Yangshuo


A chegada a Yangshuo tem obrigatoriamente de ser feita por rio. 
Só assim se preenche a alma.
A ideia de que o cenário da região de Guilin se resume a colinas e rios é mais forte do que nunca em Yangshuo. Por aqui nunca estamos longe demais de um rio e, bem, é mesmo impossível deixarmos de avistar uma qualquer elevação. Na verdade, elas são tantas e tão majestosas, que dir-se-ia que é impossível não nos deixarmos perder entre pináculos. 
Embebidas naquela floresta de pura beleza, não exageradamente considerado um dos mais belos cenários do mundo, o mais feliz é sentar junto ao rio e ficar a contemplar a paisagem.
Diante de nós temos, ao mesmo tempo, um pedaço de tranquilidade e de caos num equilíbrio perfeito.

Receio que o centro de Yangshuo seja como o centro de Guilin, um ajuntamento de feios edifícios construídos pelo Homem rodeado por belas colinas criadas pela Natureza.
Porém, as cores do final do dia, em especial vistas da Colina Xilang, no Parque Yangshuo, tornam este conjunto uma enorme obra-prima. Que bela joint venture!

Infelizmente, aquando da nossa visita derrocadas recentes fecharam o Pico do Lotus Verde, um dos pontos mais concorridos e vista privilegiada de Yangshuo para o rio Li, pelo que não tivemos oportunidade de o “escalar”. Ficámo-nos pela vista desde a promenade de Yangshuo, observando o movimento do ferry que cruza as curtas margens, os meninos que tomam banho nus, os barcos de bambu que por ali vagueiam. De repente vem-me à ideia um reputado nadador chinês, Mao. Será que Mao, que tanto gostava de nadar em rios, será que Mao também nadou no rio Li?

A pequena cidade é movimentada de dia e de noite, com lojas e mercados de rua e bares e restaurantes. Não era essa, porém, a nossa ideia de programa para Yangshuo e até ficámos alojadas na outra margem do rio. Nas redondezas do centro da cidade vêem-se vários hotéis, alguns deles designados “retreat”, e passar alguns dias por aqui, nesta paisagem lírica, retempera qualquer um.

A melhor forma de se explorar os arredores de Yangshuo é fazê-lo de bicicleta. Sem ela não se conhece verdadeiramente a floresta de pináculos de calcário de Yangshuo. Um passeio para um dia completo é sair de Yangshuo de manhã cedo e rumar até à Colina da Lua e daí até à Ponte do Dragão e voltar, num percurso quase circular. São cerca de 30 / 40 km.

Até chegar à Colina da Lua passamos ainda pela enorme árvore Banyan que, diz-se, terá cerca de 1500 anos e 17 metros de altura e muitas ramificações.


A Colina da Lua é um dos símbolos de Yangshuo. A subida até lá não é fácil, mas após muitas centenas de degraus ganha-se (mais) uma vista soberba para as erupções rochosas descontroladas da paisagem fabulosa da região. E a novidade deste lugar é uma cave, como o nome o indica, em forma de lua. Mais uma oferta rara e inesperada da natureza.

Da Colina da Lua regressamos até ao cruzamento do rio Yulong e desta vez seguimo-lo. Este é um afluente do rio Li e nas suas águas barrentas pululam os chamados “bamboo rafting”, os tronquinhos de bambu a fazer de embarcação para os turistas descerem o rio.





É possível fazer o percurso de bicicleta acompanhando as curvas do rio mesmo ali ao lado. 
Percebe-se claramente o porquê de tantos barcos feitos de bambu: as suas árvores dominam a paisagem. 
Os arrozais também fazem parte da paisagem. O cenário aqui é dos mais luxuriantes e magnificentes. 
E é aqui, também, onde se pode observar cenas rurais, embora não tivéssemos tido a felicidade de testemunhar muitas delas, com excepção de um ou outro camponês a caminho do trabalho e um ou outro búfalo em pousio do calor. 
Quanto à cena típica de Yangshuo do senhor do pássaro, só mesmo para turista tirar foto e nós não estivemos para isso.

Imperdível, imperdível, por mais turístico que se possa achar que o é, é o espectáculo Liu San Jie, – Impressions. Dirigido por Zhang Yimou, que já tinha sido responsável pela Cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim de 2008 e é um dos mais celebrados realizadores da China, este é um espectáculo de dança, luz e som que utiliza as montanhas e o rio como cenário natural. E que cenário soberbo este é. Num imenso teatro ao ar livre, todos os dias desde 2004 têm sido apresentados dois shows nocturnos com efeitos especiais onde participam cerca de 600 figurantes – parece que toda a cidade participa. Este espectáculo mostra-nos (dai o nome “impressões”) a vida das pessoas à volta do rio Li, nomeadamente a sua relação com o rio, os seus costumes, seu vestuário, sua música, sem esquecer as diversas minorias étnicas que por aqui habitam. O horário do nosso show apanhou o final da tarde, pelo que vimos ainda as montanhas de calcário debruçadas sobre o Li de dia e tivemos direito à mudança das cores de forma natural e, depois, de forma artística. Noite imensa. 
E interessante, também, para nos apercebermos como é tão diferente a maneira de viver um espectáculo por parte dos chineses e dos europeus. Eles em constante conversa e saindo rapidamente ao final do espectáculo; nós em silêncio e aplaudindo ao final como sinal de emoção e agradecimento pelo momento que os seus nos ofereceram.

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