Artistas Viajantes e o Brasil no Século XIX

Na Galeria de Pintura do Rei D. Luís está patente, até 31 de Julho, a exposição “Artistas Viajantes e o Brasil no Século XIX”. Baseada maioritariamente em pinturas da Coleção Brasiliana / Fundação Estudar, foram ainda acrescentadas para esta ocasão algumas peças dos acervos dos Palácios Nacionais de Queluz e da Ajuda – principalmente retratos da família real.


A Coleção Brasiliana reune um conjunto de cerca de 320 obras que nos apresentam a visão de artistas estrangeiros sobre o Brasil do século XIX. Obviamente, apenas uma infima parte destas podemos agora visitar.
A exposição procura dar uma perspectiva acerca de três grandes temas: o Rio de Janeiro e a corte, o registo dos viajantes e a paisagem brasileira.
Quando a corte portuguesa se transferiu para o Brasil, designadamente para o Rio de Janeiro, fugindo das invasões francesas, encontrou um lugar ainda provinciano e longe do esplendor arquitectónico e festivo que se vivia na metrópole. A vegetação imperava, mesmo no Rio. Aliás, felizmente que ainda hoje impera. Esse é o encanto do Rio. Os morros, a floresta e o mar dominam. E a primeira pintura que se encontra exposta, em dimensões bastante razoáveis, só nos faz desejar ter aportado ao Rio há uns séculos atrás. A respiração suspende-se. Toda aquela paisagem ainda imaculada de prédios e asfalto, mas com os três elementos atrás citados que fazem dela a Cidade Maravilhosa.
O que mais me agradou nas pinturas expostas foi a possibilidade de confrontar a cidade de então obra exclusiva da Natureza com a cidade de hoje também obra do Homem mas na qual a Natureza continua a ser senhora.
Não há bondinho, não há Cristo Redentor. Mas há Morro do Pão de Açucar e Morro do Corcovado, com a Baia de Guanabara e a Lagoa lá em baixo exclusivamente a banhar as suas bases. Há a Pedra da Gávea, com a vizinha Pedra Bonita apenas com o vôo livre das aves, que não o dos Homens. E há Ipanema e Leblon com as suas ondas e areias propriedade apenas da fauna local. E sem quaisquer casas. Provavelmente só os indígenas se atreveriam a ir para paisagens tão distantes. A cidade imperial desenvolvia-se quase em exclusivo no que hoje é conhecido como o Centro do Rio.
Encontram-se ainda expostas pinturas da Serra dos Orgãos, paisagens pisadas pela corte a caminho da “cidade imperial” de Petrópolis.
Imperdível esta exposição. Uma excelente ocasião para apreciar pintura e deixar-se viajar pela visão dos artistas que foram ao mesmo tempo românticos e aventureiros. Os primeiros viajantes que nos proporcionam agora imagens da vida na corte, da nobreza, dos nativos indígenas, dos escravos e da luxuriante vegetação e paisagem, ainda não exclusiva da Amazónia.

O Rio de Janeiro continua (sempre) lindo

Não parece, mas é.
Depois de 10 meses de blogue, pela 1.ª vez se fez menção à cidade mais linda do mundo: o RIO DE JANEIRO (com o pôr do sol do seu Arpex).
O problema é que tinha receio de começar a escrever um pouco sobre o assunto e nunca mais parar com tantos elogios.
Quem sabe se aguento mais um pouco até fazer um ano de blogue para comemorar com algumas notas da minha (e da minha mana) cidade favorita…