Em Izmir, em Trânsito

As costas do Mar Egeu e do Mar Mediterrâneo são muito procuradas pelos turistas em busca de sol e praia.
Com vista para o primeiro fica Izmir, a terceira maior cidade turca, com cerca de 2 milhões de habitantes. Os seus arredores parecem tirados de uma qualquer metrópole da América Latina: aproveitamento praticamente total dos morros para os ocupar com casas feitas à pressa e com os materiais que se encontrem mais à mão. O cenário que fica é de caos urbanístico e o trânsito é, uma vez mais, uma loucura. Mas o centro de Izmir é moderno e a avenida que se espraia pela baia por cerca de 4 km cumpre alguns dos preceitos do urbanismo da moda: o lugar para o passeio público, possibilitando a utilização da frente ribeirinha por todos os cidadãos e para quase todas as actividades que pretendam, desde passear o cão a andar de bicicleta ou, tão só, sentar a ver os barcos passar.
Estes km de jornada são, por isso, bem agradáveis num percurso que vai desde a zona do ascensor, na parte sudoeste da cidade, a fazer lembrar algo de Lisboa pelo desnível acentuado das suas ruas, no topo do qual se alcança uma boa panorâmica de parte de Izmir, até à zona de Alsancak no outro extremo do centro da cidade, onde ficam as lojas mais caras e da moda.
Pelo meio, e afastando-nos uns metros do mar, fica a zona do Bazar, um cheirinho da enorme confusão que se encontra em Istambul.
Aí perto, na Konak Meydani, uma praça pedestre de grandes dimensões, que acolhe um centro comercial, sente-se o vai e vem das pessoas a meio caminho entre o seu emprego ou o seu almoço. Nesta praça fica um dos mais famosos postais da cidade, a Torre do Relógio, e existe ainda uma pequena mesquita para uma paragem rápida para uma das inúmeras rezas obrigatórias do dia.
Muitas das vezes, nos pacotes de viagens para a Turquia, encontramos Izmir como uma das possibilidades de destino. Na verdade, a maior parte dos turistas apenas utiliza a cidade como ponto de passagem para qualquer outro destino nas redondezas ou, quanto muito, para base de uma noite.
A nós serviu-nos para fazer uma pausa vindas da Capadócia em trânsito para as ruínas de Éfeso, tendo optado por Selçuk como local de poiso.

Selçuk, com cerca de 20000 habitantes, vive quase em exclusivo do facto de Éfeso estar a 2km, do Templo de Artemisa nem isso distar e da Basílica de São João estar praticamente no seu centro. Tudo ruínas com muita história e milénios de vida. À conta disso, as suas ruas têm uma série de restaurantes e lojinhas que servem de apoio para os magotes de turistas, ainda que as camionetas de excursões que por lá passam deixem os passageiros directamente à porta dos monumentos a visitar, sem pouco espaço para deambularem pelas imediações.

À distância de uma curta viagem de Dolmus (o nome indígena dos mini autocarros) pela serra adentro fica Sirince, aldeia com menos de 1000 habitantes que mantém ainda muitas das casas típicas do estilo greco-otomano. Conta-se que os gregos ocuparam a área por volta do século XV e decidiram dar-lhe o nome de “Çirkince”, que na sua língua quer dizer qualquer coisa como “feiosa”, no sentido de evitar que outros pudessem ter também a ideia de para lá se dirigir. Foi apenas no século passado que as autoridades locais decidiram mudar o nome para o actual “Sirince”, algo como “agradável”, mais condizente com a realidade. E, assim, hoje é conhecida como uma das “aldeias mais turcas da Turquia”, epíteto análogo aos casos das nossas Monsanto ou Alte, as “aldeias mais portuguesas de Portugal”. O certo é que a aldeiazinha turca recebe imensos turistas, a maioria vindos de um dos muitos cruzeiros que atracam aqui por estas bandas e não se cansam de picar o ponto em todos estes recantos recomendados.

Kusadasi é a cidade que recebe os tais cruzeiros com turistas em trânsito para Éfeso, Selçuk (Basílica de São João), Sirince e, menos frequentemente, Priene, Miletos e Dydima e Pamukkale.
Como caracterizar Kusadasi sem ser injusta? Talvez começar por dizer que na temporada alta parece constituir uma preparação ou uma continuação daquilo que nos (os) espera no cruzeiro. São lojas e mais lojas que vendem produtos supostamente originais a 30% do seu preço de mercado. Não consigo dizer mais nada a respeito a não ser que, repito, na temporada alta, é uma cidade que tem um porto para cruzeiros. Ou melhor. Consigo acrescentar que nas suas redondezas dizem que ficam algumas praias que se poderão considerar interessantes. Como para nós o objectivo desta viagem não era fazer sequer um pouco de praia, passávamos bem sem este episódio. Mas acabámos por decidir ir relaxar umas horinhas durante uma tarde numa dessas praias. Levávamos a indicação de que Pamucak seria “a” praia, mas um “inquérito” no dia anterior levou-nos a optar pela Ladies Beach. Bom… a praia do Barbas na Costa da Caparica não anda muito longe do ambiente desta… Sem mais comentários. O que valeu foi que acabámos por visualizar Pamucak de cima e não pareceu ser assim tão deslumbrante como a queriam fazer passar, ainda que parecesse andar a léguas do “Barbas de saias”. Como consolo fica a ideia que já levava da minha terrinha: tirando uma viagem à Polinésia ou outros locais ditos idílicos em que a civilização e o betão ainda não chegaram, praia é mesmo para ser feita no nosso país.
Uma sugestão então: se o objectivo não for ver passar o pessoal dos cruzeiros, nem fazer compras de produtos (bem) falsificados, talvez seja de arriscar optar por um passeio até à Península de Dilek, a alternativa que no nosso caso não vingou e que, por isso, não se poderá avaliar.

Em resumo, tirando o passeio até Éfeso e Pamukkale, esta primeira visita à costa do Egeu soube a pouco.

O mergulho no Mar Egeu deu-se aqui, na Ladies Beach, bem democrática, como se pode ver.

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