristianismo – uma igreja – e outro do budismo – pagodes – duas das grandes atracções de Dali.






A igreja da Trindade Católica de Dali, obra de um padre francês que por aqui andou na década de 20 do século passado, é surpreendente. Embora não estejamos acostumados a esta explosão de cor numa igreja católica, o resultado desta mescla de estilos han, bai e europeus é harmonioso e encantatório. A forma da igreja é a de um pagode, só que encimada por uma cruz. Telhados hiper trabalhados com decorações com motivos bai do leão, elefante e dragão a que se junta a fénix. E o interior é simples e despojado, próprio de um missionário.


A San Ta Si, os Três Pagodes, não é menos surpreendente. A uma breve caminhada da velha Dali, deixando a porta norte para trás (uma das quatro portas monumentais da cidade), e entrando pela ruralidade, este é o seu símbolo incontestado e uma das imagens mais conhecidas de toda a província do Yunnan. 


Já tinha visto fotos do pagode mor, mas não esperava o arrebatamento do lugar. No sopé da montanha Cang Shan, e avistando-se o Lago Erhai na direcção contrária, erguem-se no meio de um vale verde bem cuidado três enormes e bem distintos pagodes. O mais antigo, o Qianxun, é também o mais alto, com 69 metros. Incrível saber que foi construído no ano de 850, logo, continua ali, belíssimo e imponente, do alto da sua já mais do que milenar idade. Os outros dois pagodes, um século mais novos, fazem-lhe a guarda, simétricos. Não é possível a visita ao interior de nenhum destes pagodes.
A entrada do parque onde fica o complexo San Ta Si não é nada barata, cerca de 15 euros. Como só se vêem os pagodes por fora e o templo que supostamente ali há para ver é uma construção recente, sem história, válido apenas como um outro ponto de observação para os 3 Pagodes, há quem descreva este sítio como uma armadilha para turistas. É um ponto de vista. Há outro: se pensarmos que provavelmente não voltaremos a Dali, 15 euros para nos deixarmos estar numa sombrinha com vista directa para um pagode milenar num ambiente atmosférico parece um preço justo.

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