Se o reaproveitar dos equipamentos que outrora desempenharam uma função decisiva e insubstituível para a vida de uma cidade se revela de elementar bom senso e respeito pela história, transformando-os, por exemplo, em espaços museológicos, aproveitar ainda esses mesmos locais para aí se apresentar exposições, então, é conseguir quase o pleno no sentido de aliar o antes e o depois, permitindo uma nova vida a maquinarias que a merecem.
Vem isto a propósito da exposição “Rituais de Luz”, de Branislav Mihajlovic, que decorre até ao próximo sábado na Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, parte do Museu da Água que a EPAL nos oferece.
Por entre as máquinas a vapor e as caldeiras que funcionaram até 1928 e ocupam esta Estação Elevatória desde 1880, com o objectivo originário de elevar as águas vindas do rio Alviela para o reservatório da Verónica e a Cisterna do Monte, com isso aumentando o volume de água a fornecer à cidade, convivem nesta altura os quadros de Branislav Mihajlovic (http://www.branislavmihajlovic.com/), sérvio radicado em Portugal que, informa o folheto da exposição, se terá também apaixonado pela luz da cidade. Todas as suas obras aqui expostas encontram-se plenamente integradas neste, à partida, pouco ortodoxo espaço para o efeito. Entre algumas obras cândidas figurando bancos de jardim, camas e cadeiras (de hospitais?) surgem outras mais duras, como as que remetem para a Guerra Civil de Espanha ou as que representam rostos expressivos.
Destaque absoluto, no entanto, para “Biblioteca” e “Colunas (Fragmentos)”. O primeiro, conjunto empilhado de livros – mesmo – sobre cujas pinceladas produzem como resultado um jogo estético maravilhoso. O segundo, através da utilização de fragmentos – mesmo – de pedras bem envolvidas na pintura que nos permitem uma visão real das colunas do que imaginamos ser um antigo templo romano.
A não perder.

