Tango

Gosto de Tango. De ouvir, de vez em quando, e de ver bailar, sempre.
Talvez este gosto tenha a ver com a minha paixão pela Argentina. No entanto, e curiosamente, as origens do Tango não são argentinas mas antes, diz-se, africanas. Terão sido os escravos que foram para a América Central e, mais tarde, migraram para a zona do Rio da Prata, que o levaram consigo. Daí a popularidade do Tango em Buenos Aires e, mais especificamente, na zona portuária, como La Boca, Caminito, etc.
Os Tangos retratam, assim, não só aqueles amores não correspondidos, mas também as saudades da família, da terra que se deixou para trás. Uma certa melancolia que o aproxima do Fado. O que os afasta de todo é o facto de o Tango ter nascido primeiro como uma forma de baile, depois como música e, por último, como canção.
Ligado ao Tango existe um idioma, o lunfardo, um dialecto que é utilizado para se referir a determinados aspectos em termos mais específicos. Interessante verificar que algumas destas palavras também são compreendidas cá na nossa terra, como morfar, malandra, gagá e, para saber mais, é só procurar aqui .
O maior mito do Tango é Carlos Gardel, que foi como que o pioneiro do Tango / canção. Na altura, cerca dos anos 30, era muito popular, pelas canções, pelos filmes, pelo carisma que tinha. Disputado pelos argentinos, parece que nasceu em França ou no Uruguai.

Imensamente respeitado é Astor Piazzolla, que conseguiu dar ao Tango um conceito de música sofisticada, estendendo, assim, o género a outros que não o apreciavam no seu sentido clássico. Foi o Tango de vanguarda, que gerou influências em muitos outros músicos. E ficou célebre o bandoneon de Astor Piazzolla.

E agora, algo que talvez choque os puristas do Tango. No novo milénio alguns músicos vem tentando dar outros horizontes ao Tango, recriando-o e revitalizando-o com beats electrónicos, mas mantendo a sua melancolia. Um dos grupos mais conseguidos é o Gotan Project, trio criado em França que integra um argentino. A sua música, principalmente com o sucesso do albúm “La Revancha del Tango” chegou às pistas de dança de todo o mundo. A quem pareça estranha esta fusão do Tango com a electrónica, aparentemente opostos, Eduardo Makaroff (o argentino do trio) lembra que em comum ambos têm a vontade que a música dá de dançar.
Afinal, e como comecei, não esquecer que o Tango começou por ser uma forma de baile.

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